Governo de Marechal Hermes
da Fonseca
Fundador do
Partido Republicano Conservador (PRC), Marechal Hermes da Fonseca foi indicado para a eleição presidencial.
Venceu com o apoio do então presidente Nilo Peçanha e dos conservadores.
Sua eleição demonstrou
a falta de acordo entre as lideranças, já que o país se dividiu, criando um
clima de disputa entre civilistas e hermistas. Em
15 de novembro de 1910, tomou posse do cargo e já enfrentou a Revolta da Chibata, um movimento dos
negros que faziam parte da Marinha Nacional, contra os tratamentos abusivos
recebidos pelos oficiais que os castigavam com chibata, como forma de punição.
Após
o levante do segundo motim, Marechal Hermes da Fonseca ordenou um bombardeio aos
portos e colocou o país em estado de sítio. Tal ordem resultou em mais de mil
marinheiros expulsos e centenas de presos e mortos. A
popularidade que Marechal Hermes da Fonseca havia conquistado quando eleito
ficou bastante abalada após o conflito, que logo foi seguido por outro.
Marechal Hermes da Fonseca: Conflitos, Política e Vida Pessoal (1910-1923)
Em outubro de 1912, ocorreu a Guerra do Contestado, um conflito armado entre a população cabocla e o poder estadual e federal. No primeiro conflito entre os protestantes e as tropas do governo do Paraná, na cidade de Irani, vinte e três sertanejos foram mortos, entre eles, o beato José Maria, líder do movimento que pretendia fundar uma "monarquia celestial" na região.
Essa rebelião só chegou ao fim em 1915, já no governo de Venceslau Brás. Em março de 1913, eclodiu à manifestação de cerca de dez mil pessoas contra uma nova lei que determinava a expulsão de estrangeiros envolvidos em greves no Brasil. A pedido do presidente, foi decretado estado de sítio na capital federal para controlar os movimentos.
No mesmo ano, também foi decretado estado de sítio no Ceará, consequente da revolução em Juazeiro do Norte. A partir daí que se formou a aliança entre o padre Cícero e os opositores ao governo de Franco Rabelo, indicado pelo governo federal. Durante seu governo, Marechal Hermes da Fonseca retomou o planejamento administrativo dos seus antecedentes. Realizou uma nova renegociação das dívidas externa brasileira, com um segundo Funding Loan, em 1914.
Internamente continuou com os projetos para construção de ferrovias e de escolas técnico-profissionais. Concluiu as reformas e obras da Vila Militar e do Hospital Central do Exército (HCE). Contudo, não conseguiu progredir com a “Política das Salvações”, criada para conter um surto militarista que dominava as regiões Norte e Nordeste com o intuito de derrubar as oligarquias.
No dia 8 de dezembro de 1913, casou-se com a caricaturista Nair de Tefé von Hoonholtz, no Palácio Rio Negro, em Petrópolis, durante seu mandato. Foi o primeiro presidente a realizar tal acontecimento.Com o fim do seu mandato, Marechal Hermes da Fonseca candidatou-se ao Senado no Rio Grande do Sul, porém não aceitou assumir a cadeira após o assassinato do dirigente do Partido Republicano Conservador, Pinheiro Machado, no dia em que deveria ser diplomado, em 1915.
Após esse episódio, afastou-se da política e viveu durante seis anos na Suíça. Retornou ao Brasil em 1921 quando se iniciava uma nova campanha presidencial. Recebido pelos militares, ocupou a presidência do Clube Militar. Marechal Hermes da Fonseca envolveu-se na frustrada revolta militar de 1922, conhecida como a Revolta do Forte de Copacabana. Foi preso durante seis meses, devido a acusação de conspiração.
Após ser libertado por habeas corpus, muda-se para Petrópolis, onde morre poucos meses depois. Marechal Hermes da Fonseca faleceu dia 9 de setembro de 1923, aos 68 anos. Foi sepultado no cemitério da cidade.