Corrente que propaga a suspensão do juízo sobre crenças
O ceticismo trata-se de uma corrente filosófica que releva questionamentos sobre ocorrências, opiniões, pensamentos e crenças convencionadas pelo senso comum como verdades. Portanto, essa corrente defende que o indivíduo não pode chegar a nenhuma certeza. Um dos principais nomes desse estudo é o filósofo Pirro de Elis (360 - 275 a.C.).
O que significa ceticismo
De acordo com o estudo do ceticismo, essa corrente corresponde à indagação sobre fenômenos que nos rodeiam. O termo é derivado do grego khépsi que quer dizer exame ou investigação. Em síntese, o ceticismo diz respeito ao estado da dúvida.
O Ceticismo é corrente filosófica que aborda indagação sobre natureza das coisas (Foto: Shutterstock)
O ceticismo tem como as aspecto alguns fundamentos como, por exemplo: não é possível fazer juízos sobre os fenômenos (se são reais ou falsos), pode ser realizados questionamentos sobre tudo, não defende dogmas e também não leva em afirmação se um determinado fato é legítimo ou falso.
A classificação do Ceticismo
O ceticismo pode ser classificado em duas formas: exagerado ou moderado. Este trata-se do estado da dúvida com fundamento, ou seja, quando uma pessoa possui dúvidas, mas têm razões para duvidar de uma determinada ação. Esse fator trata-se de um ceticismo moderado.
É considerado também como moderado, a dúvida propagada para chegar-se ao conhecimento. Por exemplo, o filósofo René Descartes desenvolveu escritos sobre esse estado, conhecido como a dúvida cartesiana, trabalho que consiste no ceticismo metodológico.
O estudo elaborado por René Descartes resume no seguinte princípio: “tudo o que é duvidoso, seja considerado falso”. Os escritos elaborados por ele foram de grande importância para entender a busca do conhecimento verdadeiro sobre a natureza das coisas.
O ceticismo exagerado, por sua vez, corresponde ao estado da dúvida que quando colocada no cotidiano, atrapalha a vida prática do indivíduo. É exagerado também quando a pessoa dúvida, apenas por duvidar, sem nenhuma razão para esse fato.
O filósofo Pirro de Elis
O filósofo Pirro de Elis é considerado na história como o precursor do ceticismo. Pirro passou a ter aproximação com a filosofia através das obras desenvolvidas por Demócrito, antes disso sua profissão era pintor.
Pirro nasceu na cidade de Elis e é tratado como o primeiro filósofo dos estudos do ceticismo, apesar de não haver obras dele. Suas ideias são conhecidas através dos escritos de Tímon de Fliunte (360-230 a.C). Pirro foi também o responsável por criar a escola que tem origem do seu nome “pirronismo”.
Pirro teve contato com culturas, costumes e doutrinas, além do misticismo de pensadores da Índia e da Pérsia, durante uma viagem realizada com Alexandre, o grande e com o filósofo Anaxarco. Isso trouxe ao filósofo experiências que influenciaram na forma de pensar. Diante disso, ele manifestou sua postura cética como não saber o que é certo ou errado, bom ou ruim.
O que é acatalepsia
Dentro da filosofia de Pirro de Élis há termos como acatalepsia. Essa expressão diz respeito a inviabilidade de compreender as coisas e ainda a impossibilidade de agarra-se a algo como uma verdade absoluta. A palavra nessa corrente filosófica expressa que as coisas não passam de ilusão.
O termo “Epoché”
Epoché é um termo grego no qual corresponde ao ato de suspender o julgamento sobre as coisas. Essa expressão remete a ideia de que ao invés de um indivíduo apegar-se a verdade de um fato, ele deve abster-se e não pôr em juízo.
A história
O ceticismo na história tem a aparição na Grécia clássica que teve como um dos primeiros filósofos Pirro de Elis. Além dele também havia Carneades no qual defendeu a impossibilidade da certeza do conhecimento. Havia também Sexto Empírico (200 a.C) que foi um filósofo apresentado como a maior autoridade do ceticismo da Grécia.
Ceticismo x dogmatismo
O ceticismo e o dogmatismo são dois fundamentalismos que são opostos. Ao contrário do que aborda o ceticismo, os dogmáticos não sujeitam suas crenças às críticas ou análises. Portanto, acreditam em fenômenos sem recorrer à veracidade.
Os dogmas estão presentes, por exemplo, nas religiões que podem haver adeptos que não manifestam questionamentos, mas apenas seguem as doutrinas estabelecidas.
O que era o ceticismo filosófico
O ceticismo filosófico no período helenístico teve início com as concepções de Pirro de Elis e também através de Tímon. Essa corrente tem como aspecto a desconfiança sobre os ensinamentos gerais e também rejeitam os pensamentos propagados por Platão, Aristóteles, Epicuro e Zenão de Cítio que tinham em comum verdades universais.
Com base na teoria cética, a verdade não existe. Todavia, esse pensamento pôs em contradição essa corrente filosófica. Pois ao analisar, a afirmativa pode-se pensar em um paradoxo cujo ao menos a inexistência da verdade é uma verdade. Portanto, ao afirmar um enunciado qualquer, entende-se que ele é legítimo.
Em razão disso, os pensadores do ceticismo começaram a promover o levantamento de hipóteses sobre a verdade. Contudo, não era favorável argumentar que uma determinada declaração é legítima ou falsa. Em vez disso, era preciso permanecer no estado da dúvida e não dizer se um fato é real ou mentira.