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Gil Vicente

Postado por Adriele Oliveira em 12/09/2025 e atualizado pela última vez em 12/09/2025
Gil Vicente, além de ser poeta e dramaturgo, é considerado pelos estudiosos e críticos como o pai do teatro português por ter sido o pioneiro na implantação em Portugal. No humanismo literário, ele também era conhecido como a figura de maior relevância para o país, tendo uma fantástica contribuição.

Dentro das suas colaborações, não somente foi um dos personagens que mais representou o teatro popular português, como também fez a construção de diversos autos.

Gil Vicente


Nasceu em Portugal, na cidade de Guimarães, em 1465 e estudou em Salamanca, na Universidade EspanholaSua primeira esposa foi Branca Bezerra, a mulher com quem teve dois filhos, e após a morte dela, teve Melícia Rodrigues como esposa, com quem teve mais três filhos.

O primeiro trabalho que desenvolveu foi o Auto da Visitação, que também pode ser denominado de Monólogo do Vaqueiro. Esse pioneiro foi exibido para o rei Dom Manuel e para sua esposa, a rainha Dona Maria, em 1502, durante a celebração do nascimento do filho deles, o futuro D. João III. 

A partir dos anos seguintes, ele promoveu várias festas e celebrações e afins da realeza para que pudesse aproveitar da ocasião e apresentar os textos que havia criado.

Tendo ganhado muito respaldo com relação ao público e a corte portuguesa, Gil Vicente começa a ter reconhecimento pelos trabalhos criados e começa a desenvolver mais peças teatrais.

No ano de 1511, ele é escolhido e nomeado como vassalo do rei e logo em seguida, em 1513, ele se torna o mestre da moeda. Gil Vicente veio a óbito em 1536 e o local até hoje é desconhecido. 

Gil Vicente foi um poeta e dramaturgo português. (Foto: gerada por IA)

Obras de Gil Vicente


Os autos de Gil Vicente que são mais conhecidos são o “Auto da Barca do Inferno” e a “Farsa da Inês Pereira”, o primeiro simboliza primeira parte da “trilogia das barcas” e vem seguindo de “Barca do Purgatório” e a “Barca da Glória”, já o segundo está ligado com insistência de uma mãe para que a sua filha se case logo com Lianor Vaz.

A seguir, seguem algumas outras obras que foram criadas por Gil e são consideradas como destaques:

  • Auto de Mofina Mendes, 1534 
  • Auto Pastoril Português, 1523
  • Auto da Feira, 1527
  • Auto da Alma, 1508 
  • Auto da Barca do Inferno, 1516
  • Auto da Barca do Purgatório, 1518
  • Auto da Barca da Glória, 1519
  • Auto da História de Deus, 1527
  • Auto da Cananea, 1534
  • Auto de São Martinho, 1504
  • Comédia de Rubena, 1521
  • Comédia do Viúvo, 1514 
  • Comédia sobre a Divisa da Cidade de Coimbra, 1527
  • Floresta de Enganos, 1536
  • Auto de Amadis de Gaula, 1533
  • Auto da Nau de Amores, 1527
  • Frágua de Amor, 1524
  • Exortação da Guerra, 1513
  • Farsa do Templo de Apolo, 1526
  • Cortes de Júpiter, 1521
  • Tragicomédia Pastoril da Serra da Estrela, 1527
  • Auto do Triunfo do Inverno, 1529
  • Romagem dos Agravados, 1533
  • Farsa de Inês Pereira, 1523 
  • Farsa do Juiz da Beira, 1525
  • Farsa das Ciganas, 1521
  • Farsa dos Almocreves, 1527
  • Farsa do Clérigo da Beira, 1529
  • Auto da Lusitânia, 1532

As obras que produziu tinham o seguimento vindo do teatro ibérico popular e religioso que já era praticado antigamente, mesmo que tenha sido de uma forma bem menor.

O seu filho, Luis Vicente, ao fazer um apanhado de todas as obras existentes de Gil Vicente, fez uma classificação entre elas, separando-as. Os autos e mistérios foram enquadrados como os de caráter sagrado e devocional, já as farsas, comédias e tragicomédias foram separadas como as que contém caráter profano.

Gil é até hoje considerado como um dos mais relevantes autores brasileiros produtores de sátirasNas 44 peças que construiu, Gil Vicente utilizou de marinheiros, ciganos, camponeses, fadas e demônios de referência e em todas as obras, ele sempre deixava prevalecer a linguagem que o personagem já possuía.

Abaixo, segue o trecho de mais uma obra de Gil Vicente, intitulada de Auto do pastoril português:

"Quem é a desposada?
A Virgem Sagrada.
Quem é a que parira?
A Virgem Maria.
Em Belém, cidade
muito pequenina,
vi ua desposada
e Virgem parida.

Em Belém, cidade
muito pequenina,
vi ua desposada
e Virgem parida.
Quem é a desposada?
A Virgem Sagrada.
Quem é a que parira?
A Virgem Maria.

Sua pobre casa
toda reluzia
os anjos cantavam
o mundo dizia.
Quem é a desposada?
A Virgem Sagrada.
Quem é a que parira?
A Virgem Maria"

Teatro Vicentino


As obras de teatro que foram criadas por Gil Vicente, são chamadas de teatro vicentino por terem sido produzidas pelo dramaturgo entre os anos de 1434 a 1527, no período que foi chamado de Humanismo.

Iniciou-se em 1502 a partir do monólogo do vaqueiro, também conhecido como Auto da Visitação, que como dito, foi um dos seus maiores sucessos.
Suas apresentações sempre tinham um teor satírico e por isso vale lembrar uma frase que ele sempre utilizava e já era sua marca registrada: “Rindo se castigam os costumes.”

Também teve como um dos seus principais trabalhos, o Auto da Barca do Inferno,  acompanhe abaixo um trecho dele:

“DIABO À barca, à barca, houlá!
que temos gentil maré!
- Ora venha o carro a ré!
COMPANHEIRO Feito, feito!
Bem está!
Vai tu muitieramá,
e atesa aquele palanco
e despeja aquele banco,
pera a gente que virá.
À barca, à barca, hu-u!
Asinha, que se quer ir!”

Veja a seguir, algumas características do teatro de Gil Vicente:

  • Possuíam temas campestres, ligados ao cotidiano, profanos e também religiosos.
  • Essas obras de Gil Vicente tinham sempre a presença de humor e de comédia.
  • Mesmo com um caráter satírico, ele sempre colocava o assunto de forma moralizante.
  • Existia a presença de elementos alegóricos e místicos.
  • Era sempre explícito o perfil psicológico que tinham as personagens, bem como as que eram caricaturadas e também alegóricas.
  • Dos temas que eram discutidos, existiam aqueles que tratavam também sobre a presença da cultura popular.
  • Tinha influência do antropocentrismo e também tinha o contexto do renascimento envolvido.
  • As obras eram de caráter social e sempre expressavam alguma crítica social.

Capa de “Auto da Barca do Inferno” de Gil Vicente (Foto: gerada por IA ) 


Ocupação: Poeta e Dramaturgo
Local de nascimento: Guimarães, Portugal
Data de Nascimento: 1465
Local de Falecimento: Évora, Portugal
Data de Falecimento: 1536
Reconhecido Por: Auto da visitação, Auto da Barca do Inferno e Farsa de Inês Pereira.

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