Seguindo os novos padrões do qual desejava fazer parte, e para desbancar o cortiço concorrente, chamado "Cabeça-de-Gato" que havia se instalado próximo ao seu, João Romão promoveu uma enorme reforma no cortiço.
"João Romão conseguira meter o sobrado do vizinho no chinelo; o seu era mais alto e mais nobre, e então com as cortinas e com a mobília nova impunha respeito. Foi abaixo aquele grosso e velho muro da frente com o seu largo portão de cocheira, e a entrada da estalagem era agora dez braças mais para dentro, tendo entre ela e a rua um pequeno jardim com bancos e um modesto repuxo ao meio, de cimento, imitando pedra."
Por fim, para consolidar o casamento com Zulmira e firmar sua ascensão social, João Romão decide devolver a amante escrava aos donos.
"Num relance de grande perigo compreendeu a situação; adivinhou tudo com a lucidez de quem se vê perdido para sempre: adivinhou que tinha sido enganada; que a sua carta de alforria era uma mentira, e que o seu amante, não tendo coragem para matá-la, restituía-a ao cativeiro."
Outras histórias do cortiço
A vida no cortiço era simples e dura. Lá também viviam Rita Baiana, Firmo, Jerônimo e Piedade. Jeronimo era um trabalhador honesto, casado com Piedade, que gozava de prestigio e consideração no cortiço devido a sua boa índole.
Sua força, dedicação e proatividade no trabalho ganhou a confiança de João Romão e rendeu-lhe a condição de gerente da pedreira. No entanto, Jerônimo passa a ser seduzido pela encantadora Rita Baiana que era amante de Firmo.
Rita baiana era uma mulata carismática e conhecida entre todos os moradores da habitação coletiva. Ao descobrir a relação do marido com a mulata, Piedade se tornou alcoólatra.
E em um processo de decadência física e moral, tomado pela paixão e pelo ciúme, Jerônimo assassina o namorado de Rita, abandona a esposa e vai viver com a amante.
A decadência também faz parte da história de Pombinha, uma moça culta, respeitada e muito querida por toda aquela gente do cortiço. Tentou manter sua honra dentro do casamento, mas já não suportava mais o marido.
Seduzida pela vida vivida por sua comadre Léonie, abandonou o marido e passou a viver como amante, era vista por toda a parte onde houvesse prazer no Rio de Janeiro.
Sua mãe chorou de desgosto, e sem forças para o trabalho, aceitavou os ganhos da prostituição da filha para não morrer de fome.
Análise da obra “O Cortiço”
Publicada em 1890 por Aluísio Azevedo, “O Cortiço” é uma obra pertencente ao
Naturalismo, movimento artístico conhecido por ser a radicalização do
Realismo, distanciando-se da
idealização romântica, trazendo um retrato fiel da realidade.
No
naturalismo ocorre a observação da realidade e das experiências para mostrar que o homem é um produto do próprio meio em que vive. Constitui-se também de teorias cientificas para compreender o universo.
“O Cortiço” é uma obra que expõe o comportamento humano diante do ambiente ao qual o indivíduo está inserido através da trajetória dos personagens.
A história de João Romão apresenta a visão naturalista das relações sociais, a ambição do personagem que representa os desejos da sociedade capitalista, o desejo de prosperar, de possuir bens e ser alguém considerado importante, torna-o um homem sem ligações afetivas.
A
desigualdade social e a exploração é uma temática muito exposta na obra, reforçada através da história de como surge o cortiço até as histórias de cada um dos moradores que ali chegaram.
Trata-se de um retrato e denuncia de como viviam os moradores das estalagens e dos cortiços cariocas do final do século XIX.
As transgressões comportamentais desenvolvidas no decorrer da obra são essenciais para compreender que o caráter original do indivíduo é alterado pelos seus instintos e pela busca de certos prazeres.
Aluísio apresenta no livro um exemplo da má influência do meio sobre o homem, uma natureza poderosa e transformadora.
Personagens
João Romão: português ambicioso, dono do cortiço, da venda e da pedreira. Representa o capitalista explorador.
Bertoleza: escrava e quitandeira que batalhava para comprar sua alforria. Explorada e enganada pelo amante João Romão.
Miranda: negociante português que mantinha título de burguês, mas era sustentado pela esposa que o traia com seus clientes. Tinha convicção de não ser o pai de Zulmira.
Estela: Mulher levada, casada com Miranda e que cometia adultério.
Zulmira: Filha de Estela, menina pálida e fria que busca um pretendente.
Jerônimo: português trabalhador e honesto, representa a disciplina profissional e a transformação do homem devido ao desejo carnal.
Rita Baiana: mulata sedutora que vive no cortiço, é amante de Firmo e mais tarde, envolve-se com o comprometido Jerônimo.
Piedade: Esposa dedicada de Jerônimo que se entrega a bebida após ser traída.
Firmo: mulato festeiro que se envolve com Rita Baiana e é assassinado por Jerônimo.
Pombinha: moça educada e de bom caráter que termina entregue à prostituição.
Curiosidade
Inspirado na obra de
Aluísio Azevedo, “O Cortiço” foi
adaptado para o cinema em 1978 com direção de direção de Francisco Ramalho Jr.
Invista
em seu futuro com bolsa do Educa Mais Brasil
Seja
qual for a sua área de interesse, leia bastante e mantenha-se atualizado e se redescobrindo para garantir
as melhores oportunidades. E para isso, você pode contar com o Educa Mais
Brasil.
Maior
programa de inclusão educacional do nosso País, o Educa Mais Brasil atua há
mais de 21 anos com a oferta de bolsas de estudo, possibilitando
que estudantes de todo o território nacional economizem até 85% em mensalidades
de cursos, escolas e universidades. O Educa está pronto para ajudar a realizar
sonhos com economia no bolso.
Consulte bolsas de estudo para faculdades