Colonização da Bahia
Caramuru teve ligação direta no processo de colonização da Bahia no Brasil. Ele e João Ramalho, outro europeu que também colaborou diretamente para que esse fato acontecesse, tinham muitas coisas em comum.
Ambos tinham muitos filhos, poder e respeito entre os indígenas. Ambos cooperaram diretamente para a colonização da Bahia, protegendo os europeus que chegavam ao Brasil em busca de ouro, madeira e outras riquezas naturais.
O processo de colonização foi ganhando espaço aos poucos. Caramuru e Ramalho socorriam homens que naufragavam, lhes protegiam e abrigavam, em troca recebiam armamentos, moedas de ouro e outras recompensas.
Com o domínio que ambos tinham sobre os indígenas, o processo de colonização tornou-se mais ágil e amplo. A coroa portuguesa, reconhecendo o papel importante que esses homens realizaram, atribuiu títulos oficiais às duas personalidades. João Ramalho em 1553, foi nomeado capitão da vila de Santo André por Tomé de Sousa, sendo assim o primeiro governador geral do Brasil.
Veja parte da carta de Dom João III (linguagem atual), enviada a Caramuru através de Gramatão Telles, solicitando ajuda para a fundação de Salvador e o estabelecimento do governo geral. Caramuru deu todo apoio a Thomé de Sousa.
Trecho:
"Foi este Diogo Álvares Correa, natural de Vianna, pessoa nobre, e de linhagem conhecida da Província de Entre Douro, e Minho. Era moço, e o desejo, que levava a outros muitos sujeitos da sua qualidade naqueles tempos a sair de suas pátrias, e buscar nas novas conquistas do Reino alguma aventura, o arrastava agora para a da Índia* em companhia de um tio seu, que em certa nau fazia para lá a sua derrota. [...] a sua nau se veio meter na grande boca da Enseada da Bahia, agitada de ventos contrários, onde sobrevindo-lhe outra tempestade, deu com ela, quebrados os mastros, e perdido o rumo, nos baixios, que ficam a leste da sua barra, a que o gentio chamava Mairagúiquiing**; em fronte donde se mete no mar o Rio Vermelho, uma légua distante da ponta, que dizem do Padrão (atual Farol da Barra).
Aqui tiveram todos, com a perda da nau, lastimoso naufrágio, do qual os que livraram com vida, não escaparam de serem presas do bárbaro gentio tupinambá, que habitava aquela costa, e ali acudiu, fazendo pilhagem, não só no que a despedaçada nau lançava às praias, muito melhor dos miseráveis naufragados, que recolhidos às suas estacadas, lhes foram servindo de gostoso manjar para repetidos dias. Menos Diogo Álvares Correa, que ou a sua sorte, ou a sua viveza, ou tudo junto com superior destino, lhe administrou para isso meios oportunos. Era moço, esperto, ágil, e de entendimento vivo, e vendo aquela gente mui ocupada na colheita dos vários despojos da perdida nau, introduzido com eles os ajudava a comboiar para onde via que eles os iam acomodando: e aqui começou a fortuna a traçar a sorte de Diogo Álvares. Este os servia cuidadoso, e eles o atendiam alegres.
Havendo já recolhido o gentio às suas estâncias tudo o que do naufrágio entendeu Ihes podia servir, e eles já também mais sossegados nas suas cabanas, tratou Diogo Álvares de preparar algumas daquelas armas; carrega uma, faz tiro com ela a certa presa (seria a alguma ave) dá com ela em terra, e foi tal o alvoroço no incauto gentio, que meninos, e mulheres se punham em fugida, e os maiores em espanto, e admiração, de verem, e ouvirem uma tal coisa, e especialmente o dano, e estrago, que causavam as balas sem serem vistas. Algum gênero de desconfiança alcançou Diogo Álvares do espanto, e temor do gentio, mas ele no melhor modo que pode os deixou satisfeitos, dando-lhes a entender, que aquele gênero de instrumento não fazia danos mais que a inimigos, que com facilidade, e menos perigo podiam ser vencidos com aquelas novas armas, do que com os seus antigos arcos, e flechas."
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