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O Primo Basílio

Postado por Samara Rodrigues em 15/08/2025 e atualizado pela última vez em 25/08/2025
O Primo Basílio” narra a história de amor entre o casal Jorge e Luísa, e a infidelidade a esposa com seu primo, Brasílio. A obra de Eça de Queiroz, publicada 1878, consiste na análise da família burguesa da época e faz parte dos clássicos da literatura

A história de “O Primo Basílio” gira em torno de Jorge e Luísa, um típico casal burguês da classe média da sociedade lisboeta do século XIX. Jorge é um engenheiro, pertencente a burguesia abastada de Lisboa assim como sua esposa Luísa.

Quando sua mãe morreu, porém, começou a achar-se só: era no inverno, e o seu quarto nas traseiras da casa, ao sul, um pouco desamparado, recebia as rajadas do vento na sua prolongação uivada e triste; sobretudo à noite, quando estava debruçado sobre o compêndio, os pés no capacho, vinham-lhe melancolias lânguidas; estirava os braços, com o peito cheio de um desejo; quereria enlaçar uma cinta fina e doce, ouvir na casa o frufru de um vestido! Decidiu casar. 

Conheceu Luísa, no verão, à noite, no Passeio. Apaixonou-se pelos seus cabelos louros, pela sua maneira de andar, pelos seus olhos castanhos muito grandes. No inverno seguinte foi despachado, e casou.



A obra O Primo Basílio, de Eça de Queiroz, foi publicada 1878

O Primo Basílio: paixões, ilusões e segredos em Lisboa


Luísa recebe uma carta informando que em breve seu primo Basílio a visitaria. Nesse mesmo período, Jorge, marido de Luísa, faz uma viagem a trabalho deixando a mulher em companhia do primo e dos serviçais. Além de primos, Luísa e Basílio namoraram durante a juventude, antes dele se mudar para Paris. Envolvidos pelos sentimentos do passado, os dois desenvolvem um caso extraconjugal.

Luísa era uma ávida leitora e tinha uma forte visão romântica da vida, então começa a vislumbrar em Basílio uma história de amor como as dos romances que lia. "Que vida interessante a do primo Basílio!" - pensava. - "O que ele tinha visto!" Se ela pudesse também fazer as suas malas, partir, admirar aspectos novos e desconhecidos, a neve nos montes, cascatas reluzentes! Como desejaria visitar os países que conhecia dos romances – a 

Escócia e os seus lagos taciturnos, Veneza e os seus palácios trágicos; aportar às baias, onde um mar luminoso e faiscante morre na areia fulva; e das cabanas dos pescadores de teto chato, onde vivem as Grazielas, ver azularem-se ao longe as ilhas de nomes sonoros! E ir a Paris! Paris sobretudo! Mas, qual! Nunca viajaria decerto; eram pobres; Jorge era caseiro, tão lisboeta!

Para tornar a relação mais discreta, os amantes alugam um quarto bastante simples no subúrbio de Lisboa, que chamam de “Paraíso”. Os encontros entre os dois sucedem-se a partir da troca de cartas de amor. Apesar da cautela de ambos, uma das cartas é interceptada por Juliana, a governanta da casa de Luísa que já havia notado o romance a patroa e o primo. 

Juliana buscava uma oportunidade de ascensão social, desta forma, passa a chantagear Luísa para que seu adultério não seja revelado. Com o passar do tempo, Luísa começa a sentir que a paixão de Basílio por ela já não é tão forte. Tenta convencê-lo a ficar com ela, contudo ele decide voltar para Paris.

O Primo Basílio: entre o luxo sonhado e o peso das chantagens


O que havia de infeliz em abandonar a sua vida estreita entre quatro paredes, passada a examinar róis de cozinha e a fazer croché, e partir com um homem novo e amado, ir para Paris! Para Paris! Viver nas consolações do luxo, em alcovas de seda, com um camarote na Ópera! ... Era bem tola em se afligir! Quase fora uma felicidade aquele "desastre"! Sem ele nunca teria tido a coragem de se desembaraçar da sua vida burguesa; mesmo quando um alto desejo a impelisse, haveria sempre uma timidez maior para a reter! 

E depois, fugindo, o seu amor tornava-se digno! Seria só de um homem; não teria de amar em casa e amar fora de casa! Com o retorno de Jorge, Luísa passa a sofrer ainda mais com as chantagens de Juliana, que até transforma a senhora mimada em escrava, obrigando-a a realizar alguns serviços domésticos.

O marido estranha o comportamento da criada e decide despedi-la. Desempregada e em posse das cartas, Juliana intensifica as chantagens pedindo uma alta quantia em dinheiro para não revelar o segredo da ex-patroa. Cansada das chantagens após tenta todas as soluções possíveis, Luísa não vê outra alternativa senão pedir ajuda. Luísa recorre a Sebastião e conta sobre o adultério e a história das chantagens que estavam sendo realizadas por Juliana.   

O Primo Basílio: a descoberta, o perdão e a morte de Luísa


Sebastião era um velho amigo de Jorge, e mesmo surpreso com a história, se dispõe a ajudar a jovem.  O homem logo pressiona a empregada que mesmo resoluta, resolve devolver as cartas. Desesperançada por perder a oportunidade de enriquecimento, a empregada entra em colapso e morre de desgosto pouco depois. Luísa, por sua vez, também acaba adoecendo.

Tempos depois, Luísa, que está acamada pelas altas febres, recebe a resposta de uma das cartas escrita há meses ao primo Basílio. Curioso, Jorge recebe e abre a carta endereçada a esposa e acaba do descobrir o adultério da esposa nas palavras amorosas e cheias de saudade de Basílio

Jorge foi heroico durante toda essa tarde. Não podia estar muito tempo na alcova de Luísa, a desesperação trazia-o num movimento contraditório; mas ia lá a cada momento, sorria-lhe, conchegava-lhe a roupa com as mãos trêmulas; e ela dormitava, ficava imóvel a olhá-la feição por feição, com uma curiosidade dolorosa e imoral, como para lhe surpreender no rosto vestígios de beijos alheios, esperando ouvir-lhe nalgum sonho da febre murmurar um nome ou uma data; e amava-a mais desde que a supunha infiel, mas de um outro amor, carnal e perverso. 

Depois ia-se fechar no escritório, e movia-se ali entre as paredes estreitas, como um animal numa jaula. Releu a carta infinitas vezes, e a mesma curiosidade roedora, baixa, vil, torturava-o sem cessar: Como tinha sido? Onde era o Paraíso? Havia uma cama? Que vestido levava ela? O que lhe dizia? Que beijos dava? Por fim, o marido conforta Luísa, contudo pelo frágil estado de saúde e pelo forte amor que lhe tem, Jorge perdoa a traição a esposa, que morre dias depois. 

Com a morte de Luísa, Jorge demite as empregadas e vai morar com Sebastião. Basílio retorna a Lisboa e, ao saber da morte da amante, o primo faz pouco caso por não considerar Luísa uma amante chique para sua classe.

Análise da obra “O Primo Basílio”


Publicado em 1878 por Eça de Queiroz, o livro “O Primo Basílio” trata-se de um romance que analisa a sociedade burguesa urbana do século XIX. A construção da obra através de personagens aparentemente felizes e perfeitos, retrata a futilidade daquela sociedade.

O livro inovou a criação literária da época, oferecendo uma crítica subversiva e sarcástica dos costumes da pequena burguesia de Lisboa, atacando uma das instituições consideradas mais sólidas, o casamento.

A figura dessa sociedade é estereotipada em personagens decadentes, desprovidos de virtudes, desfrutando de sentimentos fúteis. Pertencente ao movimento Realista em Portugal, a obra de Eça de Queiroz explora o adultério, a hipocrisia, o caráter, a mediocridade e os valores morais.


Eça de Queirós (1845-1900)


Principais personagens do livro O Primo Basílio 


Basílio: conquistador e irresponsável, primo de Luísa que mora em Paris, foi namorado da prima na infância e torna-se amante da mesma durante uma visita a Lisboa, contudo nunca a amou;
Luísa: jovem romântica, dona de casa, burguesa, casada com Jorge e adúltera. Amou seu primo Basílio, mas não foi correspondida;
Jorge: jovem engenheiro, homem simples e marido dedicado, casado e traído por Luísa com o primo Basílio;
Juliana: empregada do casal Luísa e Jorge, mulher feia, solteirona e bastarda, inconformada com sua posição social passa a chantagear a patroa e acaba morrendo de desgosto;
Sebastião: fiel amigo de Jorge.

Curiosidades sobre o livro O Primo Basílio 


Em 1988, a Rede Globo produziu a minissérie “O Primo Basílio”. A trama foi adaptada por Gilberto Braga e Leonor Bassères, com direção de Daniel Filho.
Em 2007, a obra de Eça de Queirós ganhou uma adaptação para o cinema brasileiro. Com direção de Daniel Filho, o romance foi adaptado por Euclydes Marinho e conta com atuação de Débora Falabella (no papel de Luísa), Fábio Assunção (no papel de Basílio), Reynaldo Gianecchini (no papel de Jorge) e Glória Pires (no papel de Juliana).

Nome do livro: O Primo Basílio
Autor: Eça de Queirós
Primeira publicação: 1878
Gênero: Literatura Portuguesa, romance, drama e ficção
Obras relacionadas: Os Maias, O Crime do Padre Amaro, A Cidade e as Serras, A Relíquia.

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No romance O Primo Basílio, de Eça de Queirós, acompanhamos a história de Luísa, uma jovem que, entre sonhos e ilusões, vê sua vida tomar rumos inesperados. Muito do drama vivido pela personagem está ligado às limitações impostas pelo contexto social da época, que restringia escolhas e oportunidades, especialmente para as mulheres. Hoje, a realidade pode ser diferente: o acesso à educação é uma das chaves para transformar destinos e ampliar horizontes, permitindo que cada pessoa escreva sua própria história.

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Primeira Publicação: 1878
Gênero: Literatura Portuguesa, romance, drama e ficção
Obras Relacionadas: Os Maias, O Crime do Padre Amaro, A Cidade e as Serras
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