0

Sua mochila está vazia!

Laços de Família

Postado por Samara Rodrigues em 20/08/2025 e atualizado pela última vez em 26/08/2025
A obra “Laços de Família” é composta por uma coletânea de contos que se interligam através de uma temática central, os laços familiares.  Através da história de personagens comuns do dia a dia, Clarice Lispector expõe o quanto a rotina e a relação familiar influenciam no decorrer da vida. Esses laços acabam dificultando que os personagens reconheçam seu próprio eu, gerando um aprisionamento que, em certo momento, desperta uma breve necessidade de libertação.

Estrutura da obra Laços de Família 


“Laços de família” é um livro estruturado com um total de treze contos. Seis deles já haviam sido publicados anteriormente. O conto "O Jantar" foi escrito em 1943 e publicado no jornal “A Manhã” em 1946. 

"O Crime do Professor de Matemática" foi publicado anteriormente como “O Crime” em um jornal nacional e possuía uma versão diferente da definitiva. Em 1952, “Amor”, “Mistério em São Cristóvão”, “Começos de uma Fortuna” e “Uma Galinha” já haviam sido publicados em formato de coletânea, chamado de “Alguns Contos”.

Devaneio e embriaguez de uma rapariga


Uma dona de casa dedicada, boa esposa e mãe, certo dia se depara com si mesma diante do espelho. Observou e envolveu-se em um incomum devaneio.Os olhos não se despregavam da imagem, o pente trabalhava meditativo, o roupão aberto deixava aparecerem nos espelhos os seios entrecortados de várias raparigas.

Aproveitando a ausência do marido, que estava no trabalho, e dos filhos, que passeava na casa das tias, passou dois dias deitada na cama. Confusa e inércia, concedeu esse privilégio a si mesma. Não se levantou da cama nem para preparar o jantar o que fez o marido pensar estava doente. Não tinha certeza sobre suas divagações. 

Ela ainda à cama, tranquila, improvisada. Ela amava… Estava previamente a amar o homem que um dia ela ia amar. Quem sabe lá, isso às vezes acontecia, e sem culpas nem danos para nenhum dos dois. Na cama a pensar, a pensar, quase a rir como a uma bisbilhotice. A pensar, a pensar. O quê? ora, lá ela sabia. Assim deixou-se a ficar.

Por fim, precisou levantar-se para acompanhar o marido em um jantar de negócios. Embriagou-se e desatou a falar sobre tudo que vinha a sua mente e ria, estava entusiasmada consigo mesmaPalestrava, e ouvia com curiosidade o que ela mesma estava a responder ao negociante abastado que, em tão boa hora, os convidara e pagava-lhes o pasto. Ouvia intrigada e deslumbrada o que ela mesma estava a responder: o que dissesse nesse estado valeria para o futuro em augúrio – já agora ela não era lagosta, era um duro signo: escorpião. Pois que nascera em novembro.

Sentiu inveja de uma elegante moça que chegou ao restaurante. Para não se menosprezar, ponderou que a mulher não passava de uma vendedora de hortaliça que se passava por uma dama.Ao voltar para casa, olhou para seus dedos dos pés e começou a pensar na sua atitude durante o jantar. 

Refletiu seu poder de sedução ao perceber certo interesse do homem que pagava o jantar do casal. Apesar tudo, divertiu-se muito. Passaria o dia seguinte acamada, consequente da sua comilança e embriaguez, mas no dia seguinte retomaria sua vida normal e deixaria a casa limpa.

A inquietação de Ana: entre a rotina e o abismo interior


Ana é uma mulher que tinha necessidade de sentir firmeza nas coisas e encontrou sua base no lar. Tinha um marido verdadeiro e os filhos que tivera eram filhos verdadeiros.Contudo, certa hora da tarde era mais perigosa. Sozinha em casa, Ana começava a refletir sobre o passado. Observando sua juventude, “parecia-lhe estranha como uma doença de vida”.

A exaltação perturbada que se confundia como uma felicidade insuportável, desta forma, acredita que caiu no caminho de mulher graças a surpresa do destino e coube tão bem nele, como se o tivesse inventado. Criara em troca algo enfim compreensível, uma vida de adulto. Assim ela o quisera e escolhera. Ao voltar de mais um dia normal de compras, alguma coisa estranha lhe ocorreu. Então, deparou-se com um homem cego que mascava chicles.

Ele mastigava goma na escuridão. Sem sofrimento, com os olhos abertos. O movimento da mastigação fazia-o parecer sorrir e de repente deixar de sorrir, sorrir e deixar de sorrir – como se ele a tivesse insultado, Ana olhava-o. E quem a visse teria a impressão de uma mulher com ódio. Mas continuava a olhá-lo, cada vez mais inclinada.

Este homem a deixou inquieta, sentiu um súbito mal estar. Angustiada, desceu no Jardim Botânico e caminhou sem destino. O cego a fez devagar entre a vida real e o imaginário. A crueza do mundo era tranquila. O assassinato era profundo. E a morte não era o que pensávamos.

Pensava na riqueza do mundo e na pobreza humana, aspirava a beleza fascinante da natureza e sentia nojo. O Jardim era tão bonito que ela teve medo do Inferno. Voltou correndo para casa, em certo desespero. Ao encontrar o filho, o abraçou-o com força. Com a fé abalada, Ana precisava de sua família. Após o jantar, percebendo sua estranheza, o marido a colocou pra dormir. Ela não era mais a mesma.

Análise da obra Laços de Família


Publicado por Clarice Lispector em formato de livro em 1960, “Laços de Família” é uma produção misteriosa, cheias de metáforas e interpretações. Os personagens principais da obra, são figuras comuns abaladas repentinamente durante seu cotidiano.


Clarice Lispector (1920-1977)

Os devaneios que marcam estes momentos, estabelecem nos personagens uma reflexão sobre quem eram e quem são, as possibilidades e a realidade que sempre tem um laço familiar.

Clarice era uma autora muito realista. Essa obra parece ser um reflexo de algumas experiências da autora que, apesar de ser uma mulher branca e fazer parte da classe média carioca, trazia para suas histórias os recortes sociais daquela época.  

Curiosidade Laços de Família


Bem recebido pela crítica, “Laços de Família” ganhou o Prêmio Jabuti de Literatura na categoria de contos, crônicas e novelas no ano de 1961.

Nome do livro: Laços de Família
Autor: Clarice Lispector
Primeira publicação: 1960
Gênero: Contos
Obras relacionadas: A hora da estrela, Água viva, Um sopro de vida

Veja bolsas de estudo para faculdade!


Assim como Clarice Lispector retrata em Laços de Família os dilemas, as escolhas e as transformações que fazem parte da vida, o momento de decidir sobre o futuro acadêmico também exige coragem e reflexão. Cada personagem de Clarice carrega um universo interno em constante descoberta, e essa busca por novos caminhos também se reflete na educação.

Com o Educa Mais Brasil, você pode transformar seus sonhos em realidade. O programa oferece bolsas de estudo para faculdades em diversas áreas do conhecimento, tornando a decisão de ingressar no ensino superior mais acessível e possível.

Se em Laços de Família os personagens enfrentam conflitos e escolhas que mudam suas trajetórias, você também pode escolher o rumo da sua história: investir na sua formação, abrir portas para novas oportunidades e escrever capítulos de conquistas.

Artigos Relacionados

Auto da Barca do Inferno é uma alegoria dramática de Gil Vicente, escrita em 1517. Em cena, realiza o julgamento das almas em um porto.

A Rosa do Povo é uma obra de Carlos Drummond de Andrade composta por 55 poemas que expressam o momento social da época.

Alguma Poesia é uma obra de Carlos Drummond de Andrade, produzida a partir de 1925 e publicada em 1930, composta por 49 poemas modernistas.

Autor: Clarice Lispector
Primeira Publicação: 1960
Gênero: Contos
Obras Relacionadas: A hora da estrela, Água viva e Um sopro de vida
Quer estudar
pagando menos?
Com o Educa Mais Brasil você estuda com desconto até o final do curso!
×Graduação
Curso que deseja estudar