Tarsila do Amaral nasceu em 1 de setembro de 1886 em Capivari, interior de São Paulo. Filha de um rico herdeiro de fazendas, passou a infância na zona rural. Estudou em São Paulo, depois frequentou o Colégio Sacré-Coeur em Barcelona, na Espanha. Lá pintou seu primeiro quadro “Sagrado Coração de Jesus” (1904). Ao voltar da Europa, Tarsila do Amaral casou-se com o médico e seu primo materno André Teixeira Pinto, com quem teve a única filha, Dulce.
A união não durou muito já que André tinha uma visão conservadora sobre o papel da mulher, impedindo Tarsila do Amaral de desenvolver seu trabalho como pintora. Em virtude da influência de sua família, o pai consegue a anulação do casamento. Tarsila do Amaral inicia os estudos de arte com os escultores William Zadig e Mantovani, aprendendo a modelar. Em 1918 passa a ter aulas de desenho e pintura de naturezas-mortas no ateliê de Pedro Alexandrino, onde conheceu Anita Malfatti.
Tarsila do Amaral (1886-1973)
Em 1920, viaja a Paris e ingressa na Académie Julien. Também frequentou a Academia de Émile Renard. A pintora retornou ao Brasil dois anos depois, e apesar de não participar da Semana da Arte Moderna, foi apresentada por Anita Malfatti aos modernistas, Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Menotti Del Picchia, completando o Grupo dos Cinco. ''Parece mentira, mas foi no Brasil que tomei contato com a arte moderna''.
Ainda em 1922 voltou a Paris, desta vez, acompanhada do seu namorado Oswald de Andrade. Lá se aproximaram de influentes nomes do modernismo, como o poeta Blaise Cendrars, responsável por apresentar toda a intelectualidade parisiense ao casal.
Frequentou a Academia de Lhote, estudou com o mestre Fernand Léger e com diversos artistas cubistas.Nessa época Tarsila do Amaral também conheceu grandes artista, como Pablo Picasso, o casal Delaunay e o escritor Jean Cocteau. Tornou-se amiga de Villa Lobos, do pintor Di Cavalcanti e dos mecenas Paulo Prado e Olívia Guedes Penteado.
Pau Brasil
Tarsila do Amaral gostava do uso das cores, principalmente as que fizeram parte sua infância no interior, porém não aplicava em seus quadros por orientação de seus mestres.
"Encontrei em Minas as cores que adorava em criança. Ensinaram-me depois que eram feias e caipiras. Segui o ramerrão do gosto apurado...Mas depois vinguei-me da opressão passando-as para minhas telas: azul puríssimo, rosa violáceo, amarelo vivo, verde cantante, tudo em gradações mais ou menos fortes conforme a mistura de branco. Pintura limpa, sobretudo, sem medo de cânones convencionais. Liberdade e sinceridade, uma certa estilização que adotava a época moderna. Contornos nítidos, dando a impressão perfeita da distância que separa um objeto de outro." Tarsila do Amaral, in: AMARAL, Tarsila. Pintura Pau Brasil e Antropofagia. In: Revista Anual do Salão de Maio. São Paulo, nº 1, 1939. Revista editada por Flávio de Carvalho.
Em 1924, Oswald de Andrade lançou o “Manifesto do Pau-Brasil” e foi com esse incentivo de criar uma arte original da sua própria região, que as cores e a temática brasileira tornaram-se uma das marcas da artista.Com paisagens rurais e urbanas do Brasil, além da fauna, flora, folclore e do povo, Tarsila queria ser a pintora do Brasil. Esta fase da suas obras é chamada de Pau-Brasil. Em 1926, Tarsila do Amaral fez a primeira exposição individual na Galeria Percier, em Paris. No mesmo ano, casou-se com Oswald.
Antropofagia
Em 1928, Tarsila pinta o “Abaporu”, um presente para Oswald de Andrade e, posteriormente, sua obra mais conhecida no mundo. O nome de origem indígena significa "homem que come carne humana", inspirando seu marido na criação de um novo movimento.Oswald escreveu o “Manifesto Antropófago” que pretendia engolir a cultura estrangeira, vigente na época, e converter a arte do país em algo totalmente próprio, valorizando a cultura brasileira.
Em 1929, Tarsila fez sua primeira Exposição Individual no Brasil dividindo a crítica. Em seguida, Oswald de Andrade pediu o divórcio para se casar Patrícia Galvão, conhecida como Pagu. Ainda neste ano, com a crise do café no Brasil, a família da pintora perdeu muito dinheiro e Tarsila do Amaral precisou trabalhar. Conseguiu o cargo de conservadora na Pinacoteca do Estado de São Paulo.
Em 1931, Tarsila expôs em Moscou e envolveu-se com o médico comunista Osório Cesar. Participou ativamente do Partido Comunista Brasileiro e ficou presa por um mês,Entre 1934 a 1951, Tarsila do Amaral permaneceu casada com o escritor Luís Martins, mais de vinte anos mais novo que ela.
Trabalhou como colunista no jornal “Diários Associados” que pertencia a Assis Chateaubriand. Tarsila participou da I e II Bienal de São Paulo. Ganhou uma retrospectiva no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) em 1960.
Teve sala especial na Bienal de São Paulo de 1963. Em 1964, Tarsila do Amaral apresentou-se na 32ª Bienal de Veneza. Em 1965, foi submetida a uma cirurgia de coluna, entretanto, devido a um erro médico ficou paralítica, permanecendo em cadeira de rodas até seus últimos dias.Tarsila do Amaral faleceu no dia 17 de janeiro de 1973, em São Paulo, aos 86 anos. Foi enterrada no Cemitério da Consolação de vestido branco, conforme seu desejo.
Principais obras de Tarsila do Amaral
Em 1923, Tarsila do Amaral pintou a tela “A Negra” uma figura que tinha ligação com a infância da artista, já que nessa época geralmente as escravas que tomavam conta das crianças, servido até como amas de leite.
O autorretrato “Manteau Rouge” foi pintado após um jantar em homenagem a Santos Dumont, no qual, Tarsila vestiu um casaco vermelho e chamou a atenção de todos por sua beleza e elegância. Tarsila foi pioneira da temática social no Brasil. Em 1933 pintou a tela ‘Operários’. Ainda nessa fase, produziu “Segunda Classe”, “Costureiras” e “Orfanato”.
Obras de Tarsila do Amaral do período Pau-Brasil
Após a primeira fase realizada em 1924, Tarsila do Amaral voltou com a temática do Pau Brasil em 1950.
- “Carnaval em Madureira”
- “Morro da Favela”
- “O Mamoeiro”
- “O Pescador”
- “Fazenda”
- “Vilarejo com ponte e mamoeiro”
- “Povoação I”
- “Porto I”
Obras de Tarsila do Amaral da fase Antropofágica
Nesta fase Tarsila do Amaral as cores fortes para reproduzir bichos e paisagens imaginárias.
- “Sol Poente”
- “A Lua”
- “Cartão Postal”
- “O Lago”
- “Antropofagia”
Curiosidade sobre Tarsila do Amaral
Em 1949, a única neta de Tarsila do Amaral, Beatriz, morreu afogada, tentando salvar uma amiga em um lago em Petrópolis. A artista contou que o Abaporu era fruto de imagens do seu inconsciente, e tinha a ver com as histórias que as negras contavam para ela em sua infância.
- Local de nascimento: Capivari, São Paulo
- Data de nascimento: 1 de setembro de 1886
- Local de falecimento: São Paulo, São Paulo
- Data de falecimento: 17 de janeiro de 1973
- Reconhecido por (obras, movimentos, etc): Abaporu, Pau-Brasil, Movimento Antropofágico
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