Religião africana mais praticada no mundo
O Candomblé é uma religião de matriz africana que cultua os orixás. O termo candomblé vem da junção das palavras quimbundo candombe (dança com atabaques) + iorubá ilê (casa), que significa casa da dança com atabaques. Decorrida do animismo africano, a religião tem por base a alma da Natureza. Em seu entendimento, os animais e plantas possuem espiritualidade.
Atualmente o candomblé reúne cerca de 3 milhões de adeptos em todo o mundo. Uma das religiões africanas mais praticadas no mundo, seus seguidores se espalham pela América e pela Europa, mas é no Brasil que está o maior número de praticantes do Candomblé. Os rituais candomblecistas são realizados em casas que recebem o nome de terreiros, nos quais os sacerdotes e adeptos encenam uma convivência com forças da natureza e ancestrais.
Ritual de Candomblé. (Foto: Wikimedia Commons)
Seus rituais podem ser: matriarcal – quando somente mulheres, as chamadas mães de santo, podem assumir a liderança; patriarcal - quando a liderança é assumida apenas por homens, os chamados pais de santo podem assumir a liderança; ou mista – quando a liderança do terreiro pode ser assumida por homens ou mulheres.
O Candomblé busca homenagear em seus rituais divindades de encarnações de forças naturais, bem como busca trabalhar questões terrenas. Constantemente, os orixás são homenageados com danças, roupas especiais e oferendas. Para o candomblecistas, os orixás são deuses supremos de personalidade e habilidades distintas que possui preferências ritualísticas.
O Candomblé recebe outras nomenclaturas em diferentes partes do Brasil. Em Recife, a religião é conhecida como Xangô, no Rio de Janeiro recebe o nome de Macumba. No entanto, o termo Macumba tem sido rejeitado pelos seguidores do Candomblé por ter uma conotação pejorativa.
Rituais do Candomblé
Os rituais do Candomblé duram no mínimo duas horas e reúnem até centenas de pessoas. Eles cultuam e adoram seus orixás, consideradas divindades africanas que representam as forças da Natureza.
Celebrado pelo bablorixá ou yalorixá (pai e mãe de santo, respectivamente), os rituais candomblecistas iniciam com o despacho do Exu. Em ritmo de dança, ao som de batidas de tambores, com oferendas de vegetais, minerais e sacrifício de alguns animais, os filhos de santo invocam seus orixás para que os incorporem em seus rituais.
Para os candomblecistas, os orixás são deuses que possuem personalidade e preferências ritualísticas, ou seja, eles escolhem em quem incorpora. Os rituais do Candomblé ocorrem nos terreiros e seguem normas que vão do uso dos trajes à higiene e alimentação. Cada orixá tem um dia específico, roupas com cores específicas e alimentos próprios. É necessário que tudo esteja purificado e à altura do orixá, por isso a higiene, a alimentação e os trajes devem ser adequados.
Fé Candomblecista
A crença do Candomblé é baseada no monoteísmo, embora alguns defendam a ideia de culto a vários deuses, cada nação do Candomblé cultua apena um deus. Existem três nações candomblecistas e cada uma cultua um deus.
A nação Ketu cultua Olorum, a nação Bantu, NZambi e a nação Jeje cultua Mawu. No Brasil, devido ao sincretismo, alguns participantes consideram o mesmo deus da Igreja Católica. Os candomblecistas acreditam na vida após a morte e na predestinação.
História do Candomblé no Brasil
A história do Candomblé se inicia no Brasil com a chegada dos africanos que vieram para o país escravizado. Eles se uniram para continuar praticando a sua religião em terras brasileiras e por volta do século XVIII, o Candomblé foi definido como prática religiosa.
Na época da escravidão, não era permitido que os africanos praticassem a sua religião e eles eram obrigados a seguir o cristianismo. Como forma de escapar da imposição da Igreja Católica, eles passaram a usar altar com imagens de santos católicos e, por baixo, os assentamentos escondidos para cultuar os orixás.
Culto ao Obaluaye no Olubaje Orossi no Candomblé. (Foto: Wikimedia Commons)
Daí surgiu a fusão das duas práticas religiosas, com reinterpretação de seus elementos, na qual cada santo católico representa um orixá. Essa prática chamada de sincretismo é observada apenas no Candomblé do Brasil, enquanto na África não existe essa fusão. O surgimento do primeiros terreiros ocorreu após a libertação dos escravos, período em que era comum observar muitos elementos do Cristianismo no Candomblé.
O sincretismo perdura até hoje, no entanto, alguns adeptos têm rejeitado essa fusão e busca adotar um Candomblé com base exclusivamente nos preceitos e nos elementos africanos. Para preservar a herança cultural da religião, foi criada a Lei Federal 6292, de 15 de dezembro de 1975, que tornou o Candomblé patrimônio material ou imaterial.
Patrimônio Cultura Brasileiro
O Instituto do Patrimônio Artístico e Histórico Nacional (IPHAN) considera vários dos espaços sagrados do candomblé como Patrimônio Cultural Brasileiro. A maioria dos terreiros, como também são chamados os espaços, ficam em Salvador, capital Baiana. São eles:
• Ilê Axé Iyá Nassô Oká;
• Ilê Axé Opô Afonjá;
• Ilê Iyá Omin Axé Iyamassé;
• Ilê Mariô Láji;
• Mansu Bandukenké;
• Ilê Oxumarê Axé Ogodô.
Obra de Oscar Niemeyer no terreiro Ilê Axé Ayá Nassô Oká, em Salvador. (Foto: Wikipedia)
Além desses, outros dois terreiros na Bahia receberam o título, são eles:
• Ilê Agboulá – em Itaparica, e;
• Zoogodô Bogun Malê Sejahundê – em Roça do Ventura, na cidade de Cachoeira.
Hierarquia Candomblecista
No Brasil, os cultos são divididos em: Ifá, Egungun, Orixá, Vodun e Nkisi. A depender do tipo de iniciação ao sacerdócio, ele pode mudar.
Ifá – culto patriarcal conduzido pelos babalorixás.
Egunguns – culto patriarcal que lida com a ancestralidade conduzido pelos Ojé.
Queto – culto misto conduzido por ialorixás e homens babalorixás que entram em transe com orixá.
Jeje – culto misto conduzido tanto por homens quanto por mulheres Vodunsis, que entram em transe com vodun.
Banto – culto misto no qual mulheres iniciadas muzenzas entram em transe com nkisi.