José Oswald de Sousa de Andrade nasceu no dia 11 de janeiro de 1890, em São Paulo. Filho único e sobrinho do escritor Inglês de Sousa, iniciou os estudos no Colégio de São Bento, onde ouviu de um professor que seria escritor. Em seguida, passou a se interessar pelos livros e pela escrita.
Em 1909, Oswald de Andrade ingressou na Faculdade de Direito do Largo São Francisco.Começou a Trabalhar no jornal “Diário Popular” como redator e crítico de teatro. Lá publicou seu primeiro artigo, “Penando”, uma reportagem da viagem do presidente Afonso Pena aos Estados do Paraná e Santa Catarina.
Com ajuda da mãe, fundou em 1911 a revista semanal “O Pirralho” que já apresentava características do movimento modernista, que ainda estava por vir. Oswald de Andrade era conhecido por seu temperamento audacioso. Oswald de Andrade dirigiu a revista junto com Alcântara Machado e Juó Bananère. Também contava com o pintor Di Cavalcanti como um dos colaboradores.
Oswald de Andrade (1890-1954)
De família rica, fez sua primeira viagem para a Europa aos 22 anos. Paris lhe despertou muitas ideias futuristas, lá conheceu Kamiá, mãe de seu primeiro filho. De volta a São Paulo, estabeleceu moradia na Rua Libero Badaró, local frequentado por intelectuais, como Monteiro Lobato, Guilherme de Almeida e Mário de Andrade.
Em 1917 sua revista foi fechada. No mesmo ano, envolveu-se na polemica crítica de Monteiro Lobato a Anita Malfatti, na qual defendeu a artista em sua coluna no “Jornal do Comércio”. Oswald de Andrade formou-se em Direito pela Faculdade de São Paulo, mas nunca atuou na área, preferiu continuar no jornalismo.
Oswald de Andrade no Modernismo Brasileiro
Oswald de Andrade assumiu o papel de líder do Movimento Modernista, tornando-se o principal representante da literatura modernista. Integrou o grupo dos cinco, formado por Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Menotti del Picchia e Mário de Andrade, que defendia as ideias do movimento no Brasil.
Foi um dos organizadores da Semana de Arte Moderna em 1922, evento que marcou o início do modernismo brasileiro trazendo novas ideias e conceitos artísticos.
Entre as principais características do movimento estão a aproximação da linguagem coloquial, ausência de formalidade e a valorização da cultura brasileira.
Embarcou, mais uma vez, rumo a Europa, onde realizou a conferência “O Esforço Intelectual do Brasil Contemporâneo”. Neste período, a pintora e companheira de Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, o acompanhou e participou das suas idealizações.
Manifesto Pau-Brasil
Oswald de Andrade lançou em 18 de março de 1924, um dos mais importantes manifestos do modernismo. Publicado no jornal “Correio da Manhã”, o “Manifesto Pau-Brasil” defendia a necessidade de criar uma forma de pensar e fazer arte original, no sentido de não ser influenciada pelas modelos já estabelecidos.
O “Manifesto do Pau-Brasil” foi um movimento nativista que desejava causar uma revolução artística. Pretendia sobressaltar a literatura vinculada à realidade do país de forma mais intensa e autentica do que o que era feito. Oswald de Andrade defendia e desejava que a poesia brasileira fosse exportada e explorada, vista de "dentro para fora". Que se tornasse um produto cultural, tal como o pau-brasil, primeira riqueza brasileira exportada e árvore símbolo do país.
“A Poesia Pau-Brasil é uma sala de jantar domingueira, com passarinhos cantando na mata resumida das gaiolas, um sujeito magro compondo uma valsa para flauta e a Maricota lendo o jornal. No jornal anda todo o presente. Nenhuma fórmula para a contemporânea expressão do mundo. Ver com olhos livres.Temos a base dupla e presente - a floresta e a escola. A raça crédula e dualista e a geometria, a algebra e a química logo depois da mamadeira e do chá de erva-doce. Um misto de "dorme nenê que o bicho vem pegá" e de equações.Uma visão que bata nos cilindros dos moinhos, nas turbinas elétricas; nas usinas produtoras, nas questões cambiais, sem perder de vista o Museu Nacional.” Trecho do “Manifesto Pau-Brasil” publicado no jornal “Correio da Manhã”.
Logo, Oswald de Andrade publicou sua primeira obra modernista, o livro de poemas intitulado "Pau-Brasil" que apresentou uma literatura totalmente voltada a realidade, causando uma espécie de redescoberta brasileira. Ilustrado por Tarsila, o livro colocava em pratica todas as características propostas no manifesto.
Manifesto Antropófago
Em 1926 casou-se com Tarsila do Amaral, com quem permaneceu por três anos. Em maio de 1928, Oswald de Andrade e Tarsila fundam o “Manifesto Antropófago” que tinha por objetivo a aniquilação da cultura estrangeira para criar uma cultura totalmente própria. Inspirado em teóricos e pensadores como Marx, Freud, André Breton, Montaigne e Rousseau, Oswald de Andrade pretendia resgatar a cultura primitiva e mutuamente promover a assimilação com as culturas exteriores.
A divulgação do movimento foi realizado na primeira edição da “Revista de Antropofagia”, produzida em São Paulo. O Manifesto foi um marco no modernismo, pois influenciou e evidenciou os elementos culturais brasileiro no mundo. “Só a Antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente.Única lei do mundo. Expressão mascarada de todos os individualismos, de todos os coletivismos. De todas as religiões. De todos os tratados de paz.Tupi, or not tupi that is the question.Contra todas as catequeses. E contra a mãe dos Gracos. Só me interessa o que não é meu. Lei do homem.”Trecho do “Manifesto Antropófago” publicado na Revista de Antropofagia.
Entre o fim de 1929 e início de 1930, Oswald de Andrade conhece a militante e escritora Patrícia Galvão, conhecida como Pagu, e filia-se ao PCB (Partido Comunista Brasileiro). Casam-se em 1931, união que lhe gerou seu segundo filho, e fundam o jornal “O Homem do Povo” que apoiava a classe operaria.
Casou-se novamente, em 1944, com Maria Antonieta D’Aikmin, com quem teve duas filhas e permaneceu casado até o fim de sua vida.Oswald de Andrade faleceu no dia 22 de outubro de 1954 aos 64 anos, em São Paulo. Foi sepultado no túmulo da família, no Cemitério da Consolação, junto aos seus pais e avô.
Principais obras de Oswald de Andrade
Além dos manifestos, Oswald de Andrade transitou por alguns seguimentos artísticos. Como escritor, foi o mais inovador da linguagem. As ideias vanguardistas que Oswald de Andrade trouxe da Europa, já faziam parte dos seus romances. Apresentavam características da primeira fase do modernismo, como a crítica e a visão social, o nacionalismo, a valorização da linguagem cotidiana e a crítica a elite social. Suas obras também possuíam composições diferenciadas, um misto de prosa e poesia, textos curtos e linguagem dinâmica.
- Ocupação: Escritor, ensaísta e dramaturgo
- Local de nascimento: São Paulo, SP
- Data de nascimento: 11 de janeiro de 1890
- Local de falecimento: São Paulo, SP
- Data de falecimento: 22 de outubro de 1954
- Reconhecido por (obras, movimentos, etc): Manifesto Pau-Brasil, Manifesto Antropófago, Pau-Brasil, Serafim Ponte Grande
Principais poesias de Oswald de Andrade
- Pau-Brasil (1925)
- Primeiro Caderno de Poesia do Aluno Oswald de Andrade (1927)
- Cântico dos Cânticos para Flauta e Violão (1942)
- O Escaravelho de Ouro (1946)
- O Cavalo Azul (1947)
- Manhã (1947)
- O Santeiro do Mangue (1950)
Citações de Oswald de Andrade
- Como poucos, eu conheci as lutas e as tempestades. Como poucos, eu amei a palavra liberdade e por ela briguei.
- Contra a memória fonte do costume. A experiência pessoal renovada.
- A alegria é a verdadeira prova dos nove.
Principais romances de Oswald de Andrade
- Os Condenados (1922)
- Memórias Sentimentais de João Miramar (1924)
- Estrela de Absinto (1927)
- Serafim Ponte Grande (1933)
- Marco Zero I - Revolução Melancólica (1943)
- Marco Zero II - Chão (1946).
Teatro - Oswald de Andrade
- O Homem e o Cavalo (1943)
- A morta pelo homem (1937)
- O Rei da vela (1937)
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