Doutrina filosófica e ética criada por Kung-Fu-Tzu, o Confúcio
O fundamento não é definido como religião, uma vez que sua essência está no entendimento das condutas morais e da ordem social, portanto não se encaixa nas ideologias religiosas geralmente pregadas no ocidente. Além disso, no confucionismo não há igrejas, templos ou qualquer organização em formato de clérigo. Também não existe a concepção de um deus todo poderoso e onipotente, assim como a ideia de vida após a morte.
Confúcio não é visto como profeta, muito menos sacerdote. Ele é tido como um guia espiritual, uma espécie de filósofo que educa seus seguidores para encontrar os caminhos da harmonia.

Escultura em pedra de Kung-Fu-Tzu, o Confúcio (Foto: Pixabay)
Vale destacar que o senso de humanidade é o principal alicerce do Confucionismo. Acredita- se que todos os seres humanos são bondosos. Portanto, enquanto doutrina, o Confucionismo irá pregar que é necessário se conciliar o temperamento humano com as posições políticas e sociais.
Os representantes políticos são tidos como “pais do povo”, porém obedecem a autoridade do céu. Já o arranjo familiar é considerado a base fundamental do ser humano, pois o primeiro contato do sujeito com o senso de disciplina, ordem e consciência política é dentro dela.
Por isso, o casamento é um dos principais rituais da doutrina. Os matrimônios concretizam de vez a formação de uma nova família.
A Doutrina Confucionista
Jen (bondade): a virtude mais elevada das existentes. Conhecida como a lógica do “amor ao próximo”, é a conduta da reciprocidade, do humanitarismo e benevolência.
Chun-Tzu (homem superior): de acordo com Confúcio, o homem atinge a perfeição quando é sábio, humilde, sincero, amável e justo.
Cheng-ming (comportamento adequado): o homem deve cumprir as regras de conduta, isto é, ajustar seu comportamento no dia a dia.
Te (poder e autoridade): o domínio do poder é necessário para se governar, porém deve ser feito de forma equilibrada e justa.
Li (consciência da vontade do céu): os governantes devem proporcionar um confortável padrão de vida ao povo, ofertando educação moral e aos rituais, pois sem estes aspectos o homem não é capaz de cultuar de forma adequada seus ancestrais e deuses do universo.
Wen (artes e música): toda expressão artística é encarada como uma riqueza da sociedade.
Então, por conta dessas virtudes, o Confucionismo ressalta que o homem não tem necessidade de um deus ou ser superior para ajudá-lo a alcançar a paz interior. Ele mesmo tem todas as armas para prosperar sua vida.
Práticas do Confucionismo
A cerimônia, que acontecia no solstício de inverno, era uma forma de oferecer alimentos e vinho a este ser supremo na tentativa de que as preces em nome do povo fossem atendidas. Outra prática era a adoração aos ancestrais, pedidos para que os espíritos dos mortos ajudassem os vivos na busca pela prosperidade e harmonia.
Em sinal de gratidão e respeito, os familiares dos mortos colocavam roupas, alimentos ou armas em seus túmulos e faziam orações. Caso os rituais não fossem cumpridos, acreditava-se que os espíritos, em forma de fantasmas, voltavam para atormentar os vivos.
O culto da piedade filial, mais um caminho de adoração, consistia no total zelo e dedicação dos membros mais jovens das famílias aos mais velhos, inclusive após a morte. Além desses, existia o prognoticismo (habilidade da adivinhação), que consistia na interpretação das figuras feitas na terra, na observação dos relâmpagos, pássaros ou tudo que estivesse ligado ao céu, e o Feng Shui, uma técnica oriental para construção e arrumação das casas conforme a energia vital da terra.
O Nascimento do Confucionismo
Durante toda sua vida pregou que o ser humano deveria se preocupar apenas com a busca da sabedoria e da capacidade de se colocar no lugar do outro, ou seja, ter empatia. O criador do Confucionismo era apreciador dos ensinamentos de Buda (fundador do Budismo) e de Lao-Tsé (precursor do Taoismo). Morreu aos 73 anos, deixando mais de 3000 adeptos das suas teorias filosóficas.