Deuses do Candomblé
Os orixás do Brasil são divindades que se assemelham aos orixás da África. Eles estão diretamente ligados aos elementos da natureza (água, ar, fogo e terra) e dominam energias capazes de movimentar o universo e a vida humana.
Cada um tem personalidades, histórias e desejos. Assim como os homens, são movidos pelos sentimentos de amor, raiva, paixão, ciúmes, inveja, etc. Dentro das tradições são cultuados de formas (saudações, vestimentas, rezas, comidas, entre outros) e dias específicos.
Os orixás são portadores do axé – forças responsáveis pela criação da luz e dos caminhos de energia positiva. Alguns deles nasceram e viveram na terra, como Xangô e Oxóssi, outros apenas participaram da criação.
Orixás do Brasil: sincretismo religioso
Durante séculos foi proibido o culto às divindades de matriz africana no Brasil. Os adeptos tiveram que associar a imagem dos orixás aos santos da Igreja Católica para burlar a doutrinação cristã. Essa relação é chamada de sincretismo – junção de doutrinas religiosas e reinterpretação das normas. Por isso que, no Candomblé, Ogum é visto como Santo Antônio, e Iemanjá de Nossa Senhora da Conceição.
Os orixás do Brasil pertencem a corrente afro-brasileira dentro do Candomblé. Seus cultos são divididos em em Ifá, Egungun, Vodun e Nkisi, e cada terreiro tem o orixá protetor. Cabe aos ialorixás ou babalorixás os cuidados com a parte terrena.

Representação dos orixás do Brasil no Museu Afro Brasileiro, em Salvador. (Foto: Pixabay)
A conexão com essas divindades acontece por meio de sacrifícios, festas, danças e oferendas, sendo que cada um tem uma linguagem particular (em ioruba). As músicas, a velocidade dos ritmos, as cores e os rituais de comportamento criam o elo entre o orun (céu) e o aiyé (terra).
Orixás do Brasil
Ainda não foi possível mapear todos os orixás do Brasil, pois são descendentes de ancestrais africanos. Nas tribos tinham denominações diferentes, mesmo que fossem os mesmos.
Oxalá
A divindade da criação e criatividade. É o pai da humanidade e dos orixás, o mais poderoso. Ele se apresenta na forma de um jovem guerreiro e destemido, ou de um velho sábio.
• Dia: sexta-feira
• Cor: branco
• Elementos: ar
Iemanjá
A rainha soberana dos mares e oceanos, a mãe de todos os orixás. É a protetora dos pescadores e todos aqueles que têm as vidas ligadas ao mar. Na Bahia, dia 2 de fevereiro é voltado para homenagens, e no Rio de Janeiro, 31 de dezembro.
• Dia: sábado
• Cor: branco, prata, azul e rosa
• Elementos: água
Nanã
A mais velha dos orixás, por isso é vista como a guardiã da morte e dos segredos. A senhora das águas profundas, nevoeiros e pântanos. Também é responsável pela criação do corpo humano.
• Dia: terça-feira
• Cor: branco e roxo
• Elementos: terra e água (lodo)
Omulu ou Obaluaiye
Orixá que domina a terra e o sol. Tem o poder de criar e curar doenças, por isso é o protetor dos enfermos. No sincretismo religiosos são os santos São Roque e São Lázaro.
• Dia: segunda-feira
• Cor: preto, branco e vermelho
• Elementos: terra e fogo
Oxumarê
Divindade que controla o arco-íris, a natureza, a passagem dos dias e anos, o movimento e a continuidade. É associado a figura de São Bartolomeu.
• Dia: terça-feira
• Cor: amarelo, verde e preto
• Elementos: céu e terra
Exu
O orixá que mais se assemelha aos humanos, pois mescla qualidades boas e ruins. Tem o poder de criar a paz e/ou o caos. É a divindade da comunicação e do equilíbrio. No Cristianismo tem sua imagem ligada ao demônio.
• Dia: segunda-feira
• Cor: vermelho e preto
• Elementos: fogo e terra
Ogum
O deus da guerra e da tecnologia. Protetor dos caçadores, tem o poder de controlar o ferro. No sincretismo baiano é considerado Santo Antônio. Já no carioca, de São Jorge.
• Dia: terça-feira
• Cor: verde, azul escuro e vermelho
• Elementos: terra e fogo
Oxóssi
Orixá da caça e protetor das florestas, plantas e animais. Corresponde a fartura, expansão e propagação do conhecimento.
• Dia: quinta-feira
• Cor: azul turquesa
• Elementos: terra
Oya ou Iansã
A deusa dos ventos, tempestades e da coragem. Tem o controle dos raios e espíritos. No sincretismo é ligada a figura de Santa Bárbara.
• Dia: quarta-feira
• Cor: vermelho, coral e rosa
• Elementos: ar e fogo
Oxum
Divindade dos rios, nascentes e cachoeiras. É símbolo de sensualidade, beleza, delicadeza e coragem. No sincretismo religioso é Nossa Senhora Aparecida.
• Dia: sábado
• Cor: amarelo e dourado
• Elementos: água
Xangô
Divindade dos trovões, tempestades e justiça. É considerado um guerreiro violento e vaidoso. No Candomblé representa a imagem de São Jerônimo.
• Dia: quarta-feira
• Cor: vermelho, marrom e branco
• Elementos: fogo e terra
Ossain
Orixá das matas e das folhas. Domina o poder de cura das plantas, por isso é considerado a divindade da medicina. No Candomblé remete a São Benedito.
• Dia: quinta-feira
• Cor: verde e branco
• Elementos: terra
Obá
Orixá guerreira que domina as lagoas. Na mitologia africana aparece como uma mulher que envolveu-se com a política e comércio.
• Dia: sábado
• Cor: vermelho e branco
• Elementos: fogo e água