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Vinicius de Moraes

Postado por Adriele Oliveira em 21/08/2025 e atualizado pela última vez em 21/08/2025
Vinicius de Moraes foi um poeta, dramaturgo, jornalistadiplomata, escritor, cantor e compositor brasileiro. Autor de importantes obras literárias, da peça “Orfeu da Conceição” e compositor de canções de destaque, poetinha foi um dos maiores criadores da cultura brasileira.

Moraes nasceu em 19 de outubro de 1913 na cidade do Rio de Janeiro. Batizado como Marcus Vinicius da Cruz de Melo Moraes, só foi registrado como Vinicius de Moraes aos nove anos. Filho de Lydia Cruz de Moraes e de Clodoaldo Pereira da Silva Moraes, é o segundo de quatro filhos. Em 1917, entrou para a Escola Primária Afrânio Peixoto. 

Vinicius foi batizado na maçonaria, por desejo do avô materno, em 1920 e, aos 10 anos, fez a primeira comunhão na Igreja da Matriz, em Botafogo.
Em 1924 deu início ao curso secundário no Colégio Santo Inácio, nessa época já escrevia seus primeiros versos e poemas, além de participar ativamente das atividades artísticas escolares, executando papeis de ator e cantor em peças infantis. 

Vinicius também cantava no coro da igreja e junto com os amigos do colégio, formou um pequeno conjunto musical para tocar em festinhas. Além de Paulo e Haroldo Tapajós, também faziam parte do grupo Maurício Joppert e Moacir Veloso Cardoso de Oliveira. No ano de 1928, ainda adolescente, Vinicius de Moraes compôs as primeiras canções. Com Haroldo Tapajós fez a canção “Loura ou Morena” e, com Paulo Tapajós compôs “Canção da Noite”. 

Vinicius tornou-se Bacharel em Letras pelo Colégio Santo Inácio e com apenas 17 anos, ingressou na Faculdade de Direito da Rua do Catete, no Rio de Janeiro. Lá conheceu alguns intelectuais que marcaram sua vida.

Um dos principais nomes da literatura e da música brasileira.

Carreira artística de Vinicius de Moraes


Em 1932 foi publicado o primeiro poema de Vinicius de Moraes na revista “A Ordem”. A publicação, editada pelo intelectual católico e crítico literário Tristão de Athayde, apresentou um autor jovem e conservador, com um poema bíblico de 152 versos intitulado “A transfiguração da montanha”. No mesmo ano os irmãos Tapajós gravam as canções compostas por Vinicius.

Vinicius bacharelou-se em Direito em 1933, em seguida publicou seu primeiro livro de poemas “O caminho para a distância”, pela Schmidt Editora. Dois anos depois da publicação de seu segundo livro.

“Forma e exegese”, publicado pela editora Irmãos Pongetti, ganhou reconhecimento pela crítica, recebendo inclusive comentários positivos de Manuel Bandeira. Além disso, a obra ganhou o prestigioso prêmio anual de poesia "Felipe de Oliveira".

Vinicius de Moraes passou a frequentar assiduamente as rodas literárias e boêmias do Rio de Janeiro, algo que se tornou um dos principais traços de sua vida e obra. Nessa época, tinha entre seu círculo de amigos o poeta Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade.

Em 1938, a bordo de um navio a caminho da Inglaterra, escreveu um dos seus poemas mais famosos, chamado “Soneto da separação”. Um gracioso e triste poema que trata sobre o final de uma relação amorosa.

Soneto de separação

"De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente."

Vinicius passou por um certo período de isolamento. Aprofundou-se na leitura e na escrita, quando adquiriu um interesse especial pela técnica do soneto e pela obra poética de William Shakespeare.

Mudança de fase


Em 1940, as obras literárias de Vinicius de Moraes foram marcadas por versos em linguagem mais simples e sensual, no entanto estavam repletas de temas sociais. A nova fase foi marcada pelos livros “Cinco Elegias” (1943) e "Poemas, Sonetos e Baladas" (1946).

Junto ao grupo de jovens intelectuais da época, entre eles Mario de Andrade, participou da fundação da revista “Clima”. Posteriormente, sem perspectiva de atuar na área diplomática, passou a trabalhar como jornalista e crítico de cinema.

No ano de 1943, Vinicius de Moraes obteve êxito no concurso do Itamaraty e ingressou na carreira diplomática, função que ocupou até 1968, quando foi cassado pelo regime militar. Mesmo trabalhando nos serviços burocráticos, permaneceu na carreira jornalística

Orfeu e Tom Jobim


Em 1954 foi publicada uma das mais famosas obras de Vinicius, um conjunto de poemas reunidos pelo autor em “Antologia poética”. 

No mesmo ano publica sua peça teatral “Orfeu da Conceição”, premiada no concurso do IV Centenário de São Paulo e publicada na revista Anhembi. Era o começo de um ciclo de trabalhos ao redor de Orfeu nos anos seguintes.

Tempos depois conheceu o então jovem Antônio Carlos Jobim, onde nasceu além de uma das mais fecundas parcerias da música brasileira e a fundação de um gênero musical marcaria definitivamente o país.

Bossa Nova


A Bossa Nova é um gênero musical originado no Brasil no fim da década de 1950. Vinicius de Moraes, Tom Jobim e João Gilberto são os principais nomes desse movimento que se tornou o mais influente da história da música popular brasileira.

Essa parceria deixou um legado valioso, através de várias joias da música nacional, entre as de maiores sucessos estão:

  • Chega de Saudade; 
  • Garota de Ipanema;
  • Desafinado;
  • Eu Sei Que Vou Te Amar;
  • Se Todos Fossem Iguais A Você;
  • Águas de março;
  • Outra Vez;
  • Coisa mais linda;
  • Corcovado;
  • Insensatez;
  • Maria Ninguém;
  • Samba de uma nota só;
  • Saudade fez um Samba.

Novas parcerias


Na década de 1960 ocorreu a explosão da Bossa Nova. Vinícius de Moraes registrou pela primeira vez sua voz em uma canção, inaugurou a peça "Procura-se uma rosa", de sua autoria, e participou de “O Encontro”, um dos mais importantes concertos da bossa nova.

"Porque o samba nasceu lá na Bahia
E se hoje ele é branco na poesia
Se hoje ele é branco na poesia
Ele é negro demais no coração
Eu, por exemplo, o capitão do mato
Vinicius de Moraes
Poeta e diplomata
O branco mais preto do Brasil
Na linha direta de Xangô, saravá!
A bênção, Senhora
A maior ialorixá da Bahia"

Trecho da música “Samba de bênção” de Vinicius de Moraes na qual ele mistura poesia, história, religião e autobiografia.

Na época, várias de suas composições foram gravadas por grandes nomes da Música Popular Brasileira (MPB), como Elza Soares, Jair Rodrigues, Jorge Goulart, Pery Ribeiro e o Tamba Trio.

Em 1961 deu início a novas parcerias ao começar a compor com os compositores e violonistas Carlos Lyra e Baden Powell. Torna-se parceiro de seu grande ídolo, Alfredo Pixinguinha e também de Ary Barroso, grande nome da MPB.

Volta ao Brasil


Vinicius passou uma longa temporada morando fora. Regressou ao Brasil depois do golpe milita de 64 e continuou exercendo seu trabalho como jornalista, cronista e crítico cinematográfico.

No decorrer dos anos, Vinicius de Moraes produziu diversos trabalhos. Realizou novas composições e parcerias, escreveu novas peças e produziu novos livros. Nesse período também acumulou premiações, parcerias e convites de notoriedade.

O poetinha, como era chamado pelos amigos, teve uma vida amorosa bastante agitada, o artista casou-se nove vezes e teve cinco filhos. 

Voltando de uma viagem à Europa, em 1979, sofreu um derrame decorrente de suas diabetes. Na ocasião, perdeu os originais do seu nunca terminado livro “Roteiro lírico e sentimental da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro”.

Vinicius de Moraes morreu de edema pulmonar no dia 9 de julho 1979, em sua casa na Gávea, no Rio de Janeiro, ao lado de seu parceiro Toquinho e de Gilda Mattoso.

Obras de Vinícius de Moraes


Assim como Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Moraes foi um escritor pertencente a “geração de 30”, uma geração preocupada com as questões sociais, inovando seus discursos e misturando-o com elementos mais antigos.

Além de diplomata e jornalista, Vinicius era dramaturgo, poeta, cantor e compositor. Destacou-se em todas as áreas e deixou um rico patrimônio cultural para o Brasil. 

Canções para crianças


Além dos grandes sucessos da Bossa Nova, o autor escreveu e ajudou a musicar um disco de músicas infantis, lançado em 1970. Algumas canções presente na obra são:

  • A Casa
  • A Foca
  • O Girassol
  • O Gato
  • O Relógio

Dentre as composições infantis de Vinicius de Moraes, “O Pato” é a mais famosa delas.

"Lá vem o Pato 
Pata aqui, pata acolá 
Lá vem o Pato 
Para ver o que é que há. 
O Pato pateta 
Pintou o caneco 
Surrou a galinha 
Bateu no marreco 
Pulou do poleiro 
No pé do cavalo 
Levou um coice 
Criou um galo 
Comeu um pedaço 
De jenipapo 
Ficou engasgado 
Com dor no papo 
Caiu no poço 
Quebrou a tigela 
Tantas fez o moço 
Que foi pra panela."

Literatura


Entre as principais obras de Vinicius de Moraes, estão:

  • O Caminho para a Distância (1933)
  • Antologia Poética (1954)
  • Livro de Sonetos (1957)
  • Para uma menina com uma flor (1966)

Principais poemas de Vinicius de Moraes


  • Soneto de fidelidade
  • A rosa de Hiroshima
  • Soneto do amor total
  • Soneto de separação
  • Soneto do Amigo

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