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Fernando Pessoa

Postado por Samara Rodrigues em 23/09/2025 e atualizado pela última vez em 23/09/2025
Fernando Pessoa foi um poeta, crítico literário e tradutor. Foi um dos mais importantes poetas da língua portuguesa e uma figura de destaque no movimento modernista em Portugal. Destacou-se pela criação de heterónimos, poetas com personalidades próprias que escreveram grande parte de suas poesias.

Fernando Antônio Nogueira Pessoa nasceu em Lisboa, Portugal, no dia 13 de junho de 1888. Era filho de Joaquim de Seabra Pessoa, natural de Lisboa, e de Maria Magdalena Pinheiro Nogueira Pessoa, natural dos Açores.


Um dos mais importantes escritores e poetas português

Aos cinco anos, ficou órfão de pai, vítima de tuberculose. Tal fato, comprometeu as condições financeiras da família, de forma que sua mãe necessitou leiloar parte da mobília e mudar-se para uma casa mais modesta.

Foi neste período que surgiram as primeiras características que fariam parte de toda a vida do artista. Por volta de 1894, Fernando Pessoa cria seu primeiro heterónimo, chamado Chevalier de Pas”. 

Também faz parte desse momento seu primeiro poema, um verso curto com a infantil epígrafe intitulada “À Minha Querida Mamã”.
 
Ó terras de Portugal
Ó terras onde eu nasci
Por muito que goste delas
Ainda gosto mais de ti.


Africa do Sul


Em 1895, sua mãe casa-se novamente com o comandante João Miguel Rosa, que ao ser nomeado cônsul português em Durban, muda-se com a nova família e passam a viver na África do Sul.

Fernando Pessoa recebeu a educação primaria na escola de freiras irlandesas da West Street, onde fez a primeira comunhão, em 1899 ingressou no Liceu de Durban, destacando-se como melhor aluno da turma.

Quando ainda era estudante, Fernando Pessoa criou mais um de seus heterônimos. Sob o pseudónimo Alexander Search, enviava cartas a si mesmo.
Por ter recebido uma educação britânica, Pessoa teve maior familiaridade com o a língua inglesa do que com o português. Manteve contato com autores como ShakespeareEdgar Allan Poe, John Milton, entre outro. Assim, os seus primeiros textos e estudos foram em inglês. 

Carreira Literária de Fernando Pessoa


Em 1905, após um período de mudanças entre Lisboa e a África, Fernando Pessoa regressa definitivamente à capital portuguesa. Dá continuidade à produção de seus poemas e, em 1906, matricula-se na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, mas abandona o curso pouco tempo depois.

Nessa época interessasse pela obra de Cesário Verde e pelos sermões do Padre António Vieira. Devido ao seu conhecimento em língua estrangeira, Pessoa passou a se dedicar à tradução de correspondência comercial.

Além disso, atuou como tradutor de obras inglesas, como "O Corvo" e "Annabel Lee". Em 1912, deu início a atividade de crítico literário com a publicação de artigos na revista “A Águia”

A partir de 1915 fez parte da direção da revista literária “Orpheu”, responsável por lançar o modernismo em Portugal. Juntamente com Mário de Sá-Carneiro, defendeu a liberdade de expressão, em uma época em que Portugal atravessava uma instabilidade político-social da primeira república, gerando alvoroço e controvérsia. 

A revista teve vida curta, mas enquanto durou, Fernando Pessoa publicou em seu nome, bem como pelo seu heterónimo Álvaro de Campos, poemas que escandalizaram a sociedade conservadora da época.

Posteriormente o poeta passou a colaborar em outras revistas, como a “Centauro”, a “Athenas”, onde fixou seus heterónimos, publicando poesias de Ricardo Reis, Álvaro de Campos e Alberto Caeiro, a “Contemporânea” e a “Presença”. 

Na altura em que fez parte da “Revista Presença”, seu nome já era considerado como de um mestre. Além das representações poéticas dos heterônimos, há os poemas ortónimos de Fernando Pessoa.

Entre suas diversas obras, destaca-se o poema “Autopsicografia” que enunciam o mistério da criação poética que ele próprio sentiu.

Autopsicografia
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que leem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

Morte de Fernando Pessoa 


No dia 29 de novembro de 1935, o escritor foi internado no Hospital de São Luís dos Franceses, em Lisboa, com diagnóstico de cólica hepática, causada pelo excessivo consumo de álcool ao longo da sua vida. 

Fernando Pessoa faleceu no dia 30 de novembro do mesmo ano, aos 47 anos, vítima de cirrose hepática. No dia anterior a sua morte, escreveu sua última frase, "I know not what tomorrow will bring" ("Não sei o que o amanhã trará").

Principais obras de Fenando Pessoa 


A maior parte das obras de Fernando Pessoa só foram publicadas após sua morte. A obra “Mensagem” (1934), é o seu único livro publicado em vida. Nele, o poeta faz uma réplica de “Os Lusíadas” a partir de uma perspectiva nacionalista mística.

Com essa obra, Pessoa se candidatou ao “Prémio Antero de Quental” na categoria poema e poesia, do Secretariado Nacional de Informações de Lisboa, o qual conquistou o segundo lugar.

Além de “Mensagem”, as únicas publicações em vida do autor são as coletâneas de seus poemas ingleses, editados em Lisboa, em 1918 e 1921. São eles: 

Antinous;
35 Sonnets e;
English Poems, I, II e III.

Algumas obras Póstumas de Fernando Pessoa 


Poesias de Fernando Pessoa (1942);
Poesias de Álvaro de Campos (1944);
A Nova Poesia Portuguesa (1944);
Poesias de Alberto Caeiro (1946);
Odes de Ricardo Reis (1946);
Poemas Dramáticos (1952);
Cartas de Amor de Fernando Pessoa (1978);
Textos de Crítica e de Intervenção (1980);
Carta de Fernando Pessoa a João Gaspar Simões (1982);
Cartas de Fernando Pessoa a Armando Cortes Rodrigues (1985);
Obra Poética de Fernando Pessoa (1986);
O Guardador de Rebanhos de Alberto Caeiro (1986);
Primeiro Fausto (1986).

Heterônimos de Fernando Pessoa


Considera-se que a grande criação estética de Fernando Pessoa foi a invenção heteronímica, assim o escritor foi vários poetas ao mesmo tempo. Os heterónimos são autores fictícios que possuem personalidades como se fossem pessoas reais.

Através deles, Pessoa conduziu uma profunda reflexão sobre a relação entre verdade, existência e identidade. Os três heterónimos mais conhecidos e com maior obra poética, foram:

Ricardo Reis
Um médico nascido em Portugal que se definia como latinista e monárquico, exilando-se no Brasil em protesto à proclamação da República em Portugal. Simboliza a herança clássica na literatura ocidental, expressa na simetria, na harmonia e no bucolismo, com elementos epicuristas e estoicos. A obra de Reis é a ode clássica, composta dos princípios aristocráticos.

Alberto Caeiro
Nascido em Lisboa e criado no campo, não teve muitos estudos formais. Rejeitava o título de poeta-filósofo, possuía uma linguagem direta e simples, mas bastante completa do ponto de vista reflexivo. O poeta reduz tudo à objetividade, sem a mediação do pensamento, seu ideário resume-se no verso "Há metafísica bastante em não pensar em nada".

Álvaro de Campos
O mais importante heterônimo de Fernando Pessoa se trata de um engenheiro de origem portuguesa que recebeu educação inglesa. Sua trajetória começa como um decadentista, influenciado pelo simbolismo, mas que logo adere ao futurismo. 

De temperamento revoltado e crítico, suas obras reproduzem seu pessimismo e inconformismo, manifestados através de uma verdadeira revolução poética. Entre seus escritos, estão “Ode Triunfal”, “Ode Marítima” e “Tabacaria”.

Além desses heterônimos, Pessoa também criou um semi-heterônimo chamado Bernardo Soares. Nele o poeta projetou algumas de suas próprias características. Bernardo é autor e personagem do "Livro do Desassossego", considerado uma das obras fundadoras da ficção portuguesa no século XX.

Curiosidades sobre Fernando Pessoa 


A escolha do nome de Fernando Pessoa homenageia Santo António, seu nome de batismo é Fernando de Bulhões. Além disso, é tradicionalmente festejado em Lisboa no dia 13 de junho, dia em que o escritor nasceu.

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