Cecília Meireles foi uma escritora, professora, jornalista e pintora brasileira que iniciou sua carreira na literatura aos 18 anos de idade. Considerada uma das maiores poetisas do Brasil, ela deixou contribuições no conto, crônica, literatura infantil e folclore.
Cecília foi a primeira voz feminina de grande expressividade na literatura brasileira, se destacando na segunda fase do Modernismo no Brasil, no grupo de poetas que consolidaram a Poesia de 30.
A escritora que teve mais de 50 obras publicadas ficou conhecida mundialmente. Ela teve sua poesia traduzida para o espanhol, francês, italiano, inglês, alemão, húngaro, hindi e urdu. Ela recebeu prêmios literários, comandou um programa sobre literatura na rádio, viajou pelo mundo, fundou a primeira biblioteca infantil do Brasil, no pavilhão Mourisco, em Botafogo, no Rio de Janeiro.
Biografia de Cecília Meireles
Cecília Benevides de Carvalho Meireles nasceu no Rio de Janeiro no dia 7 de novembro de 1901. Filha de Carlos Alberto de Carvalho Meireles e Mathilde Benevides Meireles, Cecília ficou órfã aos três anos quando a sua mãe morreu. O falecimento de seu pai tinha ocorrido três meses antes de Cecília nascer.
Órfã, Cecília foi criada por sua avó materna, a portuguesa Jacinta Garcia Benevides. Desde criança, ela demonstrou sua paixão por livros e interesse pela literatura, escrevendo seus primeiros poemas aos nove anos de idade.
Cecília Meireles estudou na Escola Estácio de Sá onde concluiu o ensino primário, em 1910. Na ocasião, recebeu das mãos de Olavo Bilac, inspetor da escola, uma Medalha de Ouro pelo esforço e excelente desempenho escolar. Além da literatura, ela se interessou também pela música e começou a fazer aulas de canto, violão e violino.
Aos 16 anos, Cecília tornou-se professora diplomada no Curso Normal do Instituto de Educação do Rio de Janeiro, onde teve como professores o historiador Basílio de Magalhães, a escritora infantil Alexina Magalhães Pinto e o poeta Osório Duque-Estrada.
Em 1919, a autora publicou o seu primeiro livro de poemas intitulado “Espectros”, onde reuniu 17 sonetos de temas históricos. Em 1922, Cecília participou da Semana de Arte Moderna, quando fez parte do grupo da revista Festa, ao lado de artistas como Tasso da Silveira e Andrade Muricy, defensores do universalismo e tradicionalismo da poesia.
Também em 1922, ela se casou com o artista plástico português Fernando Correia Dias, com quem teve três filhas: Maria Elvira, Maria Mathilde e Maria Fernanda. A união com Correia Dias possibilitou a Cecília um contato com o movimento literário e poético em Portugal, no início do século XX, do qual Fernando Pessoa fazia parte.
Em 1935 seu marido cometeu suicídio e cinco anos depois ela se casou novamente o professor e engenheiro agrônomo Heitor Vinícius da Silveira Grilo. Cecília Meireles morreu no Rio de Janeiro vítima de câncer em 9 de novembro de 1964, aos 63 anos.
Uma das mais importantes poetisas do Brasil
Carreira literária de Cecília Meireles
Cecília Meireles lançou seu primeiro livro de poemas ao 18 anos. A obra intitulada “Espectros" tinha dezessete sonetos de temas históricos, escritos no tempo em que cursava a Escola Normal.
O livro recebeu uma crítica positiva de João Ribeiro, que publicada no jornal O Imparcial, na qual ele previa um belo futuro para Cecília. Nesse período, Cecília começou a se aproximar de escritores como Tasso da Silveira, Andrade Muricy e em março de 1922 participou da Semana de Arte Moderna, em São Paulo.
Em 1923, ela publicou “Nunca Mais... E Poema dos Poemas”, obra com vinte e um poemas e seis sonetos, de caráter simbolista e com ilustrações do marido, Correia Dias. Essa obra foi removida de sua biografia a pedido da autora.
Um ano depois Cecília lançou o seu primeiro livro infantil. Intitulado “Criança, Meu Amor” , crônicas em prosa poética para o ensino fundamental, nas quais a escritora abordou temáticas relacionadas ao imaginário, o bom conselho, o humor e a fantasia.
Em 1925, ela lançou a obra “Baladas para El-Rei”, onde reuniu poemas escritos entre fevereiro e março de 1922. Também ilustrado por Correia Dias, o livro seguiu a mesma linha anterior, fazendo com que estudiosos caracterizam essa parte da vida de Cecília como um simbolismo tardio".
Ao longo de sua caminhada, Cecília Meireles estudou literatura, folclore e teoria educacional. Além disso, atuou como jornalista entre 1930 e 1931, ocasião em que escreveu diversos artigos sobre educação.
Em 1934, a escritora fundou a primeira biblioteca infantil no Rio de Janeiro. No mesmo ano ela viajou para Portugal, onde realizou conferências divulgando a literatura e o folclore brasileiros, a convite do governo português.
Cecília Meireles se tornou uma das mais conceituadas escritoras do Brasil. Embora ela tivesse um carinho especial pelo público infantil, escreveu poemas também para os adultos.
Além de suas poesias traduzidas para outras línguas como: espanhol, francês, italiano, inglês, alemão, húngaro, hindi e urdu, alguns de seus poemas foram musicados por artistas como: Alceu Bocchino, Ênio Freitas, Camargo Guarnieri, Lamartine Babo, Bacharat, Norman Frazer e Fagner.
Características da obra
A poesia de Cecília Meireles possui características da literatura luso-brasileira, mas a escritora nunca esteve diretamente ligada a um movimento literário. Suas publicações abordam temática religiosidade, desespero e individualismo, demonstrando uma inclinação para o Simbolismo.
Posteriormente, obras como o livro “Viagem” (1939) apresenta uma tendência mais modernista. A poetisa Cecília Meireles prezou por uma poesia reflexiva que abordou temas como a transitoriedade da vida, o tempo, o amor, o infinito e a natureza.
Um dos poemas mais conhecidos de Cecília Meireles é “Motivo”, que traz uma mistura de misticismo com solidão:
Motivo
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
Sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.
Principais obras de Cecília Meireles
Espectros (1919)
Nunca Mais... e Poema dos Poemas (1923)
Baladas Para El-Rei (1925)
Viagem (1925)
Viagem (1939)
Vaga Música (1942)
Mar Absoluto (1945)
Evocação Lírica de Lisboa (1948)
Retrato Natural (1949)
Doze Noturnos de Holanda (1952)
Romanceiro da Inconfidência (1953)
Pequeno Oratório de Santa Clara (1955)
Pístóia, Cemitério Militar Brasileiro (1955)
Poemas Escritos Na Índia (1962)
Antologia Poética (1963)
Ou Isto Ou Aquilo (1965)
Escolha o Seu Sonho (1964)
Premiações
Cecília Meireles recebeu algumas premiações ao longo de sua trajetória. Sua primeira premiação veio em 1939 com o Prêmio de Poesia Olavo Bilac, outorgado pela Academia Brasileira de Letras, pelo livro Viagem.
Ela foi agraciada com outras premiações como:
- 1962 - Prêmio de Tradução/Teatro, concedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte;
- 1963 – Prêmio Jabuti de Tradução de Obra Literária, pelo livro Poemas de Israel, outorgado pela Câmara Brasileira do Livro;
- 1964 - Prêmio Jabuti de poesia pelo livro Solombra;
- 1965 - Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, homenagem póstuma pelo conjunto de sua obra.
Citações de Cecília Meireles
"O que me encanta é a linha alada das tuas espáduas, e a curva que descreves, pássaro da água!"
"Eu não tinha este rosto de hoje, assim calmo, assim triste, assim magro, nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo."
"Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa. Não sou alegre nem sou triste: sou poeta."
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