Buda: da riqueza à busca pela verdade
Na época do seu nascimento, a população da Índia vivia momentos de crise e extrema pobreza. A densidade populacional era marcante e numerosa, associada a uma condição econômica de miséria e escassez de alimentos e uma desigual distribuição de renda. Contrário à toda essa precariedade social, Buda era um jovem rico, jovem e bem casado, com uma estrutura familiar bem estabelecida.
Com todas essas características, distante da estrutura mísera da maior parte dos habitantes, Buda tinha todos os requisitos para ser um jovem satisfeito e viver de forma cômoda, entretanto, tinha uma forte tendência para a meditação e constante insatisfação, além da dificuldade de aceitar a realidade difícil à sua volta.
Nesse período, demonstrava profundo interesse pela filosofia e conhecimento religioso. Até os 29 anos de idade vivia protegido e sem perceber as mazelas que afetavam as pessoas em seu redor. Em um determinado momento, dando um passeio pela cidade, foi confrontado pela realidade social do seu país, em detrimento do luxo e beleza dos ambientes que frequentava.
Ao perceber a velhice, pobreza, doenças, miséria ficou perplexo e tomado por um sentimento de indignação. Essa perplexidade chegou ao extremo até o ponto em que raspou a cabeça em sinal de humildade, trocou as roupas de luxo por trajes simples, semelhantes aos tecidos simples utilizados pelos monges, além de ter se afastado da família e da moradia suntuosa do palácio.
Buda também rejeitou os bens acumulados, a riqueza e o passado em busca do ele considerou “verdades superiores”.
O Despertar de Buda: iluminação e ensinamentos para a vida
Ainda precoce no ambiente religioso, passou a viver com outros adeptos da nova forma de vida, fazendo constantes orações e intermináveis jejuns. Entretanto, com fome ele não conseguia produzir nada de novo, então decidiu voltar a comer.
Dessa fase até os seis anos subsequentes, viveu isolado, realizando meditações embaixo de um pé de figueira que os hindus chamam de “bodhi” e fazem venerações considerando-a como árvore sagrada.
Em um determinado momento de meditação, estando sentado embaixo de uma árvore, teve visões de um demônio da paixão, denominado de Mara, que em alguns momentos lhe atacava com chuva outros com raios, além de lhe oferecer vantagens para retirar Buda de seu propósito de evolução espiritual.
Passados 49 Dias o demônio precisou se conformar com a derrota, deixando Gautama permanecer em sua missão. Firme na pretensão de desenvolver-se, ocorreu então o despertar espiritual que o jovem buscava. Iluminado por um novo entendimento sobre as verdades superiores, Buda seguiu para a cidade de Benares, com a finalidade de anunciar a todos o que havia acontecido.
Aos poucos Gautama foi adquirindo seguidores que reverenciaram sua iluminação, passando a tratá-lo por “Buda”. Durante quase meio século, mais precisamente durante 45 anos em que pregou sua doutrina, por todas as regiões da Índia, Gautama mencionou sempre as Quatro Verdades e as Oito Trilhas, ainda sintetizando uma ideia que propagou durante toda a sua vida, A Regra de Ouro: “Tudo o que somos é resultado do que pensamos”.
Durante sua atuação, Buda sempre afirmou que não era um Deus, mas tinha o objetivo principal de demonstrar para outras pessoas o caminho em busca da salvação do espírito e do para alcançar o Dharma - o processo de amadurecimento para a plena realização espiritual.