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Sua mochila está vazia!

Carlos Marighella

Postado por Adriele Oliveira em 29/09/2025 e atualizado pela última vez em 29/09/2025
Carlos Marighella combateu de frente o Regime Militar, durante o período que Getúlio Vargas foi presidente. Foi preso, acusado de perversão moral, e torturado. Chegou a ser eleito deputado federal constituinte, mas foi cassado. Foi ativista até os últimos dias de sua vida.

 Político, escritor e guerrilheiro, despertou relação de amor e ódio no Brasil. (Foto: gerada por IA)

Carlos Marighella era baiano, nascido em Salvador, filho de uma família pobre. Tinha seis irmãos. Seu pai era mecânico, italiano e imigrante, chamava-se Augusto Marighella. Sua mãe, Maria Rita do Nascimento, era empregada doméstica, filha de escravos africanos que foram trazidos para o Brasil. Mesmo com baixo poder aquisitivo, Marighella sempre teve incentivo para estudar, através de seu pai. Foi alfabetizado por livros herdados de Augusto Marighella, importados, em maioria franceses. 

Durante sua juventude, Carlos Marighella chegou a estudar Engenharia Civil na Escola Politécnica da Bahia, mas sua essência sempre esteve ligada à política. Completamente influenciado pelos ideais marxista, abandonou a engenharia e partiu para China, onde observou a revolução cultural do povo de perto. Logo depois, partiu para Cuba, onde aprendeu a se blindar em confrontos armados

Motivado com a situação política de ambos os países, e insatisfeito com o Golpe Militar no Brasil, Carlos Marighella decide retornar para seu país de origem, afim de confrontar a Ditadura Militar.

Inimigo do Regime Militar


Ao chegar no ápice da Ditadura Militar no Brasil, Carlos Marighella fundou o grupo Ação Libertadora Nacional, com caráter revolucionário. Entre outras ações, esse grupo teria sido responsável pelo sequestro do embaixador americano Charles Elbrick, em 1969.

A situação política que Carlos Marighella conduzia no Brasil o intitulou como inimigo número um da Ditadura Militar, e como principal comandante da guerra revolucionária na América do Sul. Chegou a ser comparado a Che Guevara pela CIA. 

Com a vida debruçada sobre os movimentos políticos, Carlos Marighella se tornou além de estudioso, comunista, e revolucionário, escritor. Ele lançou entre outras obras, o Minimanual do Gerrilheiro Urbano. Esse livro foi completamente pautado na resistência contra o Regime Militar no Brasil, e defendia a instauração de um regime de exceção de esquerda

Colocando em prática os conhecimentos obtidos em Cuba, Carlos Matighella explicou no manual táticas de guerrilha, como o ataque contra rivais, outras práticas terroristas como o preparo de bombas e granadas, falsificação de documentos, o sequestro de norte-americanos, além de assaltos, greves, ocupações e sabotagens a economia do Brasil. 

O manual


Para combater a Ditadura Militar no Brasil, Carlos Marighella pregou e incentivou ações terroristas no Minimanual do Gerrilheiro Urbano. 

“Eu desejo que todos que leram este manual e decidiram que não podem permanecer inativos, sigam as instruções e juntem-se a luta agora. Eu solicito isto porque, abaixo de qualquer teoria e qualquer circunstâncias, a obrigação de todo revolucionário é fazer a revolução.”

Com deixas como essas no livro, Marighella caminha mais no sentido de implodir uma revolução socialista do que de propriamente reestabelecer a democracia no Brasil. Enquanto suas ações são vistas por alguns como heroicas, que tentavam salvar o país de uma ditadura, com ideais de liberdade, ao mesmo tempo são vistas por outros como fórmulas criminosas de intolerância política. 

Escreveu também no Minimanual do Guerrilheiro Urbano

“A revolução é um fenômeno social que depende dos homens, das armas e dos recursos. As armas e os recursos existem no país e podem ser tomados e usados, mas para fazer isto é necessário contar com homens. Sem eles as armas e os recursos não tem nem uso nem valor.”

“Este é o núcleo doutrinado e disciplinado com uma estratégia de longo alcance e uma visão tática consistente com a aplicação da teoria Marxista, dos desenvolvimentos do Leninismo e Castro-Guevaristas, aplicados às condições específicas da situação revolucionária. Este é um núcleo que dirigirá a rebelião à fase de guerra de gerrilha.”

Vida política 


Carlos Marighela foi eleito deputado federal constituinte pelo PCB baiano, em 1946. Teve o mandato cassado por causa de uma nova proscrição do partido. 

Seguiu então a vida política clandestina e ocupou vários cargos na direção partidária.  Foi morar na China, depois de receber um convite do Comitê Central do Partido Comunista da China, de 1953 e 1954. Se envolveu completamente na revolução comunista chinesa, e absorveu alguns moldes que viera aplicar mais tarde no Brasil, durante a Ditadura Militar.

Tido como inimigo do estado, em maio de 1964, foi capturado e baleado por agentes do Departamento de Ordem Política e Social, em um cinema no Rio de Janeiro. Só foi solto um ano depois, por decisão judicial, quando então declarou combate aos militares. 

Dois anos depois, em 1966, renunciou à Comissão Executiva Nacional do PCB, e em 1967 participou da I Conferência da Organização Latino-Americana de Solidariedade (OLAS), realizada em Havana, Cuba.

Em Havana, Carlos Marighella também inspirou ideais políticos, e escreveu “Algumas Questões sobre a Guerrilha no Brasil”, dedicado à memória de Che Guevara. 

Em fevereiro de 1968 fundou o grupo armado Ação Libertadora Nacional (ALN).

 A morte de Carlos Merighella


A trajetória de Carlos Merighella fez com que ele virasse foragido no país. Os órgãos de repressão buscavam o revolucionário, numa verdadeira caça ao tesouro. Merighella morreu golpeado com vários tiros, em 4 de novembro de 1969, durante uma emboscada na Alameda Casa Branca, capital paulista. A ação foi executada por agentes do DOPS, durante ação dirigida pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury. 

Anistia e influências


Em 1996 o Ministério da Justiça determinou que o estado foi responsável pela morte de Carlos Merighella. Ficou decidido então, que sua companheira Clara Charf recebesse pensão vitalícia do Governo. 

Em 2012 o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, oficializou a anistia:

PORTARIA N 2.780, DE 8 DE NOVEMBRO DE 2012

O MINISTRO DE ESTADO DA JUSTIÇA, no uso de suas atribuições legais, com fulcro no artigo 10 da Lei nº 10.559, de 13 de novembro de 2002, publicada no Diário Oficial de 14 de novembro de 2002 e considerando o resultado do julgamento proferido pela Comissão de Anistia na 6ª Sessão de Julgamento da Caravana de Anistia, na cidade de Salvador / BA, realizada no dia 05 de dezembro de 2011, no Requerimento de Anistia nº 2011.01.70225, resolve: Declarar CARLOS MARIGHELLA filho de MARIA RITA DO NASCIMENTO MARIGHELLA, anistiado político "post mortem", nos termos do artigo 1º, inciso I, da Lei nº 10.559, de 13 de novembro de 2002.
JOSÉ EDUARDO CARDOZO

Em novembro de 2013, a Comissão da Verdade realizou ato em homenagem ao aniversário de 44 anos da morte de Marighella. O tributo foi na alameda Casa Branca e contou com a presença da viúva do guerrilheiro, Clara Charf. 

- Em 2009, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva o chamou de herói
- Em 2012, o cantor Caetano Veloso fez uma música em sua homenagem, chamada “Um Comunista”.
- No mesmo ano, os racionais MC’s lançaram a canção “Mil Faces de um Homem Leal”, que abordam alguns trechos do Minimanual do Gerrilheiro Urbano.

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