Filosofia de vida que prega a relação harmoniosa entre o homem e a natureza
O xintoísmo é uma religião de origem japonesa cujo objetivo é estabelecer a harmonia entre o homem e a natureza. O xintoísmo é considerado um modo de vida do povo japonês, que diferente de outras entidades religiosas não possui um fundador, nem um livro sagrado, mas baseia-se em textos antigos chamados de Shinten, são eles: O Kojiki: A mais antiga escritura, uma trilogia que conta as mais antigas histórias sobre a mitologia japonesa; a segunda é a Nihonshoki ou Nihongi que são crônicas japonesas, e a última Kogo-shui que fala sobre a família dos Imbe.
Acredita-se que existe cerca de 120 milhões de adeptos ao xintoísmo no Japão, podendo atingir um resultado ainda maior, pois a religião já possui diversos santuários espalhados por todo o mundo, inclusive no Brasil, onde o templo encontra-se localizado no estado de São Paulo. O principal símbolo do xintoísmo é o Torri, que representa o respeito e a vida em harmonia com a natureza.

Torii, principal símbolo do xintoísmo. (Fonte: Pixabay)
Origem
Antigamente, o xintoísmo não tinha uma nomenclatura definida, mas após a expansão do Budismo, no século VI, os adeptos do xintoísmo sentiram a necessidade de atribuir a esta filosofia de vida um nome.
A origem do nome xintoísmo é derivada da palavra Xinto, uma união entre duas palavras de origem chinesas, o Shin (Deus) + To/ Do (Caminho), chamada de “O caminho dos Kami”. Diferente de outras religiões, o xintoísmo não possui fundador, os seus seguidores acreditam que o xintoísmo nasceu naturalmente e é parte da cultura japonesa.
As crenças e fundamentos do xintoísmo começam no período Jamon (8000 a.E.C. – 300 a.E.C), neste momento começa a ser difundida a ideia de ter uma filosofia de vida baseada em tentar estabelecer uma relação harmoniosa entre homens e os elementos da natureza como: montanhas, rios, trovões, vento, ondas, árvores e pedras.
Já no século VI, com a expansão dos conceitos budistas, o xintoísmo passa a se tornar a religião oficial do Japão, quando reconhece os ancestrais da família imperial como seres divinos, tornando o imperador a pessoa de maior importância religiosa para os xintoístas.
Foi em 1946 que o xintoísmo estatal foi dissolvido, após a Segunda Guerra Mundial, quando tropas americanas ocuparam o território japonês e obrigaram o imperador Hirohito a renunciar o seu título de divindade. Depois deste episódio, o xintoísmo perdeu o cunho religioso e passou a fazer parte da cultura japonesa.
As práticas Xintoístas
O xintoísmo atribui um valor sagrado aos
Kamis, que são seres divinos responsáveis por manter o equilíbrio entre o homem e a natureza gerando uma harmonia entre os dois, sem necessariamente separar um do outro. Para o xintoísmo não existe separação do ser real e do não real. Para o xintoísmo o homem deve levar uma vida pura e em harmonia com a natureza que são atingidos através dos rituais de purificação.
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Anzan kigan: comemora a gestação e é utilizada para pedir uma gravidez tranquila e saúde para a mãe e filho.
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Hatsumiya kigan: comemora o Batismo.
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Itinen kigan: comemora o aniversário de 1 ano da criança.
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Sansai kigan: comemora o aniversário de 3 anos de vida da criança (meninos e meninas).
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Gosai kigan: comemora o aniversário de 5 anos de vida da criança (somente aos meninos).
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Nanasai kigan: comemora o aniversário de 7 anos de vida da criança (somente às meninas).
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Seijin kigan: comemora a maioridade da criança.
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Kekkon kigan: cerimônia de Casamento.
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Kekon kinen kigan: cerimônia de Bodas (10 anos, 30 anos, 50 anos e 60 anos).
Diferente de outras religiões, que tem um dia da semana específico para realizar os seus cultos, o xintoísmo possui períodos especiais para realizar os seus agradecimentos aos Kamis. Entre as principais datas comemorativas estão:
• Os Equinócios – Este período marca o início da Primavera e do Outono.
• 11 de Fevereiro - Dia em que o primeiro imperador subiu ao trono.
• 29 de Abril – Dia dedicado ao respeito a natureza.
• 3 de Maio – Dia da constituição.
• 5 de Maio – Dia das Crianças.
• 15 de Setembro – Dia em respeito ao idoso e para agradecer e desejar longevidade.
• 10 de Outubro – Dia do desporto.
• 3 de Novembro – Dia da Cultura.
• 23 de Dezembro – Onde comemora-se o aniversário do imperador.
• 31 de Dezembro – A Festa do Ano Novo, onde os seguidores realizam a primeira cerimônia do santuário.
Princípios do Xintoísmo
A cultura do xintoísmo possui três princípios básicos:
• Musubi – Indica a origem da criação e estabelece uma relação entre o homem e os Kamis, ou seja, o real e o divino em harmonia.
• Makoto – São virtudes alcançadas ao obter o contato com os Kamis.
• Tsunagari – O conceito de continuidade, onde todos devem se doar uns para os outros.
Na mitologia, para a morada dos Kamis considera-se duas teorias, a primeira é o vertical, que possui três mundos diferentes. "Alta planície", morada dos Kami no céu, é descrito como um lugar harmônico dedicado aos Kamis divinos. Sendo considerado um mundo perfeito.
O segundo, chamado de "País do Meio da Planície dos Canaviais", lugar onde vivem os homens, considerado o lugar onde os Kamis descem. E o último, é um mundo subterrâneo conhecido como a terra de "Yomi" ou mundo dos mortos, lugar onde vivem os espíritos malignos que atormentam e levam os homens a cometer maldades. Conta-se que, ao descer à terra dos mortos, o espírito é consumido pelo fogo e nunca mais retornará ao mundo dos vivos.
O segundo conceito é o horizontal, que coloca dois países lado a lado, um é chamado de "País do Meio", e o outro "País dos Mortos", que diferente da concepção anterior, não é um submundo, mas um lugar com boas energias, no qual o homem tem uma interação harmônica com os elementos da natureza e é considerado puro, onde qualquer influência negativa dar-se através do mundo inferior.
Templos
Para entrar em um templo sagrado do xintoísmo é necessário passar pelo Torii, que fica localizado logo na entrada de cada santuário, esta é uma forma simbólica de conservar a ideia de que deve-se adotar boas práticas a partir dali.
No Japão existem vários templos espalhados pelo país e todos os japoneses moram próximo a um santuário xintoísta, pois acredita-se que o espírito Kami irá proteger os membros da família. O principal templo do xintoísmo é o Kashikodokoro, construído no palácio imperial de Tóquio. O santuário foi criado pelo imperador com o objetivo de realizar seus rituais de purificação e para homenagear os seus ancestrais.