Carreira Política de Epitácio Pessoa
Firmou
relação com marechal Deodoro da Fonseca e, após a Proclamação da República, foi
convidado pelo governador Venâncio Neiva para ser secretário-geral do primeiro
governo republicano da Paraíba.
Em
setembro de 1890, ocupou uma cadeira na Assembleia Nacional Constituinte. Foi
eleito o deputado federal (1891-1893) mais votado na Paraíba, sendo reeleito em
1894. No entanto, Epitácio Pessoa não teve seu diploma reconhecido pela
Comissão de Verificação de Poderes da Câmara dos Deputados.
Epitácio Pessoa afrontou Floriano Peixoto discursando contra a destituição dos governadores estaduais e condenando o estado de sítio. Floriano procurou então aliar-se a Epitácio oferecendo-lhe diversos cargos políticos, porém não obteve sucesso.
Em 1894, Epitácio Pessoa abandonou a política, por todas as discordâncias com o presidente Floriano Peixoto. No mesmo ano, casou-se com Francisca Chagas e partiram rumo a Europa. Dez meses depois, a mulher faleceu ao dar luz.
Em 1898, após a eleição de Campos Salles, Epitácio Pessoa foi convidado a assumir a pasta da Justiça, que na época cuidava dos serviços de instrução e de saúde pública. Nesse mesmo período, casou-se com Maria da Conceição de Manso Saião.
O percurso de Epitácio Pessoa entre legislação, ensino e diplomacia
Como ministro da justiça, a primeira iniciativa de Epitácio foi a elaboração do Código Civil. Epitácio também promoveu a reforma do ensino secundário e superior, estabelecendo novos sistemas avaliativos, frequência obrigatória e novas penas disciplinares.
Pediu demissão do cargo após Campos Salles se recusar a tomar atitudes mais eficientes contra os estudantes que não concordavam com a reforma estudantil.
Epitácio Pessoa manteve-se por um tempo em um escritório de advocacia no Rio de Janeiro, até ser nomeado ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), em janeiro de 1902. Junto, acumulou o cargo de procurador da República até 1905.
Em junho de 1912, presidiu os trabalhos da reunião da Junta Internacional de Jurisconsultos que buscava analisar os projetos do Código de Direito Internacional Público e Privado. No mesmo ano, foi senador pela Paraíba.
Mais tarde, Epitácio Pessoa ganhou destaque no congresso ao ocupar o cargo de relator da Comissão de Verificação de Poderes. Em 1919, com o fim da Primeira Guerra Mundial, chefiou a delegação do Brasil na Conferência de Paz, em Versalhes.
O Brasil obteve bons resultados na resolução da venda do café brasileiro que estava armazenado em portos europeus e quanto aos 70 navios apreendidos pelo Brasil durante a guerra.
Presidência de Epitácio Pessoa
Epitácio Pessoa foi indicado a candidato nas eleições presidenciais quando representava o Brasil na Conferência de Versalhes. Apoiado por Minas Gerais e por meio de eleição direta, sua vitória foi marcada por simbolismos.
Pela primeira vez um candidato derrotava a política do café-com-leite, onde apenas o Marechal Hermes da Fonseca foi uma exceção, uma década antes. Porém, Epitácio continuava representando uma escolha das oligarquias paulista e mineira.
Epitácio Pessoa assumiu a presidência em 28 de julho de 1919. Durante seu governo se deparou diversos problemas sociais, políticos e econômicos.
Com o fim da guerra, uma nova crise mundial afetou as atividades econômicas e manifestaram-se greves operárias. Os cafeicultores também tentavam impor suas reivindicações.
Após muita pressão, o presidente Epitácio Pessoa interviu no mercado e emitiu papel-moeda, garantiu a recuperação dos preços do café, além de financiar a contenção de café verde nos portos brasileiros.
Crise das cartas falsas
Em
1921, Epitácio Pessoa passou pelo período conhecido como crise das cartas
falsas quando o jornal “Correio da Manhã” publicou cartas supostamente enviadas
por Artur Bernardes a Raul Soares.
Nas
cartas constavam ofensas às Forças Armadas e ao marechal Hermes da Fonseca. Tal
improcedência poderia ocasionar uma crise política pertinente a exigência do
Clube Militar, comandado por Fonseca, que julgou ser autêntica as cartas.
Hermes da Fonseca queria a renúncia da candidatura à presidência de Artur. Através de peritos, Artur conseguiu provar que as cartas eram falsas.
Tenentismo
Com o fechamento do Clube Militar e a prisão de Hermes da Fonseca, em junho de 1922, Epitácio enfrentou a Revolta dos 18 do Forte de Copacabana, liderada por tenentes e militares que buscavam a queda da República Velha e o impedimento da posse de Artur Bernardes.
Foi o primeiro levante tenentista no Brasil. A expectativa era desencadear uma revolução militar, porém só dezessete oficiais optaram por manter a rebelião, além do apoio de um civil, Otávio Correia.
Após um enfrentamento as tropas do governo, dezesseis morreram. Esse fato marcou o início do longo movimento de rebelião que atingiu o país, chamado de tenentismo. Nesse mesmo ano, o ambiente político tornou-se bastante tenso devido a acirrada disputa dos candidatos que concorreriam a sucessão presidencial de Epitácio.
Após
o cumprimento do período presidencial, Epitácio foi eleito ministro da Corte
Permanente de Justiça Internacional de Haia e senador pela Paraíba (1923-1930).
Devido
ao assassinato do sobrinho, que lhe causou forte abalo emocional, Epitácio
Pessoa passou a se afastar da vida pública. Mais tarde, o mal de Parkinson e os
problemas cardíacos afetaram sua saúde.
Faleceu
na cidade de Petrópolis, estado do Rio de Janeiro, em 13 de fevereiro de 1942.
Em 23 de maio de 1965, seus restos mortais, junto com os da esposa, foram
solenemente inumados no "Museu e Cripta de Epitácio Pessoa”.
Principais atos de Epitácio Pessoa como presidente
- Realização de obras contra as secas e construção de diversos açudes no nordeste;
- Comemoração do primeiro Centenário da Independência;
- Construção de mais de 1000 km de ferrovias no sul do Brasil;
- Nomeação de um civil como Ministro da Guerra (o historiador João Pandiá Calógeras).
Curiosidades sobre Epitácio Pessoa
A eleição presidencial de Epitácio Pessoa ocorreu quando ele estava na França, caso único na história da república brasileira. Sua eleição também foi a única na República Velha que não ocorreu na data oficial das eleições presidenciais: 1 de março.
O museu onde o corpo do ex-presidente Epitácio Pessoa foi inumado, permanece aberto para visitação pública.Epitácio Pessoa foi o único paraibano que chegou à Presidência da República. Seu nome batiza ruas, avenidas, praças, represas por todo Brasil.