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Rachel de Queiroz

Postado por Samara Rodrigues em 23/09/2025 e atualizado pela última vez em 23/09/2025

Rachel de Queiroz foi uma importante escritora, tradutora, jornalista e dramaturga brasileira. Foi a primeira mulher a entrar para a Academia Brasileira de Letras e a receber o Prêmio Camões.


Rachel de Queiroz nasceu no dia 17 de novembro de 1910 na cidade de Fortaleza, Ceará. Viveu parte da infância em uma fazenda da família, em Quixadá, retornando para Fortaleza alguns anos depois.


Em 1915, a família muda-se novamente para fugir de uma grande seca que atingia a região, desta vez o destino era o Rio de Janeiro. Dois anos depois a família de Rachel volta para a capital cearense.


Em 1921, Rachel de Queiroz ingressa no Colégio Imaculada Conceição, formando-se professora aos 15 anos. Foi professora substituta de história no mesmo colégio onde diplomou-se.




Rachel de Queiroz foi uma escritora e jornalista brasileira - Imagem gerada por IA


Carreira de Rachel de Queiroz


Estreou sua carreira como escritora no jornal “O Ceará” em 1927. Após enviar uma carta ao jornal, é convidada a colaborar para a publicação organizando a página literária e produzindo crônicas e poemas de caráter modernista sob o pseudônimo de Rita de Queluz. Nesse mesmo ano, publicou “História de um Nome”, seu primeiro romance em forma de folhetim.


Livro o  Quinze de Raquel de Queiroz


Rachel de Queiroz ficou nacionalmente conhecida ao 20 anos quando publicou seu primeiro romance, “O Quinze”. O romance, lançado na Segunda fase do Modernismo, retrata a seca de 1915 na região nordeste do Brasil e a realidade dos retirantes nordestinos.

Imaginara retirar uma porção de gado para a serra. Mas, sabia lá? Na serra, também, o recurso falta... Também o pasto seca... Também a água dos riachos afina, afina, até se transformar num fio gotejante e transparente. Além disso, a viagem sem pasto, sem bebida certa, havia de ser um horror, morreria tudo.

Trecho do livro “O Quinze” (1915). A obra de cunho social, demonstra preocupação com questões sociais e hábil em uma análise psicológica, profundamente realista, da luta secular de seus personagens contra a miséria e a seca. “O Quinze” foi bem recebi pelo público e deu bastante impulso para o romance regionalista, além de receber elogios de Mário de Andrade e de Augusto Schmidt e conquistado o “Prêmio Fundação Graça Aranha” (1931), na categoria romance.

Política e “Caminhos de Pedras”


Ao começar a se interessar por política social, Rachel de Queiroz integra o primeiro núcleo do Partido Comunista Brasileiro. Após a forte militância política no Nordeste, muda-se para o sudeste do país.

Em 1932, lança o romance “João Miguel” mais uma obra focada nas questões nordestinas, como a seca e o coronelismo. No mesmo ano, casou-se com o poeta José Auto da Cruz Oliveira.

Ao voltar para o norte, militou junto ao Partido Comunista. Nesse período escreveu e publicou o livro “Caminhos de Pedras” (1937), abordando as agitações políticas, os métodos de educação e exaltando a participação feminina na vida pública. No mesmo ano, permaneceu presa durante três meses acusada de ser comunista e por defender ideias esquerdistas, tendo alguns exemplares de seus romances queimados.

Prêmio Camões


Em 1939 Rachel de Queiroz já era considerada uma escritora consagrada, no mesmo ano publicou o livro “As Três Marias” que lhe rendeu o “Prêmio Felipe d'Oliveira”.

Mudou-se para o Rio de Janeiro, onde colaborou com o “Diário de Notícias” e “O Jornal”. Também fez parte da revista “O Cruzeiro”, na qual publicou, em quarenta edições, em folhetins, o romance “O Galo de Ouro”.

Nesse fase, Rachel de Queiroz se separou do poetas José auto, casando-se novamente com o médico Oyama de Macedo, com quem viveu até 1982, ano em que ficou viúva.

Em 1964, Rachel colaborou intensamente com o golpe de 64 e apoiou a instalação da ditadura militar no Brasil. Fez parte do Conselho Federal de Cultura e do diretório nacional do Arena, partido político de sustentação do regime.

A partir daí, Rachel de Queiroz publicou diversas obras, inclusive o romance “Memorial de Maria Moura” (1992), o qual lhe conferiu o "Prêmio Camões" e a consagrou como a primeira mulher contemplada com tal premiação.

Crônicas, teatro e tradução


Rachel também colaborou semanalmente para “O Estado de São Paulo” e para o “Diário de Pernambuco”, escreveu milhares de crônicas, que posteriormente foram reunidas e publicadas em diversos livros.

Além de romancista, cronista e jornalista, Rachel de Queiroz também foi uma importante dramaturga. Escreveu algumas peças para o teatro, entre elas “A Beata Maria do Egito” (1958), que recebeu o prêmio de teatro do Instituto Nacional do livro. 

Além disso, Rachel de Queiroz traduziu mais de quarenta obras para português. Rachel de Queiroz faleceu no dia 4 de novembro de 2003, aos 92 anos, em sua casa no Rio de Janeiro, vítima de um ataque cardíaco.

Academia Brasileira de Letras


Em 4 de agosto de 1977, Rachel de Queiroz foi eleita para a Academia Brasileira de Letras, quebrando mais uma barreira e se tornando a primeira mulher a entrar para a Academia. Foi empossada em 4 de novembro de 1977, ocupando a cadeira 5 que pertencia a Cândido Mota Filho.

Curiosidade sobre Rachel de Queiroz 


Rachel de Queiroz era descendente, pelo lado materno da família, de José de Alencar, grande escritor brasileiro e autor de clássicos da literatura, como Senhora e “Iracema”.

Principais obras de Rachel de Queiroz


  • O quinze, romance (1930)
  • João Miguel, romance (1932)
  • Caminho de pedras, romance (1937)
  • As Três Marias, romance (1939)
  • A donzela e a moura torta, crônicas (1948)
  • O galo de ouro, romance (folhetins na revista O Cruzeiro, 1950)
  • Lampião - peça de teatro (1953)
  • A beata Maria do Egito- peça de teatro (1958)
  • Lampião; A Beata Maria do Egito (livro-2005)
  • Cem crônicas escolhidas (1958)
  • O brasileiro perplexo, crônicas (1964)
  • O caçador de tatu, crônicas (1967)
  • O menino mágico, infanto-juvenil (1969)
  • Dôra, Doralina, romance (1975)
  • As menininhas e outras crônicas (1976)
  • O jogador de sinuca e mais historinhas (1980)
  • Cafute e Pena-de-Prata, infanto-juvenil (1986)
  • Memorial de Maria Moura, romance (1992)
  • As terras ásperas (1993)
  • Teatro, teatro (1995)
  • Nosso Ceará, relato (1996) 
  • Tantos Anos, autobiografia (1998) 
  • Não me deixes: suas histórias e sua cozinha, memórias gastronômicas (2000)


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