Obras de Gil Vicente
Os autos de Gil Vicente que são mais conhecidos são o “Auto da Barca do Inferno” e a “Farsa da Inês Pereira”, o primeiro simboliza primeira parte da “trilogia das barcas” e vem seguindo de “Barca do Purgatório” e a “Barca da Glória”, já o segundo está ligado com insistência de uma mãe para que a sua filha se case logo com Lianor Vaz.
A seguir, seguem algumas outras obras que foram criadas por Gil e são consideradas como destaques:
- Auto de Mofina Mendes, 1534
- Auto Pastoril Português, 1523
- Auto da Feira, 1527
- Auto da Alma, 1508
- Auto da Barca do Inferno, 1516
- Auto da Barca do Purgatório, 1518
- Auto da Barca da Glória, 1519
- Auto da História de Deus, 1527
- Auto da Cananea, 1534
- Auto de São Martinho, 1504
- Comédia de Rubena, 1521
- Comédia do Viúvo, 1514
- Comédia sobre a Divisa da Cidade de Coimbra, 1527
- Floresta de Enganos, 1536
- Auto de Amadis de Gaula, 1533
- Auto da Nau de Amores, 1527
- Frágua de Amor, 1524
- Exortação da Guerra, 1513
- Farsa do Templo de Apolo, 1526
- Cortes de Júpiter, 1521
- Tragicomédia Pastoril da Serra da Estrela, 1527
- Auto do Triunfo do Inverno, 1529
- Romagem dos Agravados, 1533
- Farsa de Inês Pereira, 1523
- Farsa do Juiz da Beira, 1525
- Farsa das Ciganas, 1521
- Farsa dos Almocreves, 1527
- Farsa do Clérigo da Beira, 1529
- Auto da Lusitânia, 1532
As obras que produziu tinham o seguimento vindo do teatro ibérico popular e religioso que já era praticado antigamente, mesmo que tenha sido de uma forma bem menor.
O seu filho, Luis Vicente, ao fazer um apanhado de todas as obras existentes de Gil Vicente, fez uma classificação entre elas, separando-as. Os autos e mistérios foram enquadrados como os de caráter sagrado e devocional, já as farsas, comédias e tragicomédias foram separadas como as que contém caráter profano.
Gil é até hoje considerado como um dos mais relevantes autores brasileiros produtores de sátiras. Nas 44 peças que construiu, Gil Vicente utilizou de marinheiros, ciganos, camponeses, fadas e demônios de referência e em todas as obras, ele sempre deixava prevalecer a linguagem que o personagem já possuía.
Abaixo, segue o trecho de mais uma obra de Gil Vicente, intitulada de Auto do pastoril português:
"Quem é a desposada?
A Virgem Sagrada.
Quem é a que parira?
A Virgem Maria.
Em Belém, cidade
muito pequenina,
vi ua desposada
e Virgem parida.
Em Belém, cidade
muito pequenina,
vi ua desposada
e Virgem parida.
Quem é a desposada?
A Virgem Sagrada.
Quem é a que parira?
A Virgem Maria.
Sua pobre casa
toda reluzia
os anjos cantavam
o mundo dizia.
Quem é a desposada?
A Virgem Sagrada.
Quem é a que parira?
A Virgem Maria"
Teatro Vicentino
As obras de teatro que foram criadas por Gil Vicente, são chamadas de teatro vicentino por terem sido produzidas pelo dramaturgo entre os anos de 1434 a 1527, no período que foi chamado de Humanismo.
Iniciou-se em 1502 a partir do monólogo do vaqueiro, também conhecido como Auto da Visitação, que como dito, foi um dos seus maiores sucessos.
Suas apresentações sempre tinham um teor satírico e por isso vale lembrar uma frase que ele sempre utilizava e já era sua marca registrada: “Rindo se castigam os costumes.”
Também teve como um dos seus principais trabalhos, o Auto da Barca do Inferno, acompanhe abaixo um trecho dele:
“DIABO À barca, à barca, houlá!
que temos gentil maré!
- Ora venha o carro a ré!
COMPANHEIRO Feito, feito!
Bem está!
Vai tu muitieramá,
e atesa aquele palanco
e despeja aquele banco,
pera a gente que virá.
À barca, à barca, hu-u!
Asinha, que se quer ir!”
Veja a seguir, algumas características do teatro de Gil Vicente:
- Possuíam temas campestres, ligados ao cotidiano, profanos e também religiosos.
- Essas obras de Gil Vicente tinham sempre a presença de humor e de comédia.
- Mesmo com um caráter satírico, ele sempre colocava o assunto de forma moralizante.
- Existia a presença de elementos alegóricos e místicos.
- Era sempre explícito o perfil psicológico que tinham as personagens, bem como as que eram caricaturadas e também alegóricas.
- Dos temas que eram discutidos, existiam aqueles que tratavam também sobre a presença da cultura popular.
- Tinha influência do antropocentrismo e também tinha o contexto do renascimento envolvido.
- As obras eram de caráter social e sempre expressavam alguma crítica social.
Capa de “Auto da Barca do Inferno” de Gil Vicente (Foto: gerada por IA )
Ocupação: Poeta e Dramaturgo
Local de nascimento: Guimarães, Portugal
Data de Nascimento: 1465
Local de Falecimento: Évora, Portugal
Data de Falecimento: 1536
Reconhecido Por: Auto da visitação, Auto da Barca do Inferno e Farsa de Inês Pereira.
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