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Benjamin Constant Botelho de Magalhães

Postado por Adriele Oliveira em 01/09/2025 e atualizado pela última vez em 01/09/2025
Benjamin Constant Botelho de Magalhães foi um militar, professor e político brasileiro. Referenciado como o fundador da República Velha no Brasil, após organizar a estratégia militar que cravou o fim da Monarquia,  ele nasceu no dia 18 de outubro de 1833, em Niterói, Rio de Janeiro.

O pai, Leopoldo Henrique Botelho, foi primeiro-tenente em Portugal e veio para o Brasil no começo de 1822, onde casou com a brasileira Bernardina da Silva Guimarães, mãe de Benjamin Constant Botelho de Magalhães. O pai de Benjamin fez parte do Exército Brasileiro após a Independência do BrasilNo momento de batizar seu filho, Leopoldo Henrique prestou uma homenagem ao escritor e constitucionalista francês Benjamin Constant.

A família de Benjamin Constant Botelho de Magalhães vivia com poucos recursos financeiros. Para tentar solucionar o problema, os pais de Benjamin instalaram uma escola, mas sem sucesso. O motivo de falência do investimento foi a pobreza dos alunos da instituição, muitos não conseguiam pagar pelos estudos.

Convidado pelo Barão de Lage, Leopoldo Henrique foi administrar uma fazenda em Minas Gerais. Com o resultado a situação financeira da família de Benjamin passou por um processo de melhor, no entanto, as dificuldades voltaram após a morte do seu pai, em 1849. Na ocasião, Benjamin era um garoto de 16 anos que tinha outros quatro irmãos.

Com as economias deixadas pelo pai e o dinheiro fruto do trabalho da mãe, Benjamin Constant Botelho de Magalhães retomou a vida com a família e ingressou na Escola Militar, em 1852.

Estadista foi figura importante na história do Brasil.

Carreira de Benjamin Constant Botelho de Magalhães


Benjamin tinha o sonho de ser professor, a exemplo do pai. Como não tinha dinheiro para pagar os seus estudos, o jovem encontrou na Escola Militar a oportunidade de adquirir conhecimento de forma gratuita.

Aos 16 anos, Benjamin Constant Botelho de Magalhães estudava e dava aulas em outras escolas, visando conseguir dinheiro extra para a família.Com 19 anos, ele foi promovido a alferes, nome de um posto militar das Forças Armadas do Brasil.

Naquele momento, Benjamin não tinha bens ou recursos financeiros herdados. Porém, obteve a primeira ascensão social com o posto ocupado nas forças armadas. No ano de 1858, no decorrer da formatura dos alunos da Escola Militar, protestou contra acusações de roubo feitas a grupo de estudantes da instituição.

O resultado do ato de rebeldia foi a prisão na Fortaleza de Santa Cruz, onde ficou por alguns dias e recebeu a visita de colegas e amigos. Apesar do desfecho, o ato político mostrou o DNA estadista de Benjamin Constant Botelho de Magalhães.

Ações políticas


Após aprofundar os estudos em ciências matemáticas e físicas, adquirindo o doutorado, Benjamin se aproximou dos ideais do positivismo, em alta na Europa. A ideologia tem como base estágios civilizatórios que seriam alcançados pelo caminho do progresso científico. 

A consequência do gosto positivismo foi a criação da doutrina do Soldado Cidadão. De acordo com esse preceito de Benjamin Constant Botelho de Magalhães, antes de serem soldados, os membros das Forças Armadas são cidadãos e precisam ter civilidade.

Com o Brasil Império em declínio, Benjamin, republicano convicto, proferiu um discurso a favor da República no dia 23 de outubro de 1889, no instante da visita de oficiais chilenos à Escola Militar. Pouco tempo depois, ele começou a articular uma conspiração antimonárquica com líderes militares, entre eles o Marechal Deodoro da Fonseca.

Por fim, a reunião que decidiu o fim do Império foi realizada na casa de Deodoro da Fonseca, no dia 10 de novembro de 1889, com a presença de Benjamin Constant Botelho de Magalhães. Depois da Proclamação da República, Benjamin foi convidado para ser presidente, mas recusou a oferta. Ao invés de ir para a presidência, ele assumiu a pasta da Guerra, formando o código militar brasileiro.

A gestão de Benjamin na pasta fez surgir uma nova geração de soldados e intelectuais militares, movidos pelos seus ideiais positivistas. Essa geração propôs a maior profissionalização do Exército. Entre os outros cargos de relevância, Benjamin ganhou a função de ministro da Instrução Pública, Correios e Telégrafos. 

No período que ficou à frente deste ministério, o político proibiu o ensino religioso em estabelecimentos públicos de instrução leiga e deu novos regulamentos para órgãos como o antigo Colégio Pedro II, o Instituto Nacional dos Cegos, a Biblioteca Nacional. Todos com sedes no Rio de Janeiro. O estadista ainda ajudou a promover uma ampla reforma da educação nacional pública, no âmbito primário, secundário e superior.

Outra vez envolvido em atividade de gestão, Benjamin foi o terceiro diretor do Imperial Instituto dos Meninos Cegos e casou com Maria da Costa Botelho de Magalhães, filha do segundo diretor da instituição. O casal teve oito filhos, sendo que dois meninos faleceram ainda nos primeiros anos de vida.

Benjamin Constant Botelho de Magalhães faleceu no dia 22 de janeiro de 1891, aos 57 anos, na capital do Rio de Janeiro. Ele foi sepultado no Cemitério de São João Batista.

Outros feitos de Benjamin


Benjamin Participou da Guerra do Paraguai (1865–1870) como engenheiro civil e militar, estando do conflito entre 1866 e 1868. Sem apego à carreira militar e crítico da organização administrativa e da condução da guerra, acabou por ter uma passagem curta, abreviada por problemas de saúde causados pela malária que contraiu no Paraguai. 

Outros feitos relevantes sobre Benjamin Constant Botelho de Magalhães são:

Como professor, lecionou na Escola Militar da Praia Vermelha e nas escolas Politécnica, Normal e Superior de Guerra;

Em 1862, foi convidado para lecionar matemática às filhas do imperador, mas recusou o convite;

As suas cartas, escritas sobretudo para a esposa e o sogro, foram publicadas por Renato Lemos, no livro Cartas da guerra: Benjamin Constant na Campanha do Paraguai (1999);

As disposições transitórias da Constituição de 1891 consagrou Benjamin como fundador da República brasileira.

Em 1982, o governo brasileiro transformou a antiga residência de Benjamin em museu. Localizado no bairro de Santa Tereza, na cidade do Rio de Janeiro, o museu Museu Casa de Benjamin Constant tem um acervo composto por objetos, obras de arte, indumentária e mobiliário dos séculos XIX e XX. 

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