Jânio Quadros (1917-1992) foi um advogado, professor e político brasileiro. Elegeu-se como o 22º presidente da República em 1961, com recorde de votos, contudo só governou o país por alguns meses.
Jânio da Silva Quadrosnasceu no dia 25 de janeiro de 1917 na cidade de Campo Grande, estado do Mato Grosso do Sul. Cursou o ensino primário em escolas estaduais de Curitiba, concluindo a educação básica em São Paulo.
Aos 18 anos ingressou na Faculdade de Direito de São Paulo, tornando-se bacharel em Direito em 1939. Após a graduação, Jânio Quadros atuou como professor de geografia para o colegial e lecionou direito processual penal na Universidade Mackenzie. Jânio Quadros iniciou na carreira política em 1947, quando candidatou-se a vereador de São Paulo pelo Partido Democrata Cristão (PDC), entretanto não recebeu votos suficientes.
Jânio Quadros foi o 22º presidente da República
Vida política de Jânio Quadros
Somente após a cassação de mandatos do Partido Comunista do Brasil (PCB), que Jânio Quadros assumiu o posto como suplente de vereador até 1950. Nesse período, destacou-se por ser o maior autor de proposições e projetos de leis do país. Jânio também esteve a favor da classe trabalhadora, assinando grande parte das propostas e projetos considerados favoráveis à classe proletária.
Posteriormente ocupou os cargos de Deputado Estadual (1951-1953), o mais votado e líder de sua bancada, e prefeito de São Paulo (1953-1954). Entre 1955 e 1959 elegeu-se governador do estado de São Paulo. Jânio Quadros procurou executar ações que passassem uma imagem de moralização do serviço público e de combate à corrupção.
Durante seu mandato realizava visitas surpresa às repartições públicas para verificar a qualidade dos serviços prestados à população. Jânio Quadros aproximou sua gestão da presidência de Café Filho, executando uma recuperação econômica em São Paulo.
Também buscou destaque na criação de novos serviços e órgãos. Uma das grandes construções de Jânio, enquanto governador do estado paulista, foi a criação do Complexo Penitenciário do Carandiru. O desenvolvimento do Estado durante sua administração, mais os benefícios gerado pelo Plano de Metas de Juscelino Kubitschek, gerou grande popularidade entre Jânio Quadros e os paulistas, favorecendo sua futura candidatura à presidência do Brasil.
Em 1958 elegeu-se deputado federal pelo estado do Paraná na legenda do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Nesse período, Jânio Quadros viajou para o exterior e não participou de nenhuma das sessões do Congresso. Jânio Quadros tinha um estilo político exibicionista, dramático e demagógico, conquistou seu eleitorado espalhando a sua intenção de varrer toda a sujeira da administração pública.
Período presidencial Jânio Quadros
Jânio Quadros foi eleito presidente da República em 3 de outubro de 1960, com o apoio da União Democrática Nacional (UDN). Tinha como vice, o candidato da oposição, João Goulart. Jânio obteve a maior votação obtida até então nas eleições presidenciais do Brasil, cerca de 5,6 milhões de votos, vencendo o marechal Henrique Lott de forma esmagadora.
Muitos se perguntaram o motivo do sucesso da carreira política, em menos de quinze anos, de Jânio Quadros. Teoricamente, ele não tinha nenhum atributo espetacular em comparação aos seus antecessores. Para o escritor Hélio Silva, autor do livro “A Renúncia”, Jânio trazia em si e em sua mensagem, algo que tinha que se realizar. E que excedia, até mesmo excedeu, sua capacidade de realização.
Jânio assumiu a República em um período de crise após o governo de Juscelino Kubitschek que deixou o país com a economia desestruturada, a inflação e o dívida externa maior. Jânio Quadros representava a promessa, e realização, do desejo do povo. Apesar, de ser considerado um conservador, Jânio tinha um programa de governo revolucionário que iniciaria uma nova fase de progresso, sem inflação, em plena democracia.
Com o Programa Anti-inflacionário, o presidente Jânio Quadros pretendia realizar uma reforma no sistema cambial, gerando a desvalorização do cruzeiro e a redução dos financiamento das importações de produtos como trigo e gasolina. Aprovado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), o programa possibilitou que o governo brasileiro renegociasse as dívidas externas, contudo isso gerou um alto custo para a população, como o congelamento de salário, elevação do preço do pão e do transporte.
Entre reformas e polêmicas: o legado de Jânio Quadros
Apesar do curto governo, que só duro sete meses, Jânio traçou novos rumo políticos, econômicos e sociais no Brasil. Entre suas realizações estão:
• Restabeleceu relações diplomáticas e comerciais com a URSS e a China;
• Criou as primeiras reservas indígenas, dentre elas o Parque Nacional do Xingu, e os primeiros parques ecológicos nacionais;
• Acabou com subsídios ao câmbio que beneficiavam determinados grupos econômicos importadores às custas dos recursos financeiros públicos;
• Enxugou os gastos públicos e abriu centenas de inquéritos e sindicâncias em um combate à corrupção e ao desregramento na administração pública;
• Enviou ao Congresso os projetos de lei antitruste, que garantia a liberdade do comércio e sua livre concorrência empresarial, e a pioneira proposta de lei de reforma agrária;
• Criou a Comissão Nacional de Planejamento e a preparação do Primeiro Plano Qüinquenal, que substituiria o Plano de Metas estabelecido na administração Kubitschek.
Outras leis editadas por pelo presidente Jânio, algumas que vigoram até hoje, foram:
• A proibição do uso de biquíni na transmissão televisada dos concursos de miss;
• Proibição das rinhas de galo;
• Proibição do uso de lança-perfume em bailes de carnaval e;
• Regulamentação do jogo de carteado.
Che Guevara, militares e a carta de renúncia de Jânio Quadros
Uma das ações mais polemicas de Jânio Quadros foi a condecoração do ministro da Economia cubano Ernesto Che Guevara com a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, a mais alta condecoração do governo brasileiro.O gesto repercutiu negativamente e provocou críticas por parte da direita brasileira, principalmente entre os conservadores militares e civis, sucedendo na queda da popularidade do presidente.
Após assinar uma resolução que anulava as autorizações ilegais concedidas a favor da empresa Hanna e restituir as jazidas de ferro de Minas Gerais à reserva nacional, os ministros militares pressionaram Jânio Quadros a renunciar.
Assim como no governo Getúlio Vargas, Carlos Lacerda se colocou como porta-voz da campanha contra o presidente. No dia 25 de agosto de 1961, surpreendendo toda nação, Jânio Quadros entregou ao ministro da Justiça sua carta renúncia. Ao Congresso Nacional. ''Nesta data, e por este instrumento, deixando com o Ministro da Justiça, as razões de meu ato, renuncio ao mandato de Presidente da República. Brasília, 25.8.61''
Vida pós presidência
No ano seguinte a sua renúncia, Jânio candidatou-se ao governo do estado de São Paulo, contudo foi derrotado por Ademar de Barros. Por circunstância do golpe de 1964, teve seus direitos políticos cassados junto a João Goulart e Juscelino Kubitschek.Desta forma, voltou a se dedicar a seu trabalho de advogado e professor. Após realizar algumas declarações à imprensa, em 1968, o ex-presidente foi detido pelo Exército Brasileiro e confinado na cidade de Corumbá-MS.
Anistiado, candidatou-se novamente ao governo de São Paulo no ano de 1982, mas não obteve sucesso. Três anos depois foi eleito prefeito da capital paulista pelo PTB. Com a saúde fragilizada, Jânio não teve condições de participar das eleições presidenciais em 1989. No mesmo ano anunciou sua aposentadoria definitiva da vida política. Jânio Quadros morreu em 16 de fevereiro de 1992, aos 72, em estado vegetativo, vítima de três derrames cerebrais.
Carta de renúncia Jânio Quadros
Fui vencido pela reação e, assim, deixo o Governo. Nestes sete meses, cumpri meu dever. Tenho-o cumprido, dia e noite, trabalhando infatigavelmente, sem prevenções nem rancores. Mas, baldaram-se os meus esforços para conduzir esta Nação pelo caminho de sua verdadeira libertação política e econômica, o único que possibilitaria o progresso efetivo e a justiça social, a que tem direito o seu generoso povo.
Desejei um Brasil para os brasileiros, afrontando, nesse sonho, a corrupção, a mentira e a covardia que subordinam os interesses gerais aos apetites e às ambições de grupos ou indivíduos, inclusive, do exterior. Forças terríveis levantam-se contra mim, e me intrigam ou infamam, até com a desculpa da colaboração. Se permanecesse, não manteria a confiança e a tranquilidade, ora quebradas, e indispensáveis ao exercício da minha autoridade.
Creio mesmo, que não manteria a própria paz pública. Encerro, assim, com o pensamento voltado para a nossa gente, para os estudantes e para os operários, para a grande família do País, esta página de minha vida e da vida nacional. A mim, não falta a coragem da renúncia.Saio com um agradecimento, e um apelo. O agradecimento, é aos companheiros que, comigo, lutaram e me sustentaram, dentro e fora do Governo e, de forma especial, às Forças Armadas, cuja conduta exemplar, em todos os instantes, proclamo nesta oportunidade.
O apelo, é no sentido da ordem, do congraçamento, do respeito e da estima de cada um dos meus patrícios para todos; de todos para cada um.Somente, assim, seremos dignos deste País, e do Mundo.Somente, assim, seremos dignos da nossa herança e da nossa predestinação cristã. Retorno, agora, a meu trabalho de advogado e professor. Trabalhemos todos. Há muitas formas de servir nossa pátria.Brasília, 25-8-61.
Curiosidades sobre Jânio Quadros
O slogan da campanha de Jânio Quadros era “varre, varre, vassourinha, varre, varre a bandalheira”; Jânio deixou mais de 66 imóveis para seus herdeiros sendo denunciado como corrupto pela filha. Em 2009, durante a Operação Castelo de Areia, a Polícia Federal revelou que Jânio tinha 20 milhões de reais depositados em uma conta secreta na Suíça.
- Ocupação: Advogado e político
- Local de nascimento: Campo Grande, Mato Grosso do Sul
- Data de nascimento: 25 de janeiro de 1917
- Local de falecimento: São Paulo, São Paulo
- Data de falecimento: 16 de fevereiro de 1992
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