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Macunaíma

Postado por Adriele Oliveira em 18/08/2025 e atualizado pela última vez em 25/08/2025
Macunaíma nasce no fundo do Mato-Virgem, filho da índia tapanhumas e do medo da noite. Era preto retinto, de cor carregada, uma criança feia, o herói de nossa gente. 

Macunaíma era uma criança preguiçosa e fora do comum. Não falava, quando o incentivavam a falar, ele respondia “Ai que preguiça”. Quando completou seis anos bebeu água de chocalho e o problema foi resolvido.

Vivia deitado, só animava quando via dinheiro ou quando a família ia tomar banho no rio. Todos nus, era a oportunidade que encontrava de passar a mão na graça das mulheres.

"Quando era pra dormir trepava no macuru pequeninho sempre se esquecendo de mijar. Como a rede da mãe estava por debaixo do berço, o herói mijava quente na velha, espantando os mosquitos bem. Então adormecia sonhando palavras-feias, imoralidades estrambólicas e dava patadas no ar."

Tinha dois irmãos, Maanape, já velhinho, e Jiguê, homem forte e companheiro de Sofará. Durante um passeio com Sofará no meio do mato, Macunaíma transforma-se em um belo príncipe fogoso e brinca com a moça. Corriam mato a fora, brincando, enquanto seu irmão estava fora. 

Índio e europeu, a obra revela a composição da cultura brasileira

A vingança de Macunaíma e o castigo materno no Cafundó do Judas


Certo dia, Macunaíma inventa de fazer uma armadilha para caçar anta. Seu feito funciona e toda tribo vai buscar o bicho, admirando a inteligência do menino que obteve a caça antes do seu irmão.

Com inveja da conquista, Jiguê dá apenas as tripas do bicho para Macunaíma comer. O herói jura vingança e pede que Safará o leve para passear no mato. Desconfiado, Jiguê os segue e descobre a traição, bate no irmão e devolve a moça ao pai.

Logo, Jiguê arranja outra mulher, Iriqui. Macunaíma tem uma ideia, pede para a mãe fechar os olhos e transporta ela e a casa para o outro lado do rio, fato de alimentos. 

Contrariado por sua mãe tirar alimentos para seus irmãos que estão passando fome, Macunaíma repete o episódio e leva tudo de volta para o lugar de antes. Assim, todos ficam com fome mais uma vez.

"Então a velha teve uma raiva malvada. Carregou o herói na cintura e partiu. Atravessou o mato e chegou no capoeirão chamado Cafundó do Judas.
(...) — Agora vossa mãe vai embora. Tu ficas perdido no coberto e podes crescer mais não. E desapareceu. Macunaíma assuntou o deserto e sentiu que ia chorar. Mas não tinha ninguém por ali, não chorou não."

Do perigo à metamorfose: a jornada de Macunaíma no mato


Depois de ser mandado embora e passar uma semana caminhado sem rumo, encontra Currupira, que come gente. Macunaíma pede comida e Currupira dá-lhe um pedaço de sua própria perna pro menino comer, depois passa a caçá-lo se guiando pelo pedaço de sua carne que estava na barriga de Macunaíma.

O herói percebe a maldade de Currupira, bebe lama, vomita a carne e escapa. Ainda em busca do caminho de casa, encontra Vó Cotia, que fabricava farinha de mandioca. 

Pegou uma gamela cheia de caldo envenenado de aipim e jogou a lavagem no menino. Assustado, Macunaíma tenta desviar do caldo, porém só consegue livrar a cabeça.  

"O herói deu um espirro e botou corpo. Foi desempenando crescendo fortificando e ficou do tamanho dum home taludo. Porém a cabeça não molhada ficou pra sempre rombuda e com carinha enjoativa de piá."

Macunaíma agradeceu o bem-feito, voltou para sua tribo e passou a brincar com a linda Iriqui. Jiguê logo percebeu mais uma traição, entretanto observou o tamanho do irmão, troncudo. Decide que a briga não vale a pena e deixa a mulher para o irmão.

Amor, luto e transformação: Macunaíma e a Mãe do Mato


Em mais um passeio, chegando na cidade de Santarém, Macunaíma topou com uma viada parida. Flechou o bicho e quando chegou mais perto percebeu que matará a própria mãe. Sofreram o luto e enterraram a velha sob uma pedra no lugar chamado Pai da Tocandeira. 

"Então Macunaíma deu a mão pra Iriqui, Iriqui deu a mão pra Maanape, Maanape deu a mão pra Jiguê e os quatro partiram por esse mundo."

Durante a viagem, Macunaíma encontra Ci, Mãe do Mato. Atraído pelo seu corpo colorido com jenipapo, o herói logo quer brincar com a índia.  A icamiaba luta com rapaz, que após ser derrotado chama seus irmãos para ajudá-lo. 

Após ser atingida por um golpe na cabeça e ficar inconsciente, Macunaíma brinca com Mãe do Mato e se torna o novo Imperador do Mato-Virgem. Apaixonam-se e seis meses depois a índia icamiaba tem um filho que morre ainda bebê, envenenado por mamar no mesmo peito que a cobra preta chupou.

Depois de enterrar o menino, Ci entrega a Macunaíma a famosa muiraquitã do seu colar e sobe para o céu por um cipó virando uma estrela, a Beta do Centauro. No outro dia, quando Macunaíma vai visitar seu filho, percebe que do corpo do filho nascerá uma planta de guaraná.

A família decide seguir viagem e no meio das várias aventuras vividas por Macunaíma, ele perderá a muiraquitã na praia do rio. A pedra verde havia sido vendida pra um peruano chamado Venceslau Pietro Pietra que morava em São Paulo.

Então, Macunaíma decide ir a cidade procurar o homem e recuperar sua pedra. Maanape e Jiguê resolvem ir com ele, pois acreditam que o herói precisa de proteção. Durante a viagem, o herói avista uma cova de água encantada, toma banho e se torna europeu.

"Quando o herói saiu do banho estava branco louro e de olhos azuizinhos, água lavara o pretume dele. E ninguém não seria capaz mais de indicar nele um filho da tribo retinta dos Tapanhumas."

A última jornada: da perda da muiraquitã ao céu estrelado


Chegando em São Paulo, Macunaíma queria usar o cacau como moeda de troca e ao se deparar com a realidade, teme ter que trabalhar para viver na metrópole. Descobre que Pietro Pietra é o gigante Piaimã, comedor de gente, e começa a inventar planos pra recuperar sua pedra.

Após sua tentativa falha de seduzir o gigante vestido de francesa, Macunaíma vai para o Rio de Janeiro e procura Tia Ciata, responsável por um terreiro. Macunaíma queria Exu só pra se vingar do Piaimã.

Foi também na cidade carioca que reencontrou Vei, a Sol. Vei pretende casar-lhe com uma de suas filhas, mas o herói teria que ser fiel. Macunaíma prometeu, porém não cumpriu.

De volta a São Paulo, depois de muitas aventuras, Macunaíma consegue matar o gigante Piaimã, recuperar a muiraquitã e os irmãos voltam para suas terras.

Por fim, Vei, a Sol, resolve se vingar por Macunaíma não ter cumprido sua promessa. Disposto a amenizar sua solidão e o calor emitido por Vei, decide brincar com a Uiara na lagoa. Quando voltou a praia, percebeu que havia brigado muito lá no fundo.

“Ficou de bruços um tempão coma vida dependurada nos respiros fatigados. Estava sangrando com mordidas pelo corpo todo, sem perna direita, sem os dedões sem os côcos-da-Bahia sem orelhas sem nariz sem nenhum dos seus tesouros.”

Então, arrancou uma montanha de timbó de assacú de tingui de canambí e envenenou a lagoa, matando todos os peixes. Abriu a barriga de um por um, encontrou muitas coisas, menos suas pernas e a muiraquitã.

Decepcionado e capenga, Macunaíma sobe por um cipó e é rejeitado pela Lua.

“Macunaíma enfezou. Deu uma porção de munhecaços na cara da Lua. Por isso que ela tem aquelas manchas escuras na cara.”

Pauí-Pódole, o Pai do Mutum, foi quem teve dó do herói na terra. Fez uma feitiçaria e transformou Macunaíma na constelação da Ursa Maior.

“É mesmo o herói capenga que de tanto penar na terra sem saúde e com muita saúva, se aborreceu de tudo, foi-se embora e banza solitário no campo vasto do céu.”

Análise da Obra Macunaíma


“Macunaíma” é uma obra que faz parte da primeira fase do Modernismo. Publicado em 1928, sofreu influência da Semana da Arte Moderna em 1922, na cidade de São Paulo, trazendo mudanças de conceitos e novas ideias.

O autor Mário de Andrade introduz uma nova composição para a linguagem literária, ele deixa de se basear no que já era feito nos países do exterior e passa a produzir sua arte através da cultura, ou das culturas, que o rodeia.  

Valoriza a cultura nacional, apresenta sua fauna e flora, utiliza a linguagem coloquial e cotidiana do povo fazendo, de certa forma, uma crítica à língua culta brasileira

O protagonista é um índio, que representa o povo brasileiro. É um personagem que causa uma reflexão sobre o que é ser brasileiro, já que o mesmo muda repentinamente de aparência e volta e meia, aparece em outro país como se fosse uma pequena região do Brasil.

Essa mistura de cultura e, até mesmo, a mudança da aparência de Macunaíma no decorrer da história, revelam a influência e a diversidade cultural que existe no país, misturaram-se aos poucos as culturas nativas. 

Mário de Andrade explorou diversas formas de expressão em suas obras


Personagens principais de Macunaíma


Macunaíma – Índio, preguiçoso e esperto. O herói sem nenhum caráter

Maanape e Jiguê – irmãos de Macunaíma. O primeiro é feiticeiro e o segundo, musculoso e sempre perde a mulher para o irmão.

Sofará e Iriqui – Companheiras de Jiguê que se tornam amantes de Macunaíma. 

Ci, a Mãe do Mato – Índia de uma tribo só de mulheres, companheira de Macunaíma e mãe de seu filho.

Venceslau Pietro Pietra - gigante que roubou a muiraquitã de Macunaíma. Se torna o principal inimigo do herói.

Vei - representa o sol. Deseja que Macunaíma se case e seja fiel a uma de suas filhas.

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Autor: Mário de Andrade
Primeira Publicação: 1928
Gênero: Ficção, Romance, Literatura Brasileira
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