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Inquisição

Postado por Brenda Chérolet em 18/02/2019 e atualizado pela última vez em 21/07/2020

A luta da igreja católica pela hegemonia cristã


Inquisição é o nome dado a um movimento da igreja católica ocorrido nos séculos XVII e XVIII. Também ficou conhecido na História como Tribunal do Santo Ofício e Santa Inquisição


O movimento da Inquisição teve como cenário países da Europa e das Américas, inclusive o Brasil. O principal motim desencadeador deste movimento foi a tentativa da igreja católica em continuar com a sua hegemonia. Isto porque, neste período, alguns grupos voltaram-se contra os princípios cristãos e começaram a pregar contra o catolicismo

Para combater o desenvolvimento desses grupos, franciscanos e frades puseram-se à disposição da igreja para coordenar a inquisição e punir os hereges. As pessoas que contrariavam os dogmas do catolicismo eram chamadas de hereges e dividiam-se em outros grupos dentro da doutrina de heresia. Dentro desta própria doutrina existia um grupo secreto que acreditava que o Papa era um herege. 

A este grupo deu-se o nome de cátaros. Os membros da heresia despertavam a fúria da igreja católica. Por isso, foram perseguidos e punidos. Dentre os punidos pela Inquisição está Joana d’Arc, líder do exército francês na Guerra dos Cem Anos. Para a igreja, ela era uma herege e acabou sendo queimada na fogueira. 


Acusados de heresia eram punidos em local público. (Foto: Wikipedia)

Os cátaros ocuparam o sul da França, no século XVII. Embora também fossem hereges, faziam parte de uma seita chamada de catarismo. Este grupo incentivava o aborto e o suicídio sob alegação de que tudo o que era material, inclusive as pessoas, não vinham de Deus.

Os acusados na Inquisição eram denunciados e convocados para prestar esclarecimentos, mesmo que não houvesse provas contra o suspeito de heresia. O acusado não poderia saber quem o acusou. O inquisidor ia até praças e igrejas para ler o documento dos pecados que poderiam ser perdoados, enquanto que o acusado ia para o Tribunal de Santo Ofício. 

Para os inquisidores, a humilhação era a melhor forma de castigo e servia para amedrontar outras pessoas. Assim, a forma de tortura mais usada na época era a de cortar o calcanhar do herege e queimar em brasas. Além desta punição, existiam outros meios de tortura como a prisão, prisão perpétua e a morte. 


Inquisição no Brasil


Estima-se que 500 pessoas tenham sito vítimas de tortura da inquisição no Brasil, que iniciou-se no período Brasil colônia e durou cerca de três séculos. O movimento político-religioso da igreja católica no país foi mais brando em comparação ao que ocorreu na Europa, embora também tenha sido marcado por violência e intolerância religiosa

A igreja católica possuía uma lista com o que era considerado crime na inquisição. Nesta lista incluía feitiçaria e práticas judaicas. A maioria das vítimas foi do Nordeste do país e judeus que moravam em terras brasileiras. Além disso, no período do descobrimento, os índios, considerados curandeiros naturais, já habitavam o país e foram, por isso, uns dos perseguidos. 

Dentre os perseguidos pela nacionalidade judaica, estava a tropa de Pedro Álvares Cabral. Das 13 naus que chegaram com Cabral, 11 tiveram que mudar o nome. Essas pessoas de origem judaica tiveram que mudar seus nomes forçadamente pelo catolicismo. Assim, a estas pessoas têm-se a referência de “Cristãos-Novos”. Assim, como sua tropa, Cabral tinha descendência judaica que converteu-se ao cristianismo. 


Práticas condenadas pela inquisição no Brasil


Sodomia

A prática da sodomia era proibida pela igreja católica e quem a desobedecesse poderia ser julgado no Tribunal do Santo Ofício. Nota: denúncias e confissões sexuais do período da inquisição foram compilados e reunidos em documento intitulado “Confissões da Inquisição”. 

Bigamia

A bigamia no período da inquisição era passível de punição como a prisão. Religiosos também poderiam ser excomungados e privados de benefícios.

Bruxaria

Para a igreja católica, na época da inquisição, qualquer crença ligada a outra religião, senão ao cristianismo, era considerada bruxaria. No Brasil há registros de mulheres que morreram queimadas na fogueira sob acusação de praticar bruxaria.

Nomes como Mima, Isabel Pedrosa de Alvarenga e Ursulina de Jesus são exemplos de mulheres que morreram vítimas da inquisição no Brasil. Em comum, inquéritos foram abertos após a morte delas e descobriu-se que as acusações não possuíam fundamentos e as denúncias haviam sido feitas por motivos como inveja ou desavença pessoal.

Além destes, um caso notável envolvendo a paulistana Maria da Conceição também foi registrado. Ela foi queimada viva porque um padre não tinha simpatia por ela. Por este simples motivo, a acusou de bruxaria e a denunciou. Maria foi queimada em uma fogueira próxima ao convento de São Bento, localizado no Centro de São Paulo.


Museu da Inquisição


Na cidade de Belo Horizonte está o Museu da História da Inquisição no Brasil, fundando em 2012. No local, os visitantes podem conhecer mais sobre a história da inquisição no Brasil, ver de perto as réplicas das ferramentas de tortura e ter acesso aos documentos originais da época.

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