Em 1932 foi publicado o primeiro poema de Vinicius de Moraes na revista “A Ordem”. A publicação, editada pelo intelectual católico e crítico literário Tristão de Athayde, apresentou um autor jovem e conservador, com um poema bíblico de 152 versos intitulado “A transfiguração da montanha”. No mesmo ano os irmãos Tapajós gravam as canções compostas por Vinicius.
“Forma e exegese”, publicado pela editora Irmãos Pongetti, ganhou reconhecimento pela crítica, recebendo inclusive comentários positivos de Manuel Bandeira. Além disso, a obra ganhou o prestigioso prêmio anual de poesia "Felipe de Oliveira".
Em 1938, a bordo de um navio a caminho da Inglaterra, escreveu um dos seus poemas mais famosos, chamado “Soneto da separação”. Um gracioso e triste poema que trata sobre o final de uma relação amorosa.
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
E do momento imóvel fez-se o drama.
E de sozinho o que se fez contente.
Mudança de fase
Em 1940, as obras literárias de Vinicius de Moraes foram marcadas por versos em linguagem mais simples e sensual, no entanto estavam repletas de temas sociais. A nova fase foi marcada pelos livros “Cinco Elegias” (1943) e "Poemas, Sonetos e Baladas" (1946).
Junto ao grupo de jovens intelectuais da época, entre eles Mario de Andrade, participou da fundação da revista “Clima”. Posteriormente, sem perspectiva de atuar na área diplomática, passou a trabalhar como jornalista e crítico de cinema.
Orfeu e Tom Jobim
Em 1954 foi publicada uma das mais famosas obras de Vinicius, um conjunto de poemas reunidos pelo autor em “Antologia poética”.
No mesmo ano publica sua peça teatral “Orfeu da Conceição”, premiada no concurso do IV Centenário de São Paulo e publicada na revista Anhembi. Era o começo de um ciclo de trabalhos ao redor de Orfeu nos anos seguintes.
Tempos depois conheceu o então jovem Antônio Carlos Jobim, onde nasceu além de uma das mais fecundas parcerias da música brasileira e a fundação de um gênero musical marcaria definitivamente o país.
Bossa Nova
A Bossa Nova é um gênero musical originado no Brasil no fim da década de 1950. Vinicius de Moraes, Tom Jobim e João Gilberto são os principais nomes desse movimento que se tornou o mais influente da história da música popular brasileira.
Essa parceria deixou um legado valioso, através de várias joias da música nacional, entre as de maiores sucessos estão:
- Chega de Saudade;
- Garota de Ipanema;
- Desafinado;
- Eu Sei Que Vou Te Amar;
- Se Todos Fossem Iguais A Você;
- Águas de março;
- Outra Vez;
- Coisa mais linda;
- Corcovado;
- Insensatez;
- Maria Ninguém;
- Samba de uma nota só;
- Saudade fez um Samba.
Novas parcerias
Na década de 1960 ocorreu a explosão da Bossa Nova. Vinícius de Moraes registrou pela primeira vez sua voz em uma canção, inaugurou a peça "Procura-se uma rosa", de sua autoria, e participou de “O Encontro”, um dos mais importantes concertos da bossa nova.
"Porque o samba nasceu lá na Bahia
E se hoje ele é branco na poesia
Se hoje ele é branco na poesia
Ele é negro demais no coração
Eu, por exemplo, o capitão do mato
Vinicius de Moraes
Poeta e diplomata
O branco mais preto do Brasil
Na linha direta de Xangô, saravá!
A bênção, Senhora
A maior ialorixá da Bahia"
Trecho da música “Samba de bênção” de Vinicius de Moraes na qual ele mistura poesia, história, religião e autobiografia.
Na época, várias de suas composições foram gravadas por grandes nomes da Música Popular Brasileira (MPB), como Elza Soares, Jair Rodrigues, Jorge Goulart, Pery Ribeiro e o Tamba Trio.
Em 1961 deu início a novas parcerias ao começar a compor com os compositores e violonistas Carlos Lyra e Baden Powell. Torna-se parceiro de seu grande ídolo, Alfredo Pixinguinha e também de Ary Barroso, grande nome da MPB.
Volta ao Brasil
Vinicius passou uma longa temporada morando fora. Regressou ao Brasil depois do golpe milita de 64 e continuou exercendo seu trabalho como jornalista, cronista e crítico cinematográfico.
No decorrer dos anos, Vinicius de Moraes produziu diversos trabalhos. Realizou novas composições e parcerias, escreveu novas peças e produziu novos livros. Nesse período também acumulou premiações, parcerias e convites de notoriedade.
O poetinha, como era chamado pelos amigos, teve uma vida amorosa bastante agitada, o artista casou-se nove vezes e teve cinco filhos.
Voltando de uma viagem à Europa, em 1979, sofreu um derrame decorrente de suas diabetes. Na ocasião, perdeu os originais do seu nunca terminado livro “Roteiro lírico e sentimental da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro”.
Vinicius de Moraes morreu de edema pulmonar no dia 9 de julho 1979, em sua casa na Gávea, no Rio de Janeiro, ao lado de seu parceiro Toquinho e de Gilda Mattoso.
Obras de Vinícius de Moraes
Assim como
Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Moraes foi um escritor pertencente a “
geração de 30”, uma geração preocupada com as questões sociais, inovando seus discursos e misturando-o com elementos mais antigos.
Além de diplomata e jornalista, Vinicius era dramaturgo, poeta, cantor e compositor. Destacou-se em todas as áreas e deixou um rico patrimônio cultural para o Brasil.
Canções para crianças
Além dos grandes sucessos da Bossa Nova, o autor escreveu e ajudou a musicar um disco de músicas infantis, lançado em 1970. Algumas canções presente na obra são:
- A Casa
- A Foca
- O Girassol
- O Gato
- O Relógio
Dentre as composições infantis de Vinicius de Moraes, “O Pato” é a mais famosa delas.
"Lá vem o Pato
Pata aqui, pata acolá
Lá vem o Pato
Para ver o que é que há.
O Pato pateta
Pintou o caneco
Surrou a galinha
Bateu no marreco
Pulou do poleiro
No pé do cavalo
Levou um coice
Criou um galo
Comeu um pedaço
De jenipapo
Ficou engasgado
Com dor no papo
Caiu no poço
Quebrou a tigela
Tantas fez o moço
Que foi pra panela."
Literatura
Entre as principais obras de Vinicius de Moraes, estão:
- O Caminho para a Distância (1933)
- Antologia Poética (1954)
- Livro de Sonetos (1957)
- Para uma menina com uma flor (1966)
Principais poemas de Vinicius de Moraes
- Soneto de fidelidade
- A rosa de Hiroshima
- Soneto do amor total
- Soneto de separação
- Soneto do Amigo