Carreira de Benjamin Constant Botelho de Magalhães
Benjamin tinha o sonho de ser professor, a exemplo do pai. Como não tinha dinheiro para pagar os seus estudos, o jovem encontrou na Escola Militar a oportunidade de adquirir conhecimento de forma gratuita.
Aos 16 anos, Benjamin Constant Botelho de Magalhães estudava e dava aulas em outras escolas, visando conseguir dinheiro extra para a família.Com 19 anos, ele foi promovido a alferes, nome de um posto militar das
Forças Armadas do Brasil.
Naquele momento,
Benjamin não tinha bens ou recursos financeiros herdados. Porém, obteve a primeira ascensão social com o posto ocupado nas forças armadas. No ano de 1858, no decorrer da formatura dos alunos da
Escola Militar, protestou contra acusações de roubo feitas a grupo de estudantes da instituição.
O resultado do ato de rebeldia foi a prisão na Fortaleza de Santa Cruz, onde ficou por alguns dias e recebeu a visita de colegas e amigos. Apesar do desfecho, o ato político mostrou o DNA estadista de Benjamin Constant Botelho de Magalhães.
Ações políticas
Após aprofundar os estudos em ciências
matemáticas e
físicas, adquirindo o doutorado, Benjamin se aproximou dos ideais do positivismo, em alta na Europa. A ideologia tem como base
estágios civilizatórios que seriam alcançados pelo caminho do progresso científico.
A consequência do gosto positivismo foi a criação da doutrina do Soldado Cidadão. De acordo com esse preceito de Benjamin Constant Botelho de Magalhães, antes de serem soldados, os membros das Forças Armadas são cidadãos e precisam ter civilidade.
Com o Brasil Império em declínio, Benjamin, republicano convicto, proferiu um discurso a favor da República no dia 23 de outubro de 1889, no instante da visita de oficiais chilenos à
Escola Militar. Pouco tempo depois, ele começou a articular uma conspiração antimonárquica com
líderes militares, entre eles o Marechal Deodoro da Fonseca.
Por fim, a reunião que decidiu o fim do Império foi realizada na casa de Deodoro da Fonseca, no dia 10 de novembro de 1889, com a presença de Benjamin Constant Botelho de Magalhães.
Depois da Proclamação da República, Benjamin foi convidado para ser presidente, mas recusou a oferta. Ao invés de ir para a presidência, ele assumiu a pasta da Guerra, formando o código militar brasileiro.
A gestão de Benjamin na pasta fez surgir uma nova geração de soldados e intelectuais militares, movidos pelos seus ideiais positivistas. Essa geração propôs a maior profissionalização do Exército. Entre os outros cargos de relevância, Benjamin ganhou a função de ministro da Instrução Pública, Correios e Telégrafos.
No período que ficou à frente deste ministério, o político proibiu o ensino religioso em estabelecimentos públicos de instrução leiga e deu novos regulamentos para órgãos como o antigo Colégio Pedro II, o Instituto Nacional dos Cegos, a Biblioteca Nacional. Todos com sedes no Rio de Janeiro. O estadista ainda ajudou a promover uma ampla reforma da educação nacional pública, no âmbito primário, secundário e superior.
Outra vez envolvido em atividade de gestão, Benjamin foi o terceiro diretor do Imperial Instituto dos Meninos Cegos e casou com Maria da Costa Botelho de Magalhães, filha do segundo diretor da instituição. O casal teve oito filhos, sendo que dois meninos faleceram ainda nos primeiros anos de vida.
Benjamin Constant Botelho de Magalhães faleceu no dia 22 de janeiro de 1891, aos 57 anos, na capital do Rio de Janeiro. Ele foi sepultado no Cemitério de São João Batista.
Outros feitos de Benjamin
Benjamin Participou da
Guerra do Paraguai (1865–1870) como
engenheiro civil e militar, estando do conflito entre 1866 e 1868. Sem apego à carreira militar e crítico da organização administrativa e da condução da guerra, acabou por ter uma passagem curta, abreviada por problemas de saúde causados pela malária que contraiu no Paraguai.
Outros feitos relevantes sobre Benjamin Constant Botelho de Magalhães são:
Como professor, lecionou na Escola Militar da Praia Vermelha e nas escolas Politécnica, Normal e Superior de Guerra;
Em 1862, foi convidado para lecionar
matemática às filhas do imperador, mas recusou o convite;
As suas cartas, escritas sobretudo para a esposa e o sogro, foram publicadas por Renato Lemos, no livro Cartas da guerra: Benjamin Constant na Campanha do Paraguai (1999);
As disposições transitórias da Constituição de 1891 consagrou Benjamin como fundador da República brasileira.
Em 1982, o governo brasileiro transformou a antiga residência de Benjamin em museu. Localizado no bairro de Santa Tereza, na cidade do Rio de Janeiro, o museu Museu Casa de Benjamin Constant tem um acervo composto por objetos, obras de arte, indumentária e mobiliário dos séculos XIX e XX.
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