Estrutura e Organização de Os Lusíadas
A epopeia Os Lusíadas, de Luís de Camões, é uma obra narrativa dividida em dez cantos, totalizando 1.102 estrofes e 8.816 versos decassílabos, escritos em oitava rima. A rima segue o esquema ABABABCC, com os seis primeiros versos rimando de forma cruzada e os dois últimos de forma emparelhada:
"As armas e os barões assinalados A
Que, da ocidental praia lusitana, B
Por mares nunca de antes navegados A
Passaram ainda além da Taprobana, B
Em perigos e guerras esforçados, A
Mais do que prometia a força humana, B
E entre gente remota edificaram C
Novo reino, que tanto sublimaram. C"
Os Lusíadas, Canto I, estrofe 1
Por se tratar de uma epopeia clássica, a obra é organizada em cinco partes principais: a proposição, que introduz o tema e os personagens (estrofes 1 a 3 do Canto I); a invocação, na qual o poeta pede inspiração às ninfas do Tejo (estrofes 4 e 5 do Canto I); a dedicatória, dedicada ao rei D. Sebastião e à propagação da fé e conquistas portuguesas (estrofes 6 a 18 do Canto I); a narrativa, que traz a viagem de Vasco da Gama e as glórias heroicas de Portugal; e o epílogo, que conclui a obra (estrofes 145 a 156 do Canto X).
Análise de “Os Lusíadas”
“Os Lusíadas” é considerado o maior monumento poético da
Língua Portuguesa. Escrito pelo português Luís Vaz de Camões, foi publicado pela primeira vez em 1572, período literário do classicismo.
Para contar a história do povo português, Camões buscou na antiguidade clássica o formato adequado para a criação da sua epopeia.
Obras clássicas como “
Odisseia”, de Homero, e “Eneida”, de Virgílio, inspiraram o autor no desenvolvimento da narrativa e exerceram influência na estrutura e versos do poema. Já as crônicas de
Fernão Lopes e de Rui de Pina serviram como base histórica.
Característico do Período do Renascimento, o poema não poderia deixar de evidenciar o antropocentrismo, o homem como centro das ações, da expressão cultural, histórica e filosófica, realçado as grandes conquistas em plena expansão marítima de Portugal e seu povo.
“Os Lusíadas” também é uma espécie de enciclopédia, uma vez que narra uma das mais significativas viagens da era dos descobrimentos, as grandes navegações, o império português no Oriente, os reis e heróis de Portugal.
Em meio a narração dos fatos da História Portuguesa, desenrola-se também uma história mitológica, relatando a intrigas dos deuses do Olimpo, que procuram ajudar ou atrapalhar o navegador.Toda essa contextualização história e poética, estabeleceu “Os Lusíadas” como um clássico literário.
Curiosidades de “Os Lusíadas”
Especula-se que Camões sobreviveu ao naufrágio com destino a Goa, se salvando a nado junto com os manuscritos de “Os Lusíadas”.
“Os Lusíadas” levou quase duas décadas para ser escrito.
“Os Lusíadas” foi pouco censurado, embora mencionasse o amor carnal e ao culto pagão na época do governada pelos Jesuítas.
Camões foi premiado pela criação de “Os Lusíadas”, recebendo uma pensão real no valor de quinze mil réis anuais.Em 1992 foi criado o Instituto Camões para promover a língua e a cultura portuguesa no exterior.