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Machado de Assis

Postado por Samara Rodrigues em 23/09/2025 e atualizado pela última vez em 23/09/2025

Machado de Assis foi um escritor brasileiro, considerado um dos maiores e mais influentes nomes da literatura brasileira. Escreveu em diversos gêneros literários, sendo poeta, romancista, cronista, dramaturgo, contista, folhetinista, jornalista e crítico literário.


Joaquim Maria Machado de Assis nasceu no dia 21 de junho de 1839 no Morro do Livramento, no Rio de Janeiro. De família pobre, estudou em escolas públicas e não chegou a frequentar uma universidade. Tinha a saúde frágil e sofria de epilepsia.


Machado de Assis ficou órfão de mãe e pai ainda criança, sendo criado pela madrasta, Maria Inês. Nesse período, Assis ajudava a mulher com a venda de doces caseiros, a única fonte de renda da família.


Mesmo enfrentando dificuldades, Machado de Assis não abandonou a escola. Era autodidata e se dedicava a aprender francês com um padeiro imigrante. 



Machado é autor de grandes clássicos, como Dom Casmurro e Quincas Borba



Início da carreira de Machado de Assis


Em 1854, Machado de Assis publicou no “Periódico dos Pobres” seu primeiro soneto dedicado à “Ilustríssima Senhora D.P.J.A”, assinando como “J. M. M. Assis”. 


No ano seguinte, publicou os poemas "Ela" e "A Palmeira" na “Marmota Fluminense”, revista bimensal de Francisco de Paula Brito. Aos 17 anos, Machado de Assis foi contratado como aprendiz de tipógrafo e revisor de imprensa na Imprensa Nacional. Nesse período foi orientado pelo escritor Manuel Antônio de Almeida, autor de Memórias de um Sargento de Milícias, que foi um grande incentivador da carreira literária de Machado de Assis.


Posteriormente, Machado trabalhou na Imprensa Oficial e colaborou para o importante jornal da época “Correio Mercantil”, escrevendo crônicas e revisando textos. Passou a frequentar teatros e inserir-se em outros meios artísticos. 


Aos 21 anos, Machado de Assis já era uma figura reconhecida nas rodas intelectuais cariocas. Foi convidado por Quintino Bocaiúva para trabalhar como repórter e jornalista do “Diário do Rio de Janeiro” (1860-1867), no qual foi posteriormente nomeado diretor-assistente por D. Pedro II.


Em 1861, Machado de Assis publicou o primeiro livro. “Queda que as mulheres têm para os tolos” é um ensaio satírico de autoria do escritor e advogado belga Victor Hénaux traduzido pelo brasileiro. Em 1864 publicou sua primeira coletânea de poesias, chamada de “Crisálidas” e dedicada a seu pai. Assis também colaborou para o “Jornal das Famílias”, assinando sob pseudônimos.


Com o crescimento do Partido Liberal no Brasil, Machado de Assis lançou seu nome na política por acreditar que receberia um cargo público que melhoraria sua qualidade de vida. Contudo, desistiu da ideia por querer comprometer sua vida somente às letras. Nesse período, Machado de Assis já era amigo de José de Alencar, que lhe ensinou um pouco de língua inglesa


Os direitos autorais de suas publicações, acrescido da promoção que recebera da Princesa Isabel em 7 de dezembro de 1876 como chefe de seção, possibilitaram que o escritor deixasse o morro subúrbio para viver no centro da cidade. 


Casamento de Machado de Assis


Carolina Augusta Xavier de Novais, uma portuguesa de boa família, era irmã de um dos amigos de Machado de Assis. Os dois se conheceram quando Carolina foi passar uma temporada no Rio de Janeiro. 

O relacionamento entre Carolina e Machado não era aceito pela família da moça, pois não concordavam que ela se envolvesse com um mulato, além do fato dela ser mais velha que ele.

Contudo, em 12 de novembro de 1869, Machado de Assis casou-se com Carolina Augusta Xavier de Novais, a quem apelidou de “Carola”. Assim como o marido, Carolina era extremamente culta, e contribuiu para o amadurecimento intelectual de Machado.

Carola apresentou a Machado os grandes clássicos portugueses, também corrigia os textos do marido, tendo certa influência na forma de escrita e na transição da narrativa convencional à realista do escritor brasileiro. O casal não teve filhos e permaneceram juntos por trinta e cinco anos.

Academia Brasileira de Letras


Machado de Assis foi um entusiasta e apoiador do grupo que idealizou e fundou, em 1897, a Academia Brasileira de Letras, com o intuito de cultuar a cultura brasileira e, principalmente, a literatura nacionalPor unanimidade, Machado de Assis foi eleito primeiro presidente da Academia e escolheu o escritor e amigo José de Alencar como patrono da cadeira de nº 23.

Morte de Machado de Assis


Em 1904, com a morte de sua esposa, Machado de Assis permaneceu cada vez mais recluso e piorando gradualmente o estado de sua saúde. Mesmo abalado, Assis ainda continuava lendo, estudando, escrevendo e participando das rodas sociais.

Algumas obras do autor foram produzidas durante esse período, como “Esaú e Jacó” (1904), “Relíquias da Casa Velha” (1906) e “Memorial de Aires” (1908). 

Em julho de 1908, tirou licença do Ministério da Viação para tratar da saúde e não retornou mais as atividades. Machado de Assis faleceu em 29 de setembro de 1908 aos sessenta e nove anos de idade e a  causa da sua morte foi uma lesão neoplásica em sua língua (câncer)

O escritor foi enterrado no Cemitério São João Batista na sepultura da esposa Carolina. Em 21 de abril de 1999, os restos mortais do casal foram transladados para o Mausoléu da Academia Brasileira de Letras.

Principais obras de Machado de Assis


Machado de Assis é um dos principais nomes da literatura brasileira. Apesar de mais de um século de sua morte, suas obras permanecem sendo referência e conferindo-o o título de um dos escritores mais lidos e mais populares do Brasil.

Original, Machado de Assis utilizava os eventos de sua época e as condições humana para abordas as diversas temáticas presentes em suas obras. Apesar de Machado não ter alcançado o reconhecimento internacional em vida, suas obras têm sido traduzidas para o inglês, o francês, o espanhol e o alemão.

Estudiosos afirmam que as obras de Machado de Assis podem ser classificados em duas fases. A primeira ligada à última geração do romantismo, convencional na época, e a outra mais realista.

Os romances machadianos da primeira fase são:

  • Ressurreição (1872);
  • A Mão e a Luva (1874);
  • Helena (1876);
  • Iaiá Garcia (1878);
  • As demais obras da sua carreira já são consideras pertencentes a um Realismo heterodoxo próprio do Machado de Assis, como:
  • Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881);
  • Quincas Borba (1891);
  • Dom Casmurro (1899);
  • Esaú e Jacó (1904);
  • Memorial de Aires (1908).

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