Fundamento filosófico que acredita na reencarnação
O Budismo é uma doutrina espiritual e filosófica criada pelo indiano Siddhartha Gautama, o Buda, que considera o poder da reencarnação humana, de animais e das plantas, e acredita que as escolhas para se chegar à libertação dos sofrimentos estão no autoconhecimento.
Estima-se que, atualmente, existam 500 milhões de adeptos do Budismo no mundo, sendo a quinta maior religião em quantidade de seguidores.
Buda não é um deus. Ele é um homem comum que conquistou o máximo de sabedoria e, consequentemente, a iluminação. Por isso, o intuito dele sempre foi transmitir aos seus discípulos ensinamentos para a elevação espiritual de acordo com a realidade de cada um. A lógica do “venha e experimente você mesmo”.
O Começo do Budismo
Buda nasceu no país que hoje é o Nepal. Herdeiro de família rica, aos 29 anos decidiu abandonar a vida burguesa para tentar entender os tormentos sofridos pelo homem. Durante anos de isolamento e andanças, alcançou o despertar espiritual que tanto buscava. Não foi uma busca fácil.
A história conta que em um dia, debaixo de uma árvore, durante meditação, ele conseguiu encontrar explicação para todas as dúvidas que o atormentava, alcançando a total compreensão da essência da vida. Esse processo é conhecido como o ato de iluminação.

O monge de frente ao templo (Foto: Pixabay)
A partir deste dia, saiu pregando sua mensagem por toda a Índia durante 45 anos. Entre os primeiros ensinamentos, nascidos da própria experiência pessoal, estão as “Quatro Verdades Nobres”:
• Viver é sofrer (sofrimento);
• O sofrimento é fruto do apego aos desejos (causa);
• O sofrimento acaba quando se entende que ele não é provisório (cessação);
• O sofrimento é totalmente extinto quando se adota posturas corretas (caminho para extinção).
• Viver é sofrer (sofrimento);
• O sofrimento é fruto do apego aos desejos (causa);
• O sofrimento acaba quando se entende que ele não é provisório (cessação);
• O sofrimento é totalmente extinto quando se adota posturas corretas (caminho para extinção).
Características do Budismo
Para os seguidores do Budismo, a doutrina serve para todos alcançarem as felicidades passageiras (inteligência, saúde, beleza, prosperidade e agradáveis relações) e a definitiva (a iluminação). Para esse fim, é necessário o pleno conhecimento físico e espiritual, a nirvana. Ela é o principal propósito da consciência, pois é assim que o ser atinge o fim dos sofrimentos.
Como também acreditam nas encarnações e reencarnações de homens, animais e plantas, o budismo prega a bondade e respeito para com todos os seres, já que em outra vida pode-se experimentar aquela forma.
O ciclo de reencarnações é definido como “Samsara”. Esse processo de renascimento, passagem por muitas vidas, é interrompido quando o sujeito passa pelo processo de iluminação. A “Samsara” acontece de acordo com o carmas.
Carma ainda é visto como algo negativo, mas as boas ações também causam efeitos nas próximas reencarnações. Ou seja, a penalidade para ambas atitudes (positivas ou negativas) ocorre neste ciclo.
Sendo assim, a prática do “Caminho do Meio” seria a única forma de impedir as reencarnações, já que o indivíduo usaria o total controle sobre seus impulsos e comportamentos durante vivência no planeta Terra.
No Budismo não existe os princípios de devoção e adoração, tanto que Buda é considerado um guia, um professor. Dentro dessa linha de pensamento, a corrente espiritual é separada em quatro escolas: Nyingma Kagyu, Sakya e Gelupa.
Nelas, os Três Tesouros ou Três Refúgios são as bases indispensáveis para as práticas budistas.
Buda: o iluminado, o guia
Dharma: a lei soberana pregada por Buda
Sangha: grupo de discípulos
Budismo X Hinduísmo
Assim como o Budismo, o Hinduísmo também é uma corrente filosófica nascida na Índia. As duas apresentam algumas semelhanças nas crenças, como as definições de carma, “Samsara” e nirvana.
Entretanto, no campo da prática, começam a surgir as pontuais diferenças: o hinduísmo prega a busca da consciência em deuses, ou seja, fé nas divindades como ponte para salvação eterna, o que é bem diferente dos conceitos de iluminação espiritual aceitos pelos budistas.
Além disso, o hinduísmo divide a sociedade pelo método das castas (hierarquia social), o qual também diverge muito das concepções de igualdade entre os seres apoiado pelos budistas.
O hinduísmo nasceu antes do Budismo, mas durante três séculos após a morte de Gautama, o Budismo acabou conquistando mais adeptos que a religião tradicional da Índia.
Budismo no Brasil
Os ensinamentos budistas vieram com os primeiros imigrantes japoneses, coreanos e chineses que queriam trabalhar nas lavouras de café do Brasil, há aproximadamente 110 anos.
A filosofia ganhou força no país a partir dos anos 50, quanto as pressões vindas da Segunda Guerra Mundial se amenizaram. A cidade de Moji das Cruzes, em São Paulo, foi a primeira a abrigar um templo, o Zengen-ji.
Acredita-se que, atualmente, mais de 200 mil pessoas acompanham os ensinamentos de Buda no Brasil, exercido de acordo com as escolas tibetanas, Soto Zen, Theravada Kadampa e Terra Pura.
A monja Coen Roshi é uma das mais famosas budistas brasileiras da atualidade. Ela liderou diversas atividades no Templo Busshinji, na cidade de São Paulo. Ela, inclusive, é a primeira mulher e monja com ascendência não-japonesa que assumiu o cargo de presidente da Federação das Seitas Budistas do Brasil.

Monja Coen é uma das monges mais influentes da atualidade no Brasil. (Monja Coen)
Fique Sabendo!
Quem estuda as religiões e seus impactos no percurso das sociedades é a Teologia. Durante a graduação, o estudante tem a chance de conhecer os conceitos e crenças de diversas religiões, podendo atuar, quando formado, como professor, pesquisador ou até mesmo assessor de corporações religiosas. O curso de Teologia dura em média 3 anos, com disciplinas direcionadas para história, antropologia e, principalmente, aos ensinamentos da bíblia.