Livro o Quinze de Raquel de Queiroz
Rachel de Queiroz ficou nacionalmente conhecida ao 20 anos quando publicou seu primeiro romance, “O Quinze”. O romance, lançado na Segunda fase do Modernismo, retrata a seca de 1915 na região nordeste do Brasil e a realidade dos retirantes nordestinos.
Imaginara retirar uma porção de gado para a serra. Mas, sabia lá? Na serra, também, o recurso falta... Também o pasto seca... Também a água dos riachos afina, afina, até se transformar num fio gotejante e transparente. Além disso, a viagem sem pasto, sem bebida certa, havia de ser um horror, morreria tudo.
Trecho do livro “O Quinze” (1915). A obra de cunho social, demonstra preocupação com questões sociais e hábil em uma análise psicológica, profundamente realista, da luta secular de seus personagens contra a miséria e a seca. “O Quinze” foi bem recebi pelo público e deu bastante impulso para o romance regionalista, além de receber elogios de Mário de Andrade e de Augusto Schmidt e conquistado o “Prêmio Fundação Graça Aranha” (1931), na categoria romance.
Política e “Caminhos de Pedras”
Ao começar a se interessar por política social, Rachel de Queiroz integra o primeiro núcleo do Partido Comunista Brasileiro. Após a forte militância política no Nordeste, muda-se para o sudeste do país.
Em 1932, lança o romance “João Miguel” mais uma obra focada nas questões nordestinas, como a seca e o coronelismo. No mesmo ano, casou-se com o poeta José Auto da Cruz Oliveira.
Ao voltar para o norte, militou junto ao Partido Comunista. Nesse período escreveu e publicou o livro “Caminhos de Pedras” (1937), abordando as agitações políticas, os métodos de educação e exaltando a participação feminina na vida pública. No mesmo ano, permaneceu presa durante três meses acusada de ser comunista e por defender ideias esquerdistas, tendo alguns exemplares de seus romances queimados.
Prêmio Camões
Em 1939 Rachel de Queiroz já era considerada uma escritora consagrada, no mesmo ano publicou o livro “As Três Marias” que lhe rendeu o “Prêmio Felipe d'Oliveira”.
Mudou-se para o Rio de Janeiro, onde colaborou com o “Diário de Notícias” e “O Jornal”. Também fez parte da revista “O Cruzeiro”, na qual publicou, em quarenta edições, em folhetins, o romance “O Galo de Ouro”.
Nesse fase, Rachel de Queiroz se separou do poetas José auto, casando-se novamente com o médico Oyama de Macedo, com quem viveu até 1982, ano em que ficou viúva.
Em 1964, Rachel colaborou intensamente com o golpe de 64 e apoiou a instalação da ditadura militar no Brasil. Fez parte do Conselho Federal de Cultura e do diretório nacional do Arena, partido político de sustentação do regime.
A partir daí, Rachel de Queiroz publicou diversas obras, inclusive o romance “Memorial de Maria Moura” (1992), o qual lhe conferiu o "Prêmio Camões" e a consagrou como a primeira mulher contemplada com tal premiação.
Crônicas, teatro e tradução
Rachel também colaborou semanalmente para “O Estado de São Paulo” e para o “Diário de Pernambuco”, escreveu milhares de crônicas, que posteriormente foram reunidas e publicadas em diversos livros.
Além de romancista, cronista e jornalista, Rachel de Queiroz também foi uma importante dramaturga. Escreveu algumas peças para o teatro, entre elas “A Beata Maria do Egito” (1958), que recebeu o prêmio de teatro do Instituto Nacional do livro.
Além disso, Rachel de Queiroz traduziu mais de quarenta obras para português. Rachel de Queiroz faleceu no dia 4 de novembro de 2003, aos 92 anos, em sua casa no Rio de Janeiro, vítima de um ataque cardíaco.
Academia Brasileira de Letras
Em 4 de agosto de 1977, Rachel de Queiroz foi eleita para a Academia Brasileira de Letras, quebrando mais uma barreira e se tornando a primeira mulher a entrar para a Academia. Foi empossada em 4 de novembro de 1977, ocupando a cadeira 5 que pertencia a Cândido Mota Filho.
Curiosidade sobre Rachel de Queiroz
Principais obras de Rachel de Queiroz
- O quinze, romance (1930)
- João Miguel, romance (1932)
- Caminho de pedras, romance (1937)
- As Três Marias, romance (1939)
- A donzela e a moura torta, crônicas (1948)
- O galo de ouro, romance (folhetins na revista O Cruzeiro, 1950)
- Lampião - peça de teatro (1953)
- A beata Maria do Egito- peça de teatro (1958)
- Lampião; A Beata Maria do Egito (livro-2005)
- Cem crônicas escolhidas (1958)
- O brasileiro perplexo, crônicas (1964)
- O caçador de tatu, crônicas (1967)
- O menino mágico, infanto-juvenil (1969)
- Dôra, Doralina, romance (1975)
- As menininhas e outras crônicas (1976)
- O jogador de sinuca e mais historinhas (1980)
- Cafute e Pena-de-Prata, infanto-juvenil (1986)
- Memorial de Maria Moura, romance (1992)
- As terras ásperas (1993)
- Teatro, teatro (1995)
- Nosso Ceará, relato (1996)
- Tantos Anos, autobiografia (1998)
- Não me deixes: suas histórias e sua cozinha, memórias gastronômicas (2000)
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