Fases da vida de Eça de Queiroz
Eça de Queiroz nasceu em Portugal, no ano de 1845. Seu pai, um brasileiro que vivia em Portugal, chamava-se José Maria Almeida de Teixeira de Queiroz. Sua mãe era uma jovem de 18 anos, D. Carolina Augusta Pereira de Eça. O romance que gerou Eça de Queiroz era proibido pela família materna de D. Carolina. Composta por militares de alta patente. Eles não aceitavam a diferença social entre o casal.
Juventude
Seguindo os passos da família do pai, composta de magistrados perseguidos pelos seus ideais liberais, Eça de Queiroz se formou em direito e conheceu o escritor Antero de Quental. Essa amizade deu ponta pé inicial na sua carreira como jornalista, tendo seus textos publicados na revista “Gazeta de Portugal”.
Com senso crítico aguçado e com amizades como a do escritor Antero, Queiroz passou a exercer a profissão de jornalista, logo depois de se formar em direito, em Lisboa. Chegou a criar uma publicação, a “Revista de Portugal”. Trabalhou também em diferentes periódicos como “Gazeta de Portugal”, “Diário Ilustrado”, “Diário de notícias” e “Correspondência de Portugal”.
Vida adulta
Eça de Queiroz funda o periódico ‘O Distrito de Évora’. Lá ele passa a exercer a função de jornalista como
diretor e redator.
Neste momento exibe para Portugal seu caráter crítico e poder de observação social que possui. Queiroz marca a sociedade apresentando um conjunto de afirmações teóricas, com traços de um jornalismo moderno. Ele publicou neste jornal, no dia 06 de janeiro de 1867:
“É o grande dever do jornalismo fazer conhecer o estado das coisas públicas, ensinar ao povo os seus direitos e as garantias da sua segurança, estar atento às atitudes que toma a política estrangeira, protestar com justa violência contra os actos culposos, frouxos, nocivos, velar pelo poder interior da pátria, pela grandeza moral, intelectual e material em presença de outras nações, pelo progresso que fazem os espíritos, pela conservação da justiça, pelo respeito do direito, da família, do trabalho, pelo melhoramento das classes infelizes.”
A vida amorosa do escritor se estabelece apenas aos 40 anos, quando conhece D. Maria Emília de Castro, uma senhora fidalga onze anos mais nova que ele. Do relacionamento nasceram quatro filhos. O escritor ainda foi cônsul de Portugal em Havana, Newcastle, Bristol e Paris, onde permaneceu até a sua morte em 1900.
Queiroz morreu aos 55 anos, ainda jovem. Não se sabe ao certo qual foi a doença que o levou a morte, mas o fim da sua vida teria sido motivado por um câncer maligno no pâncreas. A doença progrediu rapidamente porque Eça de Queiroz tinha uma vida desregrada: viajava muito, trabalhava muito, fumava, ingeria bebida alcóolica, perdia noite e comia de tudo. Além do estilo de vida que pode ter contribuído para o agravamento, por viver de forma intensa, os amigos e familiares não tinham dimensão da gravidade do que o acometia.
Obras de Eça de Queiroz
Entre as obras mais reconhecidas durante o século XIX escritas por Eça de Queiroz, estão "Os Maias”, “O Crime do Padre Amaro” e “O Primo Basílio”. Apesar de alguns livros trazerem traços ainda do romantismo, a linguagem do escritor era realista, e extremamente crítica a sociedade.
Em Os Maias, considerado o melhor romance português da época, Eça de Queiroz conta a história da família dos Maias, em três gerações: Dom Afonso da Maia grande patriarca, Pedro da Maia que é filho de Afonso, e Carlos da Maia, neto de Afonso.
O objetivo do livro é retratar cenas da vida portuguesa que estava completamente decadente com a fuga da família real. Nessa obra em específico ele censura a cópia de costumes estrangeiros, no sentido de mostrar o quanto a sociedade se esforçava para manter um padrão alto, tentando seguir a tendência de outros países europeus, como a França.
Portugal é exposto como um país atrasado em todos os quesitos. Os desdobramentos das histórias vão mostrando a hipocrisia dos personagens e a decadência do povo.
A história do livro gira em torno dessas três gerações, com foco em Carlos Maia, neto de Dom Afonso. Criado pelo avô com uma educação inglesa, que não tem nenhum tipo de traço religioso católico, ele vira médico. Mais tarde se envolve com uma mulher misteriosa, que já no final da trama se revela como sua própria irmã, da qual foi separado quando crianças.
Publicações mais relevantes de Eça de Queiroz
- O Crime do Padre Amaro , 1876. Segunda edição refundida , 1880.
- O Primo Basílio , 1878.
- O Mandarim , 1880.
- A Relíquia , 1887.
- Os Maias , 1888.
- Uma Campanha Alegre , 1890 e 1891.
- A Ilustre Casa de Ramires , 1900.
- Correspondência de Fradique Mendes , 1900.
- Dicionário de Milagres , 1900.